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Burnout: síndrome põe em risco a saúde dos servidores públicos

Burnout: síndrome põe em risco a saúde dos servidores públicos

Mesmo com estabilidade e relativa segurança no emprego, servidor não está livre desse distúrbio

Mesmo contando com a estabilidade empregatícia e, na maioria das vezes, recebendo remunerações acima da média nacional, nenhum servidor público está imune a episódios de estresse no ambiente de trabalho. 

Se ocorrem eventualmente, não há muito com o que se preocupar. Mas, se os acontecimentos são frequentes e sempre proporcionam grande esgotamento físico e mental, é preciso buscar ajuda.

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Você já ouviu falar na Síndrome de Burnout? De acordo com a psicóloga Lidiane Silva, ela é um distúrbio psíquico caracterizado pelo esgotamento mental e físico por trabalho e pensamentos obsessivos sobre as tarefas a serem desenvolvidas no local de trabalho. 

Lidiane Silva diz que servidores de qualquer área podem desencadear
a Síndrome de Burnout

 

Sintomas são similares ao da depressão

"Essa síndrome está relacionada aos transtornos de humor, sendo, às vezes, mal diagnosticada por confundir os sintomas com os da depressão”, pontuou.

A psicóloga explicou que os sintomas são iguais aos da depressão, o que pode acabar acarretando em um diagnóstico errado. 

“Porém, os fatores desencadeantes são diferentes, já que a Síndrome de Burnout é uma depressão associada ao estresse crônico que se manifesta exclusivamente por motivos como: cobranças excessivas no trabalho; assédio moral; metas a serem desenvolvidas a todo o custo e relações interpessoais sem respeito e bom senso, além de um clima organizacional deficiente e desprovido de motivação para quem oferta seus serviços”, listou. 

Esse distúrbio, associado ao ambiente de trabalho, tem sido diagnosticado frequentemente em servidores públicos. A especialista ressalta que algumas rotinas ou rituais do serviço público colaboram para isso, tais como: falta de incentivo por parte dos gestores; carência de um apoio ou suporte do RH; dependência de decisões que envolvem terceiros ou se esbarram em trâmites políticos; falta de organização de outros setores que deveriam entrelaçar suas demandas de forma favorável; e algumas atividades e situações laborais que envolvam risco de morte.

Lidiane continuou, apontando que servidores públicos estão envolvidos em uma rotina de muitas cobranças, e às vezes trabalham sob condições em que faltam até mesmo material para realizar seu trabalho de maneira qualitativa. 

“Condições desfavoráveis podem contribuir significativamente para um aumento do estresse, o que desencadeia mais ansiedade e também a frustração de não ter seu trabalho valorizado. A dificuldade nas relações interpessoais também pode ajudar a desenvolver essa síndrome, devido à falta de cordialidade e companheirismo”.  
 

Quadro é alarmante, diz especialista

Ela também advertiu que o aumento de atestados de saúde já demonstra o quão alarmante e urgente deve ser a prevenção desse mal. "Já estão disponíveis várias pesquisas científicas e artigos que apontam um aumento crescente da síndrome. E devido à falta da promoção e prevenção da saúde mental, a Organização Mundial da Saúde já preconiza que, até 2020, a depressão estará em primeiro lugar. Essa doença afetará grande parte da população e, dentre esses episódios de depressão, a Síndrome de Burnout estará ainda mais em evidência”.

Servidores públicos de qualquer área podem desencadear a Síndrome de Burnout. “Todo servidor que passa horas do seu dia convivendo com problemas e com um clima organizacional deficiente tende a desenvolver mais problemas de saúde”, sinalizou a psicóloga Lidiane Silva. 

Entretanto, segundo ela, em algumas áreas a incidência é maior. “Trabalhadores que atuam na segurança pública, como policiais militares, além de servidores que prestam serviços na área de saúde, como médicos, residentes, enfermeiros, recepcionistas de hospitais e demais envolvidos estão mais propensos a desenvolverem essa síndrome, devido ao alto grau de estresse vivenciado durante horas de trabalhos intenso.” 

Esse distúrbio pode ser evitado com algumas medidas preventivas por parte dos órgãos públicos. De acordo com Lidiane Silva,as instituições deveriam ofertar aos servidores momentos de relaxamento, descontração ou atividades que podem ser desenvolvidas pelos profissionais do RH e psicólogos. "Além disso, até mesmo outros profissionais podem colaborar com um momento lúdico ou ofertar palestras e momentos que promovam relaxamento e boa harmonia nas instituições”. 

Servidores devem combater estresse

O servidor também deve ficar atento aos sinais e tentar combater o estresse do dia a dia. “Eles precisam procurar fazer atividades físicas; se alimentar de forma adequada e saudável; priorizar momentos de descontração quando estiverem de folga; combater pensamentos negativos e autossabotadores que prejudicam a rotina deles; aprender a não procrastinar e a se automotivarem todos os dias; além de procurar um profissional adequado que vá orientar um tratamento, caso a síndrome já esteja instalada no servidor”, recomendou. 

A especialista concluiu dizendo que algumas pessoas com a Síndrome de Burnout podem melhorar, mas se não mudarem o estilo de vida podem ter recaídas com intensidades mais fortes. "Fazer terapia e usar medicações de forma correta já vai ajudar o servidor a melhorar sua qualidade de vida e a reescrever ou ressignificar sua vivencia no âmbito do trabalho”. 

Você se identificou com algumas das situações narradas pela psicóloga no seu ambiente de trabalho? Então fique atento aos sintomas da Síndrome de Burnout, descritos por ela: 

  • Perda de energia e dificuldade de executar as atividades laborais;
  • Desânimo, tristeza e angústia permanentes. Vontade de chorar durante o dia e sentimento de vazio;
  • Irritabilidade e em alguns casos agressividade, pensamentos acelerados e dificuldade de se concentrar e prestar atenção;
  • Perda de memória recente, pensamentos obsessivos em relação ao trabalho;
  • Não conseguir se desconectar das demandas ou afazeres laborais e medo intenso de não conseguir cumprir as obrigações do trabalho;
  • Insônia ou dificuldade de permanecer dormindo;
  • Apresentar, antes de ir para o trabalho, aumento da ansiedade com somatizações, como dor de cabeça, náuseas, falta de ar e taquicardia;
  • Dificuldade de se relacionar com os colegas de trabalho, o que pode fazer o profissional começar a optar pelo isolamento social.

Giulliana Barbosa
[email protected]



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