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Modelos de liderança aplicados à gestão pública

Modelos de liderança aplicados à gestão pública

Para Alexandre Baêta, a postura do líder, para ser eficaz, deve obrigatoriamente considerar o contexto de atuação e maturidade dos liderados

Alexandre Baêta: "os líderes têm papel
preponderante nos resultados das organizações"

 

* Alexandre Baêta

Todas as organizações públicas contemporâneas têm sua atuação pautada pelo uso massivo da tecnologia, pela comunicação e pelo conhecimento. Nesse ambiente extremamente complexo, onde os resultados são alcançados necessariamente através das pessoas, a aplicação de técnicas modernas de liderança surge como mecanismo para aperfeiçoamento dos resultados e modificação positiva do ambiente de trabalho.

A liderança poder ser definida como a capacidade de influenciar positivamente as pessoas para que os objetivos sejam alcançados. Assim, os líderes têm papel preponderante nos resultados das organizações, uma vez que a liderança representa um fator crítico de sucesso.

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O fenômeno da liderança é, há muito, estudado pelas ciências da Administração. Inicialmente, acreditava-se que os grandes líderes possuíam traços específicos em sua personalidade, e que todas as pessoas que apresentassem esses traços eram líderes em potencial. 

As teorias organizacionais evoluíram e a liderança passou a ser vista como um conjunto de ações que se dividiam em três estilos: autocrático, de líderes autorreferentes e voltados para as tarefas; democrático, com líderes consultivos e mais ligados ao relacionamento; e líderes liberais, que davam ampla liberdade de ação aos seus liderados.

Na atualidade, a complexidade das relações sociais e organizacionais têm demandado modelos de liderança mais abrangentes, situacionais e contingenciais. Não há mais um modelo ou estilo de líder considerado melhor. A postura do líder, para ser eficaz, deve obrigatoriamente considerar o contexto de atuação e maturidade dos liderados.

A administração pública brasileira representa um enorme desafio para aplicação de um modelo eficaz de liderança por dois motivos básicos: primeiro por ser fundamentada no princípio da legalidade estrita, onde a atuação estatal depende exclusivamente de lei que a autorize.

Em segundo lugar, pela dificuldade de alguns servidores compreenderem que estabilidade não é uma forma de proteção e sim atributo constitucional indispensável para que a atuação do estado brasileiro se dê de forma imparcial e independente da vontade, ou má vontade, política.

 

 

Esse desafio torna-se ainda mais evidente quando alguns números são analisados. Em uma pesquisa recente, feita pela Fundação Getúlio Vargas, com líderes de instituições públicas e privadas, cerca de 54% dos entrevistados acreditava que a “Pressão” é a técnica mais eficaz para se conseguir resultados positivos. 

Nessa pesquisa, 40% das posições de liderança estavam ocupadas por pessoas entre 41 a 50 anos. Essas informações são importantes, pois demonstram que o despreparo do gestor e sua obsolescência de pensamentos não advém de conflitos de gerações passadas nem tampouco está ligada a fatores etários. 

Trata-se, na verdade, de uma falta de capacitação das chefias para lidar com as aspirações das pessoas e para conduzir seus liderados conforme as melhores técnicas atuais.

Em tempos de amplo acesso à informação e de liberdade de expressão, a coerção dever ser substituída pela racionalidade. A rigidez deve dar lugar à inspiração e a legitimidade não pode ser apenas fundamentada no poder do cargo. 

A resposta para os desafios ligados à liderança da Administração Pública está na construção de ambientes favoráveis ao aprendizado contínuo, ao treinamento e ao desenvolvimento de habilidades de liderança. 

As posições de chefia são estabelecidas por lei. A liderança, contudo, nasce da capacidade de adaptação, comunicação e interpretação. Essas três competências podem ser trabalhadas e desenvolvidas. 

Com o desenvolvimento dos perfis adequados de liderança, devidamente adaptados ao seu contexto e às pessoas, as entidades públicas poderão alcançar a excelência na gestão e na prestação.

* Alexandre Baêta é pós graduado em Administração Pública, em Direito Administrativo e é servidor na Agência Nacional de Saúde (ANS)

 

 







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