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O amor está no ar: conheça histórias de casais que se conheceram no setor público

O amor está no ar: conheça histórias de casais que se conheceram no setor público

Coach de relacionamento explica os cuidados que os casais devem tomar no ambiente de trabalho

Aline Saramago diz que o casal que trabalha
junto, ao iniciar um namoro, deve comunicar
o relacionamento imediatamente à chefia

 

O amor está no ar. Nesta quarta-feira, 12, é comemorado o Dia dos Namorados, aqui, no Brasil. Na semana em que a publicidade está toda voltada para essa data comemorativa e em meio às muitas declarações apaixonadas dos casais, uma temática no ambiente profissional costuma ser abordada: namoro no ambiente de trabalho. Como lidar com essa situação? Afinal, é algo proibido ou permitido pelas empresas?

No serviço público, os cuidados com esse tipo de relacionamento são os mesmos do que na iniciativa privada. A primeira cautela deve ser tomada já no início da relação. 

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“Assim que inicia um relacionamento, o casal deve considerar comunicar o mais rápido possível a situação ao seu chefe, para mostrar consideração e ser transparente na relação profissional. A demora para explicar o fato pode acabar gerando interpretações equivocadas e também fofocas”, alertou a coach de relacionamentos Aline Saramago. 

Além de comunicar logo à chefia, a também psicóloga explica que conhecer a cultura organizacional da instituição é fundamental, “pois, assim, ambos entenderão a essência e a identidade do ambiente de trabalho em que estão inseridos. A partir de então, conseguirão compreender os códigos de ética do órgão, que nem sempre são óbvios, pois, em sua maioria, não estão explícitos. As normas de conduta devem ser seguidas e cabe ao casal ter a noção dos comportamentos que podem ou não ter no ambiente corporativo”.
 
Com a devida comunicação à chefia e com o casal conhecendo os códigos de ética do órgão público, a instituição não pode impedir que duas pessoas se relacionem, já que não é considerado um motivo para demissão por justa causa, segundo Saramago. Logo, o servidor público está protegido juridicamente. 

“Mas se ainda assim o casal for demitido por esse motivo, o caso pode ser levado ao Ministério Público do Trabalho, sendo considerado invasão de intimidade. Porém, se o casal for visto tendo atitudes íntimas, aí sim eles podem ser demitidos por justa causa, sendo chamada de incontinência de conduta”, esclarece a coach. 

Ela reforça que por mais que a liderança e o órgão público aceitem o relacionamento, os envolvidos devem manter a discrição, a fim de não terem episódios constrangedores. 

“É importante se atentar na forma como evoca a pessoa, evitando apelidos íntimos, contato físico, muitas trocas de olhares e também discussão sobre a relação”, enumera. 

Se um relacionamento entre dois concursados com o mesmo “nível hierárquico” em um órgão público já requer alguns cuidados, muito maior deve ser a atenção dada quando o relacionamento é entre chefe e subordinado. 

“Quando o relacionamento é entre chefe e subordinado, torna-se ainda mais complexa a situação, pois muitas vezes há julgamento por parte dos outros profissionais ao descobrirem a relação. Eles acabam pensando que a pessoa envolvida terá benefícios”, avalia. 

Caso isso aconteça, Aline pontua que o chefe pode acabar sendo, por vezes, mais rigoroso para demonstrar o contrário, de que não há preferência. A psicóloga lembra, também, que “há casos em que há abuso ou assédio, envolvendo, por exemplo, ameaça de demissão em caso de término do namoro, o que faz com que muitos órgãos tomem a atitude de transferir um dos envolvidos para outro setor”. 

Relacionamento no trabalho é uma questão de bom senso

 

O serviço público uniu Conrado Barbosa e
Fernanda Moreira, que embora não tenham ainda
filhos, cuidam carinhosamente da gata Mel

 

Conrado Barbosa e Fernanda Moreira se conheceram em 2014. Ambos são servidores da Secretaria Municipal de Administração (SMA) de Niterói. Ela trabalhava no setor de Inativos e Pensionistas, enquanto ele, na parte de Direitos e Vantagens. Atualmente, eles ainda atuam juntos no Departamento Pessoal, porém em setores diferentes. 

“Fomos nos conhecendo ao longo dos anos e desenvolvendo uma amizade. Sempre saíamos juntos com os amigos do trabalho para confraternizações. Entretanto, somente em 2018 começamos a nos relacionar. Tudo aconteceu muito rápido, pois éramos amigos há algum tempo e descobrimos que tínhamos muitas coisas em comum. Naquele mesmo ano nos apaixonamos, decidimos viver juntos e, há um ano e dois meses, nos casar”, relembra Conrado. 

Eles ainda não têm filhos, apenas um animal de estimação: a gata Mel, da raça persa. Fernanda conta que o casal nunca teve problemas com a chefia, já que sempre desempenharam os serviços com ética e profissionalismo. Os colegas de trabalho mais próximos também os apoiaram. 

“Entretanto, o que me incomodou um pouco no início foram as fofocas de pessoas que nem nos conheciam e que trabalhavam em outros departamentos e secretarias”, salienta a servidora, que nunca se relacionou antes no ambiente de trabalho. Já Conrado, sim. 

 

Luciene Capra e Márcio Mattos se
conheceram na Agência Nacional de Saúde (ANS),
mas hoje não trabalham mais no mesmo órgão

 

Já o casal Luciene Capra e Márcio Mattos se conheceu na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em julho de 2006, assim que ela passou em concurso para a autarquia. A servidora relembra que, de imediato, não houve um interesse entre ambos, visto que os dois já eram comprometidos e tinham personalidades bem diferentes.

“O interesse mútuo, que começou com uma amizade, só despertou mais de um ano depois, quando ele passava pelo fim do casamento e toda equipe se aproximou para ajudá-lo naquele momento complicado. Eu tinha terminado um relacionamento pouco saudável há alguns meses e nem pensava em namorar novamente. Costumamos brincar que nosso amor foi sendo construído na medida em que fomos convivendo e nos conhecendo melhor”, enfatiza Luciene. 

Márcio nunca havia se envolvido com alguém no mesmo ambiente de trabalho. Já Luciene está no segundo casamento. Seu primeiro marido também era servidor público. Ambos eram militares e serviam no mesmo local. Nesse atual relacionamento, Márcio pondera que o casal nunca teve problemas em relação aos colegas ou chefia. pois O que conta, segundo ele, é postura pessoal e profissional. 

 

 

“Só muitos colegas é que ficaram surpresos quando descobriram que estávamos nos relacionando por sermos tão diferentes. Ele é mais ‘caladão’, enquanto sou muito extrovertida; ele é mais sério e eu mais brincalhona. Mas acho que a gente se completa. Somos bons parceiros e nosso amor é gentil, cuidadoso e harmonioso”, completa Luciene. 

Entre os principais desafios de um relacionamento no mesmo ambiente de trabalho, Mattos considera o fato de o casal conviver o dia inteiro, no trabalho e depois em casa. “É preciso se policiar para que as divergências profissionais não afetem a vida pessoal e vice-versa”, observa. 

Hoje em dia, o casal não trabalha mais no mesmo órgão público. Ela continua na agência reguladora, mas ele passou no concurso da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev). Eles moram juntos com a enteada de Luciene, Mariana, de 20 anos. 

A coach de relacionamentos Aline Saramago ratificou a dica dada por Márcio. “É recomendado que o casal mantenha sua vida pessoal o máximo possível fora do escritório, que saiba separar bem o que é público do que é privado, que não deve ser compartilhado com os demais colegas, para que os trabalhos de todos não sejam afetados. Além disso, é importante que mantenham o foco no que é importante naquele momento, pois enquanto estão na empresa o que importa é o trabalho em si”.

Em dezembro de 2013, a oficial de justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) Roberta Bacellar contou com a ajuda de uma amiga para conhecer seu marido, o também oficial de justiça do TJ-RJ Marcus Vinícius Magalhães. 

“Essa amiga, também oficial, fez as vezes de ‘cupido’. Ela trabalhava com o Marcus e era minha amiga. Nós estávamos solteiros e ela fez a propaganda de um para o outro. Marcamos um encontro e foi aí que tudo começou”, recorda. 

Os dois, que trabalham em comarcas diferentes, dizem que o relacionamento sempre foi bem-aceito pelas respectivas chefias e pelos colegas de profissão. E que conseguem “tirar de letra” o fato de trabalharem no mesmo órgão. “É preciso respeitar a forma do outro trabalhar e também o seu espaço”, pontua Marcus. 

Ele nunca teve um compromisso fixo com alguém no mesmo ambiente de trabalho, ao contrário de Roberta, que não teve uma boa experiência anteriormente. Os dois moram juntos há quatro anos com uma filha deles, mais o enteado de Roberta. 

Para os casais de servidores que estão iniciando um relacionamento, Luciene e Márcio orientam que, profissionalmente, um deve admirar e torcer pelo outro. 

“Além disso, mantenham uma postura reservada, sem atitudes inadequadas dentro do ambiente de trabalho e sejam felizes. Se a ‘overdose’ de convivência é um problema, como sugestão de contorno sugerimos que vocês mantenham alguns compromissos individuais, como malhação, manicure etc, em horários diferentes. Sentir saudade é saudável! E amem muito, pois é disso que o mundo precisa!”. conclui.

Giulliana Barbosa

[email protected]

 


 



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