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Os desafios da motivação no serviço público

Os desafios da motivação no serviço público

Segundo Alexandre Baêta, dentre as dificuldades para manter os servidores públicos motivados está a isonomia salarial

Alexandre Baêta diz que as recompensas
salariais são instrumentos importantes para o
estímulo à produtividade individual

 

* Alexandre Baêta

A motivação pode ser definida como um conjunto de forças, pessoais ou ambientais, que fazem com que as pessoas persistam na busca de um objetivo. Essas forças afetam a produtividade e, portanto, devem ser canalizadas em direção aos objetivos das entidades públicas, buscando atender os anseios sociais. 

O processo motivacional, na esfera governamental, é complexo e desafiador, exigindo dos gestores públicos conhecimentos multidisciplinares, criatividade e atitudes inovadoras.

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Manter continuamente a motivação e afetar positivamente a produtividade é uma tarefa bastante complexa, sobretudo quando se trata de entidades públicas. Dentre as dificuldades para manter os servidores públicos motivados está a isonomia salarial. 

É cediço que a remuneração, isoladamente, é mais um fator de manutenção que motivacional, em essência. Contudo, as recompensas salariais são instrumentos importantes para o estímulo à produtividade individual. 

Não há que se falar em remuneração variável na administração pública, nem tampouco em promoções espontâneas. Os cargos comissionados e as funções em confiança, apesar de promoverem acréscimos à remuneração básica dos servidores, são limitados e nem sempre estão disponíveis. 

Os servidores mais produtivos recebem proventos idênticos aos dos servidores com menores índices de produtividade e isso pode levar a um desestímulo gradual extremamente danoso.

A baixa motivação percebida nas entidades públicas muitas vezes pode ser relacionada aos reflexos potencialmente negativos do processo de admissão pública. Como o concurso público é o único meio ingresso admitido, as pessoas podem ser levadas a assumir posições para as quais não possuem nenhuma aptidão. 

Além disso, muitos agentes públicos têm sua atuação completamente distante da sociedade e não conseguem perceber, em termos práticos, o alcance de suas ações, boas ou ruins, em relação à população a qual devem servir.

Mas, apesar de todas as dificuldades, é possível construir instrumentos motivacionais, capazes de aumentar os índices de satisfação no trabalho e, consequentemente, melhorar continuamente os níveis de produtividade. 

 

 

Os gestores públicos podem criar mecanismos de rotação de cargos, permitindo aos servidores maior mobilidade dentro de suas respectivas instituições, sem, contudo, desrespeitar os limites legais, promovendo o dinamismo, o crescimento pessoal e profissional, buscando sempre a melhor adequação entre os objetivos pessoais e as necessidades institucionais das entidades públicas.

As instituições públicas devem promover a capacitação contínua dos servidores e das chefias, aproximando, cada vez mais, os servidores dos processos decisórios. 

Técnicas de mentoring e tutoria são importantes instrumentos para promoção do empoderamento dos subordinados. Essas ações de empoderamento do corpo técnico, quando alinhadas a uma política de descentralização e downsizing (redução de níveis hierárquicos), promovem elevados níveis de satisfação, uma vez que constroem meios necessários à promoção da autorealização.

Manter as pessoas motivadas, em seu ambiente de trabalho, é um desafio, porém é algo factível, desde que observadas as melhores práticas aplicáveis gestão de pessoas. 

Independentemente de evolução da legislação e do patrocínio político, as ações dos gestores públicos, dentro de suas limitações de competências, podem gerar impactos extremamente positivos, através de uma mudança na percepção dos agentes públicos acerca de seus colegas, de sua chefia, de sua instituição e, sobretudo, através da clara percepção da importância das suas tarefas cotidianas para a construção de uma sociedade mais justa e mais equilibrada.

* Alexandre Baêta é pós graduado em Administração Pública, em Direito Administrativo e é servidor na Agência Nacional de Saúde (ANS)

 

 







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