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Em tempos modernos, servidor deve reinventar-se profissionalmente

Em tempos modernos, servidor deve reinventar-se profissionalmente

Conheça 10 competências necessárias pelos trabalhadores da chamada 4ª Revolução Industrial, segundo o Fórum Econômico Mundial

Priscila Monzato: “Quem não se 
desenvolver corre o risco de se tornar
um profissional irrelevante”


Não é novidade para os servidores públicos que eles precisam se aperfeiçoar constantemente. E o surgimento de novas tecnologias a todo o momento é mais um motivo para os concursados se reinventarem profissionalmente. 

No início deste ano, o Fórum Econômico Mundial (FEM) publicou um extenso relatório sobre o futuro dos trabalhos e as competências necessárias pelos trabalhadores da chamada 4ª Revolução Industrial. Esse termo refere-se a uma quarta fase atingida pela industrialização, a qual estamos vivendo hoje. Desse trabalho, surgiram dez competências. A previsão é que, nos próximos cinco anos, 35% das habilidades demandadas para a maioria dos trabalhados mude.

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“Se no passado existiam algumas competências comportamentais e técnicas, hoje em dia a tecnologia e o conhecimento estão aí, existe a Internet... Então mudou o contexto, a situação. E, por conta disso, mudaram as competências também”, explicou o coach e especialista em Economia e Administração Financeira, Alexandre Prado. 

As dez novas competências apresentadas no relatório, segundo Alexandre Prado, são: resolução de problemas complexos; pensamento crítico; criatividade; gestão de pessoas; coordenação; inteligência emocional; capacidade de julgamento e tomada de decisões; orientação para servir; negociação e flexibilidade cognitiva (entenda melhor cada uma delas e como aplicá-las no cotidiano do servidor no quadro abaixo).

Trazendo essas competências para o serviço público, a coach de Carreira e Liderança Priscila Monzato, que também é servidora pública há 15 anos, acredita que a tendência é que cada vez mais fiquem de lado o excesso de burocracia e a hierarquia que ainda existe no serviço público. “São coisas que  não atendem aos anseios da atual sociedade”. 

 

 

A 4ª Revolução Industrial já não é uma escolha, de acordo com a coach. Segundo ela, o mundo está vivendo uma disrupção nas relações de trabalho, de consumo, de mobilidade urbana, de vida. “E como não existe inovação sem falar de pessoas, o jeito é aderir aos processos de transformação sem encarar como ameaça, mas como oportunidade de revolucionar o serviço público para prestar um atendimento com qualidade”.

Das dez competências, para Priscila as mais importantes são as seguintes: criatividade, para buscar alternativas de adequação a essas mudanças dentro do cenário público, que ainda é engessado; orientação para servir, que é o principal propósito do servidor público; e gestão de pessoas. 

“Em relação a essa última, eu diria que seria gestão com pessoas porque, se não as envolvermos, teremos ínfimos resultados. Afinal, o principal ativo de qualquer instituição são as pessoas”. 

E, para Priscila, o estímulo para o desenvolvimento ou aprimoramento dessas competências não deve ser uma iniciativa somente dos servidores, mas partir também das diretorias dos órgãos públicos. 

“É essencial que a cultura organizacional permita o espaço para as pessoas colocarem em prática suas competências e talentos, que haja estímulo para uma mudança de comportamento e possibilidade de criar, sem medo, entendendo que o erro faz parte do processo de transformação”.

É verdade, também, que, para ingressar em um cargo público, não é obrigatório ter nenhuma dessas competências – basta ser aprovado nas etapas do concurso e ter os requisitos acadêmicos e profissionais que as carreiras exigem. Todavia, a coach de Carreira e Liderança chamou a atenção para as consequências de os servidores não irem atrás dessas competências.

“A maior possibilidade é de ser subutilizado e, consequentemente, ficar desmotivado. Nunca se falou tanto em propósito e, com a 4ª Revolução Industrial, surge cada vez mais forte a concepção da Gestão de Pessoas 4.0, que é uma gestão com propósito. Quem não se desenvolver corre o risco de se tornar um profissional irrelevante, que não vai experimentar a plenitude de uma vida com propósito nem construir um legado significativo”, enfatizou. 


Como o servidor pode aplicar as 10 competências no seu dia a dia 

Abaixo, Priscila Monzato explicou com os servidores públicos podem aplicar, em seu dia a dia, no ambiente de trabalho, as dez competências listadas pelo FEM:

»» Resolução de problemas complexos - Para desenvolver essa competência, é preciso estimular as múltiplas inteligências, variando as formas de aprender e aceitar que, no dia a dia, teremos situações complexas e não precisamos ser os detentores da solução. Podemos - e devemos - compartilhar e somar com o conhecimento e percepção de outras pessoas;

»» Pensamento crítico - É importante trabalhar o aspecto da racionalidade e da lógica, além de buscar conhecimento aprofundado diante de tantas informações superficiais que recebemos. Isso, na prática, significa gerar conexões relevantes, aprofundar análises de cenários e promover questionamentos sobre as situações que se apresentam;

»» Criatividade - Para termos essa competência, precisamos aprender coisas novas e formas diferentes de fazer os mesmos processos, além de se permitir desfrutar do ócio criativo, que é aquela pausa para o cérebro divagar sem pressão. No dia a dia, isso se traduz em capacidade de criar várias possibilidades, resolver problemas de um modo inovador e inspirar a equipe com novas ideias;

»» Gestão de pessoas - É a competência que vai facilitar todo o processo de adequação à 4ª Revolução Industrial, pois vai trabalhar com a sensibilização e o envolvimento das pessoas. Também vai promover a capacitação, apoiando as lideranças a disseminar uma nova cultura no ambiente público e a canalizar os efeitos dessa mudança para uma entrega significativa para a sociedade;

»» Coordenando com os outros - Podemos traduzir por gestão horizontal, que substitui o modelo ‘top down’, que ainda se vê bem demarcado no serviço público. Trata-se de corresponsabilizar a todos pelas decisões, pois são, de fato, formadas pelo coletivo e não mais se espera resposta pronta do gestor, o que gera pertencimento de todos. Para isso, o servidor precisa saber ouvir o outro e desenvolver o espírito colaborativo;

»» Inteligência Emocional - É a clareza, a consciência sobre as próprias emoções para lidar com elas de forma equilibrada. Diante dessas mudanças, é natural que o servidor passe por instabilidade, dificuldade de adaptação ou até mesmo resistência. Portanto, se destaca aquele que souber gerir melhor essas emoções;

»» Capacidade de julgamento e tomada de decisões - O melhor caminho para aprimorar essa competência é o autoconhecimento sobre nossa habilidade de julgamento em processos de tomada de decisão pois, no dia a dia, é inevitável que essas decisões não sejam influenciadas pelas nossas crenças, cultura e valores. Por isso, entender o nosso perfil e em quais aspectos nos baseamos é fundamental;

»» Orientação para servir - Como premissa, é preciso desenvolver a empatia e o senso de cooperação. O servidor público tem o dever de focar nas necessidades do usuário e, por isso, urge a necessidade de entender e se adaptar aos anseios da sociedade;

»» Negociação - É a arte de alinhar interesses, de buscar acordo mútuo satisfatório e, diante dessas influências digitais, o servidor deve buscar meios que impactem positivamente a ele mesmo, a instituição onde trabalha e a sociedade;

»» Flexibilidade Cognitiva - Diante deste mundo ‘V.I.C.A.’ (volátil, incerto, complexo e ambíguo) – V.U.C.A (em inglês) que estamos vivendo, já não é mais possível buscar soluções prontas e respostas padronizadas. É preciso ter a disposição em aprender constantemente, ser flexível para se adaptar às mudanças e estar aberto a novas e diferentes ideias.

Giulliana Barbosa
[email protected]

 







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