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Empregabilidade na carreira pública

Empregabilidade na carreira pública

Para Alexandre Baêta, os servidores de carreira precisam adaptar-se a uma nova realidade social, de muita cobrança e poucos investimentos

Professor Alexandre Baêta

 

* Alexandre Baêta

A empregabilidade mensura a capacidade de se conseguir um emprego e de se manter empregado, considerando a capacitação profissional de cada trabalhador. 

Nos primórdios da administração pública, tempos em que estabilidade era uma prebenda, tida como condição inalterável, a empregabilidade era um conceito vago ou inaplicável. Mas a situação mudou e, nos últimos anos, os servidores públicos têm, cada vez mais, a necessidade de considerar tal conceito em seu planejamento de carreira.

Vivemos tempos de pós globalização. A inexistência de barreiras geográficas e as mudanças tecnológicas constantes afetam os princípios tradicionais dos mercados, de consumo e das estruturas de pensamento. 

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A competitividade dos mercados privados e o acesso quase irrestrito à informação transformam os cidadãos em consumidores ávidos por qualidade e agilidade. Surge, assim, a necessidade de dar respostas rápidas e eficazes aos anseios sociais através da atuação dos agentes públicos.

O aumento da pressão social e a necessidade premente de ajustes fiscais fizeram que administração pública brasileira adotasse o paradigma gerencial de gestão, onde modelos de produtividade próprios da iniciativa privada são devidamente adaptados às exigências da legislação pública. Esse novo modelo busca a efetividade dos resultados sociais, a transparência e a prestação de contas à sociedade.

Apresar das mudanças promovidas, pesquisas de satisfação elaboradas por empresas independentes apontam que a percepção da qualidade dos serviços públicos pelos cidadãos ainda é muito baixa. E a avaliação de gastos, feitas pelos órgãos de controle informam que os custos para operação dos ativos públicos são, em média, superiores àqueles percebidos pela administração privada, em circunstâncias semelhantes. 

Esses resultados negativos, associados a uma atuação perversa de certos agentes políticos que promovem propagandas negativamente tendenciosas, fazem com que uma parte considerável da sociedade seja favorável à privatização de serviços públicos. 

Ainda que as instituições públicas, em sua grande maioria, estejam operando com um número de servidores inferior ao mínimo necessário, não é raro encontrar políticos que dizem ser necessária a redução dos quadros de servidores. 

 

 

Ainda que saibamos, com clareza solar, que grande o vilão do orçamento público é a incapacidade gerencial do agente político, os servidores de carreira precisam adaptar-se a uma nova realidade social, de muita cobrança e poucos investimentos.

Diante de tal cenário, a profissionalização e a atualização constante dos conhecimentos são ferramentas para construir novas possibilidades. Apropriar-se das técnicas mais atuais para o desempenho de suas atribuições é muito mais que um cumprimento ao manual de ética pública, é uma forma de explorar suas capacidades profissionais e de construir novos caminhos dentro de uma perspectiva mais ampla de carreira.

O uso das tecnologias de vanguarda pode ajudar a preencher as lacunas de qualidade e efetividade percebidas pelos cidadãos e, acima de tudo, podem elevar a percepção do valor do servidor para a chefia imediata, para outros potenciais empregadores e para a sociedade, de maneira geral.
 
É impossível pactuar com a uma corrente filosófica na qual se crê que a mera digitalização de serviços poderá substituir toda e qualquer categoria de servidores públicos. Más é ainda mais difícil deixar de perceber que vivemos novos tempos, de oportunidades cada vez mais escassas. 

O domínio das melhores técnicas e tecnologias são elementos em evidência e o serão ainda mais, no futuro. A instituição do banco de talentos do governo federal é uma iniciativa que, embora ainda muito tímida, dá sinais de como a capacitação será essencial nesses novos tempos que se anunciam.

O conceito de estabilidade está se transformando. Temos que transformar também a nossa percepção de carreira, entender a importância de redes de relacionamentos, os chamados “networks”. 

E precisamos, acima de tudo, de informação, para que possamos estar sempre um passo à frente do futuro, não nos deixando ser surpreendidos pelas mudanças e nos deixar presos às velhas formas de pensar do passado.

* Alexandre Baêta é pós graduado em Administração Pública, em Direito Administrativo e é servidor na Agência Nacional de Saúde (ANS)

 

 







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