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Farinha pouca, meu pirão primeiro

Farinha pouca, meu pirão primeiro

Professor Antonio Carlos Barragan fala sobre o atraso no salário dos servidores públicos

Barragan: “Um líder deve primeiro prover os seus
subordinados para depois prover as suas próprias necessidades”

Por Antonio Carlos Barragan
    
Quem não conhece o ditado popular "farinha pouca, meu pirão primeiro"? A expressão tem por interpretação uma manifestação de egoísmo, ou algo que está inserto tanto na cultura quanto na história, em que se percebe, nos mais das vezes, um forte traço de individualismo. 

Em um grupo, tendo o suficiente para apenas um, somente esse é beneficiado, ao invés de partilhar com os demais ou suprir os menos favorecidos em primeiro lugar. Pelo que vimos nos últimos anos em diversos estados do Brasil, o ditado popular parece ter encontrado amparo com razoável ênfase.

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Diversos governos estaduais e municipais têm deixado de honrar com o pagamento da remuneração de seus servidores públicos, como foi o caso do Estado do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, entre outros. 

Os servidores públicos dos estados inadimplentes acabam por ter que contrair empréstimos e pagar as suas contas em atraso, acrescidas de juros e atualização monetária, em decorrência da falta de compromisso e competência na gestão pública por parte de alguns governantes.

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Recentemente, o episódio ocorreu no Estado do Rio Grande do Norte, em que os respectivos servidores públicos - até o presente momento em que este artigo é escrito - não receberão o salário do mês de dezembro nem o 13º salário no presente ano, ou seja, somente há previsão de pagamento daqueles valores em 2019. 

Além de afetar drasticamente a vida financeira daqueles servidores públicos no final de ano, o que pode se repetir em outros estados da federação, ainda afeta o comércio, produzindo um efeito cascata negativo sobre a economia local.

 

No caso do Estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, há previsão de que o atraso no pagamento daqueles valores devidos aos servidores públicos possa acarretar na ausência de circulação de R$1 bilhão da economia daquele estado neste final de ano. 

O resultado será frustrante para os setores de comércio e serviço, que já preveem um período natalino de retração no consumo naquela região. 

Além de não pagar o salário de dezembro e o 13º salário de 2018 neste ano, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte ainda não terminou o pagamento do 13º salário de 2017 para os servidores públicos que ganham acima de R$5 mil, bem como não irá pagar o salário de novembro de 2018 para os servidores que ganham acima daquele valor.

A situação revela a eficácia negativa de um ato do governo sobre a sociedade por ele administrada, que tem origem na própria má gestão de pessoas e das finanças públicas. O curioso é que, em boa parte daquelas situações, o governante recebe a sua remuneração antes de seus servidores públicos, o que demonstra falta de liderança. 

 

Um líder deve primeiro prover os seus subordinados para depois prover as suas próprias necessidades. Neste sentido, a lógica da liderança exige que o governante somente receba a sua remuneração depois que os seus servidores públicos tenham recebido as deles. 
Contudo, infelizmente, a cultura enraizada na maioria das casas governistas deste país está fundada na ideia da "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Antonio Carlos Barragan é advogado, contador, gestor público, professor de Gestão Pública, Direito e Contabilidade, Presidente do Centro de Estudos Políticos do Brasil, mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento e pós-graduado em Direito Público.

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