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É hora de alocar talentos

É hora de alocar talentos

Barragan diz que alocar talentos em posições certas trará resultados mais eficientes e ágeis para a máquina pública e a sociedade

Antonio Carlos Barragan diz que a gestão pública
ainda carece de gestores que consigam identificar
talentos e lotá-los em  posições adequadas

 

* Antonio Barragan
    
Quando pequenos, na maioria das vezes fomos submetidos a processos de decisão no qual nossa opinião não tinha poder de voto ou decisão. Nossos pais, pela visão que eles possuíam, determinavam o que entendiam ser o mais correto para nós. Aquela prática se perpetuou por gerações e, ainda hoje, a grande maioria dos genitores age de modo determinante nas escolhas de futuro de seus filhos.

Entretanto, aquele famigerado método de seleção do que se julga melhor para o outro tem tolido muitos talentos ao longo da existência humana. A sociedade poderia otimizar muito mais os seus resultados se permitisse que as pessoas pudessem desenvolver aquilo que, de fato, consideram o seu talento. 

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Treinar é preciso!

Muitas vezes um pai ou uma mãe, que são atletas de basquete, por exemplo, desejam que seus filhos os sigam no mesmo caminho profissional, julgando ser o melhor para aquela criança. Assim, desde cedo já a colocam para quicar uma bola de basquete em alguma escolinha ou clube. 

Contudo, em nenhum momento perguntaram ao pequeno se ele realmente gostava de praticar aquele esporte. Agindo de modo a escolher pela criança eles podem perder um maravilhoso talento em outras áreas, mas que acaba desperdiçado por a criança ter sido “obrigada” a jogar basquete, esporte no qual talvez não evolua. 

Casos famosos não faltam para a má alocação do talento humano, como por exemplo, os dos filhos de Zico e de Bebeto – dois históricos craques do futebol brasileiro -, que não conseguiram brilhar como os pais pelos gramados do planeta. Os garotos não tinham o mesmo talento daqueles jogadores, mas talvez tivessem talento para outras finalidades.

Em uma empresa ou no serviço público ocorre a mesma coisa. Não é incomum você adentrar ao ambiente de trabalho e perceber que existem pessoas que estão exercendo funções erradas. Nota-se que a moça do setor de contas a pagar tem exímio talento de gerenciamento, mas não ocupa um cargo de gerência, pois aquele cargo é ocupado por alguém que é ótimo com números, mas insuficiente em relações humanas. 

 

 

Nessa toada, o serviço público também segue o ritmo há muito tempo. A alocação de pessoas na gestão pública ainda carece – e muito – de gestores que consigam identificar talentos e os lotar em posições que sejam de maior aproveitamento de suas capacidades técnicas. 

Ao reorganizar um setor ou departamento da Administração Pública, posicionando cada pessoa no exercício de funções que se relacionam com os seus verdadeiros talentos, torna-se mais provável o alcance de resultados mais eficientes e ágeis para a máquina pública e a sociedade. 

Entretanto, há barreiras normativas que não conseguem ser transpostas tão facilmente, de modo a impedir a retirada de alguém de uma função, que não exerce com qualidade, para ocupar outra na qual seria melhor aproveitada para fins de interesse público, pois seria considerado desvio de função.

Neste sentido, o engessamento legal tem impedido que a estrutura estatal de pessoal possa ser melhor utilizada, pelo que se torna urgente a flexibilização da norma para dar maior capacidade de gestão e aproveitamento do capital humano no setor público.

* Antonio Carlos Barragan é gestor público; empreendedor; advogado; contador; professor de Empreendedorismo, Educação Financeira, Direito Tributário e Digital; MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing; Pós-graduado em Direito Público e Mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento.

 

 







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