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Servidor: um incentivo que vem de família

Famílias de servidores mostram que o amor pela carreira pública é capaz de atravessar gerações.

Conheça a emocionante história de Mônica Campello,
fonoaudióloga e professora no Instituto Nacional de Surdos (Ines)


  
 
Giulliana Barbosa
[email protected]
 
Uma pessoa pode almejar o serviço público por vários motivos: vocação, estabilidade empregatícia e remunerações atrativas, por exemplo. Este objetivo de vida, na maioria das vezes, surge de iniciativa própria. Contudo, o desejo de passar em um concurso e se tornar servidor muitas vezes nasce na família do profissional. São muitos os casos de concursados com parentes que também são servidores e que serviram de inspiração ou incentivo para eles.

No caso da servidora Mônica Campello, fonoaudióloga e professora no Instituto Nacional de Surdos (Ines), a mãe dela, professora aposentada do instituto, foi sua inspiração na família. “O amor pelos surdos e o orgulho que tinha do trabalho de minha mãe me motivaram”, destacou. 

Naquela época, a servidora pública há 34 anos relembra que os alunos eram internos e muitos deles, por serem de outros estados, não passavam o fim de semana com suas famílias, e ficavam no Ines. 

“Sendo assim, muitas vezes minha mãe os levava para passar o final de semana conosco. Isso foi me aproximando, me sensibilizando e fazendo entender melhor aquela realidade, despertando em mim um amor incondicional pelos meus amigos surdos”, sublinhou.

E foi devido a esse amor pelos surdos, inclusive, que Mônica cursou Fonoaudiologia.

“O que mais me moveu na época foi um desejo maior de poder ajudar de alguma forma os alunos, para que pudessem ser cidadãos atuantes na sociedade. Dei muita sorte, pois assim que me formei o governo abriu um concurso para o Ines. Costumo dizer, e realmente acredito muito, que temos o poder de fazer acontecer aquilo que mais desejamos para nossa vida. E eu desejei e me preparei muito para poder estar lá.”

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Como era recém-formada, a docente do Ines lembra que dar continuidade aos estudos não foi difícil. 

“Tive muito apoio da minha família e uma torcida enorme para que pudesse realizar esse desejo. Lembro que, para meu pai, a segurança de um emprego público era o mais importante, muito embora, na época, eu não entendesse muito essa dimensão toda do que significava ter a segurança e estabilidade de um servidor público federal. Na verdade, eu queria muito era trabalhar para poder fazer a vida dos meus amigos, alunos surdos do Ines, mais feliz”, revelou, em tom emocionado.

Já dentro do serviço público e apaixonada pela comunidade surda, Mônica Campello foi se aprofundar mais na área da surdez. 

“O Ines sempre investiu muito nessa especialização e tenho muita gratidão por isso. Este incentivo que sempre tivemos para nossa formação é um diferencial importante, que me possibilita também representar a instituição em vários eventos, como congressos, seminários e simpósios, falando sobre os aspectos clínicos da surdez e sobre quem é essa pessoa surda, esclarecendo a educação de surdos e o trabalho fonoaudiológico com esses alunos”, disse.

 

 

Hoje, ela também é mestranda em Avaliação, pela Fundação Cesgranrio, e professora convidada do curso de pós-graduação lato sensu ‘Educação de Surdos: uma perspectiva bilíngue em construção’, do Departamento de Ensino Superior do Ines, além de membro do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Surdez (Gepess), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

A servidora também desenvolve trabalhos e pesquisas na área da Surdez, além de prestar assessoria às redes municipais e estaduais sobre o trabalho com sujeitos surdos. 

A servidora pública conta que o que mais a encanta no serviço público “é poder oferecer um trabalho de qualidade, respeito e uma orientação às famílias que chegam, muitas vezes, ainda vivendo o luto do diagnóstico recente da surdez de seus filhos. 

Os desafios são muitos, mas eu sempre incentivarei aqueles que demonstram o desejo de trabalhar na instituição, não apenas para ser um servidor, mas para ter a vivência profissional de poder trabalhar e fazer pelo povo surdo”.

Com sua mãe já tendo sido servidora no Ines, Mônica salienta que “é muito bom poder trocar e conversar sobre diferentes épocas e situações vividas na instituição. Aprendo muito com a história vivenciada por minha mãe e suas amigas, que durante um breve espaço de tempo foram também minhas colegas de trabalho. Experiência maravilhosa e única que guardarei para sempre no percurso da minha história profissional”. 

Questionada se todos os sacrifícios para se tornar servidora pública valeram a pena, ela é enfática. 

“Sacrifício? Nunca pensei ser sacrifício. Sempre valeu a pena, pois sempre quis tanto que o desejo falou muito mais alto do que a dor de ter que fazer para ser servidora. Sou muito realizada e feliz naquilo que faço”, exclamou. 

Uma família integrada à área de Segurança Pública

E quando na família não há somente um, mas outros cinco servidores públicos — e detalhe, trabalhando no mesmo órgão. Essa é a história de Miguel Ticom, que é concursado há 33 anos. Neste ano, ele assumiu a direção do Departamento Geral de Busca Eletrônica da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PC-RJ), mas desde o ano 2000 também leciona na Academia Estadual de Polícia Sylvio Terra (Acadepol). 

Além dele, o tio é delegado; o pai, perito criminal; dois irmãos, comissários de polícia (assim como Miguel); e a esposa, papiloscopista. 

Família Ticom: ligação forte com o serviço
público; em especial, a área policial

Há 33 anos, Ticom relembra que era muito jovem e não sonhava com o serviço público. 

“Porém, via meu pai levando laudos para fazer em casa, mas, ao mesmo tempo, escondendo de mim e dos meus irmãos, pois continham fotos de locais de crime. Por conta da atividade policial, ele também tinha muita preocupação quando nós saíamos à noite, em virtude de tudo o que ele via. A profissão era instigante e despertava a minha curiosidade. Meu pai sempre foi uma pessoa muito séria no trabalho e serviu de exemplo e estímulo para que mais à frente eu fizesse o concurso”, ressaltou.
 
Ticom disse que, além de incentivá-lo, o pai pediu para que ele fizesse o concurso da Polícia Civil. 

“Me envolvi no desafio, mas mesmo que não estivesse a fim eu faria, pois meu pai sempre foi referência na minha família e eu não ousaria desagradá-lo. Minha irmã, apenas um ano mais nova, acabou aderindo à ideia e fizemos o mesmo concurso, sendo ambos aprovados.”

Ao longo desses mais de 30 anos, muitas mudanças ocorreram na vida do servidor da PC-RJ. 

“Dois anos depois de ingressar na corporação, me casei e consegui investir na compra de um apartamento pelo Sistema Financeiro de Habitação. Quando o Brasil enfrentou as crises financeiras e planos econômicos, foi o serviço público e a estabilidade que ajudaram a manter as contas em dia. Como minha esposa também é servidora, isso foi essencial para a nossa segurança financeira”, lembrou.

Ticom disse que suas filhas ainda não sinalizaram interesse em ingressar na Polícia Civil do Rio. 

“Uma delas conseguiu um bom emprego na iniciativa privada, como engenheira de produção, e a outra ainda está na faculdade. Caso a minha filha mais nova não tenha oportunidade na iniciativa privada, com certeza vou estimulá-la a fazer concurso público. Porém, não para a área de Segurança Pública, porque não é o perfil dela.”

O dinamismo no serviço público é o que mais encanta o concursado. “Não há monotonia. Todos os dias temos um trabalho diferente para fazer e as oportunidades são geradas pelo seu empenho no cumprimento do dever. O bom servidor tem espaço em qualquer lugar. O trabalho é gratificante. Entretanto, o foco tem que ser em servir à sociedade e não apenas a estabilidade. O servidor tem que fazer o seu melhor, tratar a todos como gostaria de ser tratado, produzir o máximo que puder e ser feliz com o que faz”, reforçou.

 

 







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