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Amizade entre gestor e equipe: quais os limites?

Amizade entre gestor e equipe: quais os limites?

Especialistas em RH comentam o que se deve fazer quando um amigo de trabalho torna-se chefe


 

É fundamental que em qualquer ambiente de trabalho, inclusive no serviço público, exista uma relação de amizade entre todos que compõem determinado setor. No entanto, até onde vão os limites entre o relacionamento entre chefes e comandados? O que fazer quando aquele amigo, que ate então era um servidor ou empregado público igual a você, torna-se o seu gestor?

Para a consultora de Recursos Humanos (RH) Dilza Taranto, não há nada mais certo nesses casos do que o famigerado ditado: Amigos, amigos, negócios à parte.

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“É bom que você tenha amigos no trabalho, pessoas com uma relação saudável, relações positivas, relações de confiança. Isso é bom para o resultado do trabalho. Os amigos verdadeiros vão saber separar o trabalho da amizade, porque as pessoas desempenham papéis diferenciados, e isso precisa ficar bem claro para a equipe, para aquelas pessoas que são mais chegadas. Dentro do órgão ou empresa pública existem papéis a serem desempenhados,. O papel do gestor é garantir que os resultados sejam alcançados otimizando recursos com a satisfação das pessoas. No entanto, a satisfação das pessoas não quer dizer satisfação pessoal e sim inspirá-las a terem cada vez melhores resultados para a organização”, disse Dilza Taranto.

Neste ponto, o coach Alexandre Prado acredita que uma relação pautada em aspectos e critérios objetivos, além da definição de tarefas, prazos e responsabilidades claras, ajuda a manter segregadas as relações pessoal e profissional.

Como estabelecer limites na relação?

Muitos devem se perguntar: “Mas quais são os limites? Quais ações o chefe deve tomar para que a sua equipe de trabalho não ache que ele está beneficiando o amigo?

Para Alexandre Prado, os limites devem ser claros para ambos e a definição deve incluir, inclusive, o tratamento dispensado mutuamente. Apelidos, brincadeiras íntimas, assuntos pessoais, muito comuns entre amigos, devem ser evitadas no ambiente profissional.

“A conduta do chefe deve ser, sempre, transparente com toda a equipe, dispensando um tratamento igualitário. E isso deve ser, também, verbalizado a todos, mostrando que, no ambiente de trabalho, todos serão igualmente cobrados de suas atribuições”, acrescentou o coach.

 

 

Sua linha de raciocínio está ligada da mesma forma como pensa a consultora de RH Dilza Taranto. Para ela, o chefe precisa deixar bem claro, em qualquer tomada de decisão dele, quais critérios ele utilizou. Para isso, é necessário o diálogo constante com a equipe. Um diálogo franco, honesto, respeitoso e ético é sempre o melhor caminho.

Dilza acredita que manter o foco nos resultados, ter ética, respeito, transparência e profissionalismo acima de tudo é fundamental para compor um bom ambiente de trabalho. “Um ambiente com humor é saudável, mas existe uma linha tênue entre o que é saudável e o que passa a não ser saudável para a equipe como um todo.”

Para Alexandre Prado, é preciso ficar claro entre chefes e servidores que a relação na vida pessoal é uma e na empresa é outra. “Não há nada que obste em haver relações distintas de duas pessoas e que sejam adaptadas dependendo do contexto.  Uma vez estabelecida a relação chefe/subordinado no trabalho e a de amigos na vida pessoal, ambos devem zelar para que estas convivam em equilíbrio”, afirmou o coach.

Para a psicóloga Michele Silveira, a hierarquia é necessária no ambiente de trabalho. Por isso, segundo ela, é fundamental que o chefe do setor busque sempre manter uma postura independente frente os seus comandados.

“Eu acho que o que precisa ser mantida uma distância, precisa criar-se essa relação de hierarquia. A hierarquia é necessária no ambiente de trabalho. O chefe precisa se impor como chefe. Existe a necessidade de limites, que deve sercolocada pelo chefe. Você pode sair e almoçar com um subordinado seu? Sem problema, desde que você mantenha essa postura de chefe, de líder.

Michele Silveira explica qual deve ser o papel de um bom líder. “O papel do chefe é dizer, se colocar, mostrar que existe uma hierarquia. No entanto, ele também deve, em vários momentos, descer no nível dos subordinados para oferecer ajuda. Um grande líder não é aquele que dita e ponto final, mas também não é aquele que fala, põe a mão na massa e faz pelo outro. Um chefe, um líder hoje em dia, é aquele que vai levar os seus liderados a pensar, a querer fazer, motivar-los a fazer para que eles façam por prazer. Só que o chefe tem que estar em um papel diferente, um papel de guia-los”, afirmou.

Leonardo Diegues

[email protected]

 

 





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