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O servidor candidato

O servidor candidato

Professor Antonio Carlos Barragan destaca que participação dos servidores no cenário político vem aumentando

Segundo Barragan, o servidor público, ao ocupar um cargo
político, poderá ver sua voz ecoar com mais força e precisão

Por Antonio Carlos Barragan
    
O primeiro turno das eleições de 2018 já aconteceu e foi marcado por novas características tanto dos candidatos e partidos quanto dos eleitores. Se por um lado tivemos candidatos recém-chegados à política obtendo expressiva votação, como Romeu Zema, do Partido Novo, na corrida pelo Governo de Minas Gerais e como Wilson Witzel, do PSC, ao Governo do Rio, também tivemos a presença de velhas figuras da política brasileira como Marina Silva, Roseana Sarney, Magno Malta, etc., que não foram capazes de lograr o êxito esperado nesta primeira fase da eleição.

Neste cenário de novos e antigos, temos a expressiva participação de servidores públicos, dos mais variados setores da Administração Pública, disputando uma vaga nas fileiras políticas do país. Eles são, aproximadamente, 3.000 candidatos que têm como principais propostas promover aumentos salariais, exigir a realização de mais concursos públicos e, ainda, a concretizar a participação dos servidores públicos na decisão quanto à alocação de parte do dinheiro público.

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Não é demasiado destacar que a participação do servidor público no cenário político permite, não só a defesa dos interesses da categoria que ele representa, mas também, a possibilidade de idealizar políticas públicas que serão úteis tanto ao serviço público quanto ao restante da sociedade. 

Diversas vezes os servidores públicos apresentam boas ideias para melhorar um trâmite, uma burocracia ou a estrutura do órgão em que eles estão lotados, mas não são ouvidos. Ao ocupar um cargo político, a sua voz pode ecoar com mais força e precisão.

Neste sentido, faz-se necessária a participação crescente do servidor público no cenário político, porquanto possui maior conhecimento empírico e cotidiano dos problemas de cada serviço que é prestado à sociedade brasileira, de modo que poderá ofertar uma contribuição muito maior que aquela atualmente apresentada por parlamentares que nunca foram servidores públicos. 

Contudo, não há que se sustentar que somente deveríamos ter representantes do serviço público nas cadeiras legislativas, pois, daquela forma, teríamos uma gestão e uma legislação totalmente voltada para o funcionalismo público.

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A política adequada exige equilíbrio. Por isso, é aconselhável que as Casas Legislativas sejam ocupadas tanto por integrantes do setor público quanto do setor privado, permitindo a harmonia necessária para a produção legislativa capaz de assegurar todos os direitos, interesses e liberdades de todos os indivíduos. 

Portanto, é preciso que tanto os membros do setor privado levantem de suas cadeiras nos escritórios e nas empresas – e têm feito com mais frequência – quanto os servidores públicos – que ainda o fazem com menor regularidade – para se candidatarem aos cargos políticos de nosso país.

* Antonio Carlos Barragan é advogado, contador, gestor público, professor de Gestão Pública, Direito e Contabilidade, Presidente do Centro de Estudos Políticos do Brasil, mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento e pós-graduado em Direito Público.

 





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