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Servidor público é protagonista na inovação da gestão pública

Servidor público é protagonista na inovação da gestão pública

Cada vez mais os órgãos públicos abrem espaço para servidores proporem soluções para desafios do cotidiano

Cristiano Heckert diz que o Brasil está
conseguindo inovar na gestão pública graça aos
esforços dos servidores (Foto: Divulgação)

 

Com os acentuados avanços tecnológicos, além das mudanças sociais, econômicas e políticas pelas quais o país passa, a Administração Pública vem tendo que lidar como vários novos problemas, que precisam de soluções rápidas.

Nesse contexto, é fundamental a participação e contribuição dos servidores e empregados públicos com ideias inovadoras, para que a gestão pública possa atender cada vez melhor a população e, ao mesmo tempo, fazer frente aos novos desafios impostos pelo avanço tecnológico e as transformações político-econômico-sociais.

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Na avaliação do secretário de Gestão do Ministério da Economia, Cristiano Heckert, o Brasil está conseguindo inovar na gestão pública, graças aos esforços dos servidores. 

“O serviço público brasileiro tem realizado inovações importantes e reconhecidas que impactam a vida dos usuários de serviços públicos. Essas inovações são possíveis em função das pessoas que atuam no setor público, suas ideias, suas interações entre si, com cidadãos e empresas.” 

Ele enfatiza que a inovação, seja no setor público ou privado, é produto das ações e realizações de pessoas. “O mais importante, para que haja inovação, é o compartilhamento de conhecimentos e experiências, que hoje está sendo efetuado em tempo real pela internet, independentemente de ser no setor público ou privado”, pontua.  

No entanto, você deve estar se perguntando: inovar dentro na Administração Pública não é um desafio maior do que no setor privado, já que a gestão pública costuma ser mais “engessada”? 

O secretário de Gestão do Ministério da Economia reconhece que sim, já que, na visão dele, a estrutura normativa que regulamenta as atividades dos órgãos públicos é mais rígida do que as regras seguidas pelas empresas privadas. 

 

 

Cristiano Heckert, porém, destaca os avanços. “Apesar de ainda conviver com algumas práticas e regras ‘duras’, a Administração Pública vem evoluindo, tanto por suas iniciativas como pela própria provocação de uma sociedade, que tem acesso em tempo real ao que ocorre no mundo e passa a ter voz ativa para demandar inovações.”
 
Heckert lista algumas soluções que já vêm sendo adotadas: abordagens voltadas para a construção coletiva de soluções (como aquelas baseadas em conceitos de design thinking e de experiência do usuário, por exemplo) e a proliferação de unidades dentro das estruturas das instituições públicas que assumem o papel de laboratórios de inovação. 

“Elas permitem a convivência de novas soluções em paralelo a formas mais tradicionais, não requerendo necessariamente uma mudança normativa para que ocorram”, disse o secretário de Gestão do Ministério da Economia.

Gestão pública deve incentivar servidores

Mas, afinal, como os servidores públicos podem trazer soluções inovadoras para suas rotinas de trabalho, já que a Administração Pública é, por vezes, “engessada”? Para Cristiano Heckert, o caminho é a gestão pública incentivar cada vez mais os profissionais a trazerem ideias inovadoras.

Segundo ele, a inovação no serviço público é uma “via de mão dupla”. Ou seja: ao mesmo tempo em que os concursados devem propor ideias, também cabe aos órgãos públicos o estímulo aos profissionais dos seus quadros de pessoal. 
 
“É preciso criar ambientes de trabalho baseados na sinceridade e que permitam discussões efetivas para o aumento da qualidade do que é feito e de sua produtividade. Para que a inovação ocorra, é preciso confiança, compartilhamento, colaboração e inteligência coletiva. Em complemento, a cultura de experimentação e de aprendizagem com o erro são fundamentais para que a inovação seja algo corrente nos órgãos públicos, aproveitando o potencial e a história que cada servidor possui”, indica. 

Outro ponto primordial, de acordo com o secretário de Gestão, é a conexão com os usuários dos serviços públicos. 

 

 

“É preciso inovar, sobretudo para melhorar a experiência do cidadão em suas interações com o setor público. Isso pode ser alcançado a partir da utilização de técnicas e metodologias que incorporem os cidadãos, empresas e usuários de serviços públicos de modo geral, no desenho ou redesenho de serviços públicos, de canais digitais de atendimento e na avaliação do que é ofertado”, sinaliza.  

Tudo isso porque, segundo Heckert, o ponto de vista desses usuários é essencial não apenas para tornar os serviços públicos eficientes e acessíveis, mas também para que a experiência seja melhor em qualidade, e mais humana e acolhedora na resolução do problema ou questão que o cidadão ou empresa enfrenta no seu dia a dia e nas relações com o setor público.

O secretário de Gestão do Ministério da Economia conclui dizendo que os órgãos públicos devem também destacar iniciativas que buscam reconhecer e divulgar casos de sucesso realizados no setor público. 

A Escola Nacional de Administração Pública (Enap) é um bom exemplo de promotora dessas iniciativas. No ano passado, a Enap realizou a 22ª edição do Concurso Inovação no Setor Público. A premiação, que acontece desde 1996, tem o objetivo de incentivar a implementação de iniciativas inovadoras no serviço público.   

TCU estimula servidores público a inovar

 

TCU realiza o Programa Reconhe-Ser,
premiando e reconhecendo servidores que contribuem
para a inovação no setor público (Foto: Divulgação)

 

Outro órgão público que também valoriza os servidores que apresentam ideias inovadoras é o Tribunal de Contas da União (TCU). 

Entre 2015 e 2017, por exemplo, foi instituído o Programa InovaTCU, cujo o objetivo é o de despertar as diversas áreas e, em especial, os servidores do TCU, a se conectarem com a era digital, bem como estimulá-los a buscar soluções inovadoras para problemas complexos no país. 

Também em 2015, o órgão criou o coLAB-i, o primeiro laboratório de inovação em uma instituição superior de controle, com o propósito de espalhar a inovação do TCU. Completando quatro anos neste mês, há uma nova proposta de atuação para o laboratório. 

Segundo o tribunal, para os próximos dois anos, o objetivo é incubar projetos que resolvam problemas da Administração Pública, estimulando que auditores e gestores públicos trabalhem de maneira colaborativa para construção de protótipos. 

O TCU ressalta que, para alcançar melhores resultados na Administração Pública, é essencial que os servidores públicos tenham o domínio de novas tecnologias, mas isso não é suficiente. 

Além disso, é importante também trazer metodologias inovadoras que estimulem o foco no usuário das soluções, que facilitem o trabalho colaborativo e que promovam a construção de protótipos para que o risco de inovar seja controlado. 

As iniciativas do TCU no estímulo à inovação, porém, já tinham iniciado há mais tempo. Seis anos antes, por exemplo, em 2009, foi criado o Programa Reconhe-Ser, a fim de reconhecer publicamente os servidores do tribunal que oferecem contribuições importantes às respectivas unidades e ao órgão. Desse programa, surgiram duas boas iniciativas: o Prêmio Reconhe-Ser e a revista Reconhe-Ser, ambos anuais. 

A publicação, que divulga as ideias e os trabalhos premiados, tem como objetivo compartilhar conhecimentos e boas práticas que possam estimular a aprendizagem organizacional e aprimorar a atuação do TCU. Já as premiações são organizadas em três categorias: trabalhos inovadores, trabalhos de destaque e ideias inovadoras. 

Por fim, o TCU observa que a contribuição que os servidores públicos têm dado à Administração Pública é cada vez mais significativa, e que o prêmio Reconhe-Ser extrapola o próprio TCU. Isso porque na última edição, por exemplo, servidores do Ministério da Transparência e da Controladoria-Geral da União também foram contemplados, segundo o órgão. 

Giulliana Barbosa
[email protected]

 

 







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