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Como administrar conflitos entre servidores?

Como administrar conflitos entre servidores?

Gestores públicos destacam caminhos para gerir conflitos que podem surgir no serviço público

Em qualquer ambiente de trabalho, seja no setor público ou privado, há conflitos entre os profissionais. E quando essas situações acontecem, cabe aos gestores um olhar mais atento, a fim de mediar esses embates, já que, muitas vezes, eles acabam interferindo no pleno desempenho das atividades de trabalho. 

De acordo com o diretor da Escola de Governança em Gestão Pública da Universidade Federal Fluminense (EGGP/UFF), Antonio Batist, que também já dirigiu outros órgãos, o desafio de ocupar uma função de gestão público passa, geralmente, por ajudar os servidores a conviver e produzir da melhor maneira. 

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Segundo ele, há inúmeros tipos de conflitos entre servidores, mas os mais comuns são os de relacionamento interpessoal e de enfoque profissional. 

“No que tange ao relacionamento interpessoal, pesam muito as características individuais, com traços como temperamento, personalidade, etc. No enfoque profissional, vêm inveja, ambição em excesso, certas vaidades, rivalidades irracionais, entre outras”, afirma. 

Antonio Batist: "Relações justas e abertas
precisam ser buscadas. Quando necessário,
vem o exercício da autoridade

 

Segundo Batist, embora autônomos, todos esses elementos podem acontecer ao mesmo tempo no serviço público. “Fofocas, comodismo, desavenças políticas e ideológicas, preciosismos burocráticos e afins também povoam áreas do setor público.” 

O diretor da EGPP/UFF disse que, em situações de conflitos, há vários caminhos que o gestor público pode seguir, porém ele explica ser fundamental fazer um diagnóstico da situação, ser profissional e usar ao máximo a inteligência emocional. 

“Em paralelo, a comunicação deve ser estabelecida de forma assertiva. Relações justas e abertas precisam ser buscadas. Quando necessário, vem o exercício da autoridade, que, claro, não pode se confundir com autoritarismo.”

O diretor de Gestão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello, corrobora com o que foi dito por Antonio Batist e ressalta a importância de se buscar ao máximo o diálogo entre os envolvidos. 

“Entendo que é fundamental o gestor mapear riscos no sentido de evitar crises. A melhor forma de evitar esses conflitos é promovendo um ambiente de mais diálogo e transparência. O gestor tem o papel fundamental em manter o ambiente de trabalho ético e favorável.”

Servidores devem ter autocontrole e o profissionalismo

Já no lado dos servidores, Batist avalia que o melhor caminho passa pelo autocontrole e o profissionalismo. 

“Quanto mais o servidor tiver os dois, menos conflito ele semeará e, mesmo quando o empurrarem para um conflito que ele não criou, terá melhores condições de reduzir danos e resolver a situação. Além de prejudicar muito o clima organizacional, esses embates ainda geram outras situações que podem afetar a saúde mental e a qualidade de vida do servidor. É o tipo de fator que, em muitos casos, traz danos profissionais e pessoais por vezes incalculáveis”.  

O diretor da EGGP/UFF também pontua que os conflitos internos, quando irracionais e excessivos, também trazem como prejuízo a redução da produtividade e da qualidade do que se produz. 

“Tanto o quantitativo quanto o qualitativo do trabalho podem ser afetados, e isso vai desde uma concentração adequada na análise de uma planilha até um atendimento agradável ao público. Quanto mais profundo, irracional e persistente o conflito, maior tende a ser o prejuízo por ele gerado. E quem paga? Todos, inclusive quem não tem culpa e quem nem sabe que o conflito existe.” 

Rebello diz que líder deve ser proativo
para promover articulações necessárias, buscando
sinergia entre as unidades e servidores (Agência Senado)

 

Rebello observa que, muitas vezes, os processos ficam prejudicados por questões polêmicas e falta de alinhamento. “Entendo que é papel da liderança ter a proatividade no sentido de promover as articulações necessárias, buscando mais sinergia entre as unidades e servidores”. Outra parte prejudicada, a partir desses conflitos, segundo o diretor da EGGP/UFF, é o cidadão comum, que usufrui dos serviços prestados pelos órgãos públicos. 

“O cidadão contribuinte paga tudo, inclusive o salário do servidor, e certamente não está pagando para alimentar conflitos que por vezes são desprovidos de razoabilidade. Se houvesse essa consciência sobre quem paga e porque paga, qual o motivo do nome ‘servidor’ e o que é gestão de pessoas, muitos conflitos se resolveriam – e tantos outros nem nasceriam”, observa. Nesse tempo enquanto diretor da EGGP, Batist relembra uma situação em que teve de administrar um conflito interno.  

"Havia um conflito que, na verdade, era uma justa insatisfação da equipe, em relação a limitações orçamentárias que a escola vinha enfrentando em função de diversos fatores. Atuei para diagnosticar a situação e desenvolver soluções. Com isso, retomamos o AIC (apoio financeiro para eventos de capacitação), mais que dobramos o total do PQUFF (bolsas de auxílio qualificação) em relação à última edição, realizamos reforma física nas instalações, adquirimos novos equipamentos, etc. E mais: foi colocada no Projeto de Lei Orçamentária para 2019 a previsão de dobrar o orçamento de capacitação da universidade." 

 

Por Giulliana Barbosa
[email protected]

 





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