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O papel da educação corporativa no Governo 4.0

O papel da educação corporativa no Governo 4.0

Leonardo Mazzurana diz que a educação corporativa nas Instituições precisa assumir papel estruturante para viabilizar um governo 4.0

Leonardo Mazzurana: "O Governo 4.0 é aquele
que busca nas tecnologias da quarta revolução
caminhos para aprimorar seus serviços"

 

* Leonardo Mazzurana

A educação corporativa nas Instituições precisa assumir papel estruturante para viabilizar um governo 4.0. Para abordar esse tema, trarei alguns dos principais termos e conceitos relacionados a essa discussão. 

Primeiro é preciso compreender melhor que o governo 4.0 está atrelado à quarta revolução industrial. Lembremos que, em linhas muito gerais, a primeira revolução mecanizou a produção com o emprego do vapor. A eletricidade marcou o início da segunda, permitindo a produção em massa. A terceira passou a usar computadores e automatizar a produção por meio da robotização. 

O desafio das Instituições para uma educação corporativa

Você está preparado para se aposentar, servidor?

Hoje vivenciamos a quarta revolução industrial, época do Big Data, em que enorme quantidade de dados, estruturados ou não, está disponibilizada em nuvens (Cloud) para usuários, governos e para as próprias máquinas (machine learning), que aprendem a partir deles, e que se comunicam através da Internet das Coisas (IoT), além de tomarem decisões cada vez mais complexas, por meio da Inteligência Artificial (AI). 

O Governo 4.0 é aquele que busca nessas tecnologias da quarta revolução caminhos para aprimorar seus serviços. Essa jornada pode estar na fase eletrônica (E-GOV) em que a Administração desenvolve sistemas de informação para aprimorar a gestão de processos e serviços que em geral já são prestados, como o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), em uso também no estado do Rio de Janeiro; ou na fase Digital em que as tecnologias são consideradas desde o planejamento da política pública. 

Para um Governo 4.0 passar do E-GOV para o Digital, é preciso enfrentar um desafio: incorporar a tecnologia desde a criação do projeto como elemento de integração entre todos os atores envolvidos, e não apenas como recurso de otimização de tarefas.  

 

 

No E-GOV é comum utilizar a tecnologia para facilitar acessos e aumentar a produtividade, mas a maneira de conceber o que seja prestar um serviço público de qualidade continua focada nos processos, rígidos e compartimentados, centrados nos servidores que os executam, e não no cidadão que precisa deles, digitaliza-se a burocracia com todos seus excessos. 

Por isso no E-GOV ainda é possível a existência de reduzida cooperação interagências, em que, por exemplo, cada instituição lança um aplicativo (APP) não se preocupando em conectá-lo a outros órgãos. O governo Digital pressupõe não utilizar tecnologia de forma acrítica, como um fim em si mesma. 

A passagem do E-GOV para o governo Digital demanda incorporar os benefícios da quarta revolução ao desenho inicial das propostas de políticas públicas, tornando-as digitais desde sua concepção (digital by design). 

A educação corporativa precisa ser disruptiva, romper com a lógica tradicional de pensar a construção de políticas (mindset), e preparar o agente público para um serviço focado no usuário, atribuindo a mesma importância para tecnologias, cooperação institucional e participação social.

* Leonardo Mazzurana é diretor da Escola de Gestão e Políticas Públicas (EGPP) da Fundação Ceperj

 

 







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