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Geração Y já chegou ao serviço público

Geração Y já chegou ao serviço público

Para gestora e psicóloga, nova geração, também chamada de millennials , tem muito a contribuir com a Administração Pública

O concurso público é o meio mais democrático de ingresso na carreira pública. Por meio da meritocracia, pessoas de diferentes classes sociais, raças, religiões e idades têm a possibilidade de trabalhar em na Administração Pública. 

E, nos últimos anos, uma nova geração de servidores tem ingressado no serviço público: trata-se da tão falada Geração Y (ou Millennials), que são as pessoas nascidas entre o início da década de 80 e o fim dos anos 90. 

Seja focado e torne-se um servidor diferenciado!

Flexibilização da estabilidade gera polêmica

De acordo com a psicóloga Suzy Dantas, embora esses jovens não apresentem características 100% iguais, podem ser observadas, algumas tendências dessa geração. 

“Percebe-se claramente características como informalidade nas relações interpessoais; facilidade em estabelecer relações colaborativas em rede, principalmente pela internet; expectativa de crescimento profissional rápido; comunicação ágil, versátil e informal; busca de espaço para atuar com mais autonomia; e adaptação ao trabalho remoto.” 

 

A servidora Giselle Gobbi, que tem ampla atuação como gestora pública em todas as esferas governamentais, acrescenta mais particularidades dessa geração. 

“Esses jovens valorizam o meio ambiente, o desenvolvimento sustentável, a ética e as relações humanas. São criativos, menos consumistas e possuem a vontade de mudar o mundo. Só se envolvem com o que gostam e que possam lhes trazer satisfação pessoal. Trabalhar tem mais a ver com realização pessoal do que com cumprir uma etapa indispensável de estar no mundo adulto.”

Os representantes da Geração Y nasceram ou convivem há muito tempo com computador, laptop, telefone celular, tablets e smartphones. Ou seja, já vêm com tecnologia “linkada” no seu DNA e pertencem ao grupo de indivíduos “multitarefas”, segundo Giselle Gobbi. 

“A quantidade de informações e possibilidades que fazem parte do seu dia a dia amplia a visão de mundo deles e, consequentemente, a forma de atuar nele”, pontua Gobbi, que atualmente é assessora parlamentar. 

Suzy Dantas diz que há certos desafios a serem
vencidos no serviço público para a Geração Y

 

Quanto à procura por uma carreira no serviço público, Suzy Dantas ressalta que os fatores que impactam a escolha profissional não estão restritos à geração a que a pessoa pertence. 

Ela também explica que, aos jovens da Geração Y que almejam uma vaga no serviço público ou que já ingressaram, há certos “desafios” rotineiros a serem vencidos por eles.

“Eles poderão encontrar dificuldades de adaptação em contextos de trabalhos mais hierarquizadas, que exijam uma comunicação formal, com poucas possibilidades de troca de ideias. Essa geração também precisará se adaptar aos diferentes contextos profissionais e a trabalhar com equipes com perfis diferentes aos seus. Com isso, há necessidade de um ‘amadurecimento profissional’.” 

Outra característica de grande parte das pessoas que nasceram na Geração Y é não ter o anseio de permanecer por muito tempo em determinado órgão público, ou seja, de construir carreira e sair do local somente no período de aposentadoria. 

Mas será que essas rupturas dos vínculos empregatícios podem acabar dificultando o pleno funcionamento das instituições públicas, acarretando em uma possível perda da memória técnica? Giselle Gobbi responde: 

“Normalmente, quando essas saídas ocorrem, não são em massa. E, particularmente, não acredito que a memória possa ser perdida, a menos que estejamos falando de um ambiente de trabalho centralizado, sem processos definidos e pouco transparente, infelizmente, características ainda muito presentes na Administração Pública. Nesse caso, não há memória institucional e não tem continuidade de equipe que dê conta”, avalia.  


Millennials podem contribuir bastante com a Administração Pública

Na análise de Suzy Dantas, os órgãos públicos precisam dessa nova geração. “A competência ‘ser digital’ passou a ser uma condição indispensável para todos os setores, e a Geração Y (millennials) atende a essa exigência. 

Os setores públicos possuem desafios crescentes, que requerem também buscar inovação e adotar indicadores de performance competitivos. Para isso, precisam de perfis dinâmicos, questionadores e ousados para gerar mudanças e repensar seus modelos estratégicos”, enfatiza. 

Aos gestores públicos, para Suzy Dantas, cabe um olhar mais atento para as necessidades inerentes dos representantes dessa geração.

 

“Essas pessoas sentem-se mais atraídas por desafios e pela possibilidade de inovação. Portanto, a rotina de trabalho e a falta de abertura para criar podem gerar conflitos e desmotivação dessa geração. Além disso, esses jovens têm expectativas de rápida ascensão, mas nem sempre encontram essa possibilidade nos ambientes profissionais. Perceber claramente a sua trilha de crescimento profissional é um fator de motivação”, indica a psicóloga. 

Para Giselle Gobbi, o grande desafio para os gestores, geralmente da Geração X (anterior à Geração Y), é entender que a comunicação hoje é horizontal. Aquele modelo de gestão do chefe que dá ordem e todos cumprem já era. 

"A Geração Y não aceita esse tipo de conduta. A relação de respeito é uma via de duas mãos e todos merecem ser respeitados, independentemente da hierarquia do cargo ou das funções”, salienta Giselle Gobbi.

Giselle Gobbi destaca que outro ponto importante é conciliar a existência de pessoas das gerações X e Y, em suas multiplicidades de características, convivendo no ambiente de trabalho. 

“A Geração X não tem o mesmo desenvolvimento tecnológico da Geração Y. Essa combinação de gerações, quando bem aproveitada, pode ser muito benéfica para o serviço público e para as pessoas envolvidas no trabalho. E, como consequência, teremos melhorias para aquele que paga o nosso salário: a população, categoria da qual nós servidores também fazemos parte.” 

Giselle Gobbi afirma que combinação de gerações
pode ser muito benéfica ao serviço público

 

De acordo com a servidora e gestora pública, os impactos que a Geração Y pode trazer para o serviço público são muito positivos.

“É uma geração cujas características podem contribuir para as mudanças que o serviço público precisa ter, de maneira a realmente atingir seu objetivo de ‘satisfazer necessidades coletivas’ e não os interesses privados, de grupos ou partidos políticos. A Administração Pública precisa ficar livre das práticas e das marcas de um tempo em que havia lacaios e aristocracia. A Geração Y pode ser uma importante aliada nessa mudança”, conclui.  

‘É inevitável aplicar ideias mais modernas no meu dia a dia’

Para Bárbara Carvalho, jovens buscam
novidades, desafios e dinamicidade 

 

Bárbara Carvalho faz parte da Geração Y. Com 26 anos, em julho de 2016 ela ingressou no serviço público, na Subsecretaria de Serviços Compartilhados da Prefeitura do Rio de Janeiro. 

Após um ano e meio atuando na Coordenadoria Técnica de Análise e Pagamento da pasta, em janeiro deste ano ela foi cedida para a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), onde trabalha como coordenadora de processos.  

A concursada revela que, a princípio, ser servidora pública não era um sonho. “Na verdade, foi o caminho mais rápido que encontrei para obter a independência e estabilidade financeira”. 

Ela conta que, tanto na Subsecretaria de Serviços Compartilhados quanto na Comlurb, a faixa etária dos profissionais é de a partir de 40 anos, ou seja, quase todos da geração X. 

E especificamente na companhia, seu atual local de trabalho, Bárbara Carvalho observa que, por ser uma empresa pública, de muitos anos, existe um espaçamento muito grande entre as gerações, o que pode vir a gerar uma dificuldade de interação.

“Mas, em contrapartida, é uma maneira de trazer aprendizados. A adaptação à tecnologia ocorre de maneira mais gradativa. Para mim, é inevitável aplicar ideias e conceitos mais modernos e atuais no meu dia a dia, pois vivemos em uma época de constantes mudanças, e acho importante a inserção de um modelo de gestão mais jovem."

Para a servidora, os jovens têm uma mentalidade diferente das pessoas de mais idade, pois buscam novidades, desafios e dinamicidade, e muitas vezes a rotina em um ambiente de trabalho não os proporciona isso. “Busco meu crescimento profissional e pessoal, além da questão financeira, para que eu possa atingir futuros objetivos”, sublinha.

Giulliana Barbosa

[email protected]

 





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