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Educação pública de excelência tem contribuição dos servidores

Educação pública de excelência tem contribuição dos servidores

Baêta diz que professores e funcionários da escola Friedenreich dão exemplo de cidadania, oferecendo serviços que acolhem pais e alunos

Alexandre Baêta: "A educação deve ser promovida e
incentivada através da colaboração de toda a sociedade"

 

* Alexandre Baêta

A educação é um direito de todos. Fundamento constitucional básico e essencial, dever do Estado e também da família, a educação deve ser promovida e incentivada através da colaboração de toda a sociedade. 

Contudo, esses princípios não se consubstanciam na prática, pois o que se observa é um completo abandono das instituições públicas de ensino, afetadas pela negligência governamental epelo desinteresse da sociedade, notadamente pela a classe média, uma das camadas sociais que mais sofre com aumentos abusivos da educação particular. 

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Apesar de tudo isso, surge uma brisa de esperança, manifesta pela insurgência de algumas instituições públicas de ensino, conduzidas por servidores apaixonados por suas carreiras, que lutam pela igualdade de acesso à educação de qualidade e que teimam em contrariar as estatísticas desfavoráveis.

O poder do capital, associado a ações políticas ineficazes, configura instrumento catalizador de um grande mercado privado de educação, fundamentando uma lógica social perversa e excludente, onde só os mais abastados podem acessar conteúdos pedagógicos de qualidade. 

Um estudo recente, feito por especialistas em avaliação educacional da Universidade de São Paulo (USP), analisou as notas de mais de 1.200.000 estudantes do terceiro ano do ensino médio que participaram do Enem, em 2015. 

O estudo, que incluiu quase 15 mil escolas de todo Brasil, apontou que entre as cem escolas com as maiores notas no Enem, apenas três eram da rede pública de ensino (todas da rede federal). E que, nove em cada dez escolas públicas ficaram abaixo da média nacional. Esses números, e diversos outros, evidenciam a diferença abissal existente entre o ensino público e o particular.

Em meio ao caos da educação pública, é imprescindível ressaltar as instituições de ensino que que se destacam e que conseguem resultados extremamente positivos, através da dedicação e qualificação de seus servidores,juntamentecom a participação da sociedade. 

 

 

Talvez o melhor exemplo dessa luta em prol do ensino público de qualidade seja o da Escola Municipal Friedenreich, situada dentro do complexo do Maracanã, no bairro que dá nome ao estádio, na cidade do Rio de Janeiro.

Posta em risco pelo próprio poder público, a escola quase foi demolida, em 2013, pelo então governo. A ideia era que o espaço fosse substituído por um estacionamento e que servisse de apoio aos megaeventos esportivos realizados na cidade do Rio de Janeiro, Copa do Mundo e Olimpíadas. A comoção popular e a resistência heroica dos professores da rede pública impediram que o projeto fosse à frente. 

A escola permaneceu de pé e, em 2017, o Friedenreich registrou simplesmente o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), dentre todas as escolas públicas da cidade do Rio. Com nota de 8,3 para os anos iniciais do ensino fundamental, a escola obteve o melhor desempenho naquele que é considerado o principal indicador da qualidade da educação básica no Brasil, segundo o Ministério da Educação (MEC).

Além de uma educação de qualidade, os professores e demais funcionários da escola Friedenreich dão um verdadeiro exemplo de cidadania, oferecendo uma prestação de serviços que acolhe pais e alunos, visando ao desenvolvimento acadêmico, social e familiar. Junto com a promoção do conhecimento, a escola ajuda a formar cidadãos conscientes e preparados para os desafios do futuro. 

Ainda que números comprovem uma certa superioridade das instituições privadas em detrimento das instituições públicas de ensino, e ainda que os governantes insistam em remunerar insuficientemente os seus profissionais, a educação pública resiste e dá exemplos de que o serviço público também pode ser de qualidade.

* Alexandre Baêta é pós graduado em Administração Pública, em Direito Administrativo e é servidor na Agência Nacional de Saúde (ANS)

 







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