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A difícil missão de reter talentos no serviço público

A difícil missão de reter talentos no serviço público

Especialistas apontam os caminhos para gestores públicos conseguirem manter os talentos em suas equipes

 

Reter talentos é um dos grande desafios e também uma das principais atividades a serem desempenhadas pelos gestores de Recursos Humanos nos
órgãos e empresas públicas. Manter o servidor 'fiel' à instituição em que trabalha não é tarefa simples a ser feita. É preciso valorizar o trabalho deles e tornar o ambiente organizacional mais atrativo para que possam entregar um serviço com maior qualidade à população.

De acordo com a gestora de RH e coach Mônica Fernandes, reter talentos depende da capacidade do gestor público realizar o mapeamento individual
de cada servidor ou funcionário no que se refere ao perfil comportamental, dominância cerebral e valores pessoais.

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"É necessário descobrir o que motiva cada servidor e funcionário. Não dá para tratar de forma genérica, pois nem todo indivíduo motiva-se extrinsecamente. Isso dá trabalho, demanda tempo e em, alguns casos, demanda recursos financeiros. No entanto, é um diferencial no resultado,
afinal, pessoas desmotivadas ou com o equivocado sentimento do dever cumprido tendem a recepcionar inadequadamente aqueles que demandam o
atendimento público ou a desempenhar tarefas de modo não satisfatório", disse Mônica Fernandes.

Já a consultora de RH Gilvanda Barros acredita que é necessário que o órgão público adote políticas e estratégias que incentivem a permanência do profissional na instituição. Segundo ela, é preciso investir na cultura da organização, oferecer um bom ambiente de trabalho, treinamento e desenvolvimento constantes e valorização do potencial do profissional, além de oferecer um plano de carreira.

"No serviço público, a retenção de talentos está baseada principalmente em um programa de desenvolvimento de carreira. Pode ser utilizada também uma remuneração diferenciada, flexibilidade de horário e até trabalho home-office, porém a mudança de funções, atribuições e novos desafios vão fazer com que este profissional fique e agregue valor para a organização", garante Gilvanda Barros.

Segundo a gerente do Departamento de Gestão de Carreiras do Serpro, Camila Farias, a ascensão profissional é um fator importante para a retenção de talentos, por assegurar ao empregado o crescimento dentro da carreira, valorizando o seu empenho no alcance dos objetivos da empresa.

 

 

Ela destaca também a importância de uma política de meritocracia bem elaborada, com a participação ativa dos gestores e empregados. Segundo Camila Farias, o processo de meritocracia não é apenas premiar os que se destacam, mas também mostrar, aos servidores e empregados públicos, o caminho que devem percorrer para atender às necessidades do órgão ou da empresa.

"Os empregados, ao participarem dos processos de avaliação, devem ter os seus resultados esclarecidos, para que sintam que seus esforços foram recompensados e que, de fato, fazem parte da empresa. Também é por meio de uma boa política de meritocracia que os empregados e servidores se tornam capazes de saber o que devem desenvolver para alcançarem os objetivos da organização", completou.

De acordo com Mônica Fernandes, a retenção de talentos passa ainda por diversos outros caminhos. "Entre eles, podem ser destacados: observar o comportamento e tentar compreender os seus colaboradores; prestar atenção ao ambiente de trabalho e verificar há sobrecarga de tarefas; observar se a cultura interna desmotiva o trabalhador, observar se há o devido treinamento quando a pessoa começa a exercer sua função; implantar incentivos à capacitação profissional, entre outros."

Joelton retornou ao órgão anterior por sentir-se mais valorizado

É muito comum os servidores e empregados públicos continuarem realizando concursos públicos, com o objetivo de crescer profissionalmente e obter
salários mais atrativos. Este é o caso do paleógrafo Joelton Batista. Ele realizou, em 2006, um concurso para o Arquivo Nacional e foi convocado. Mesmo tendo sido convocado, em 2007 prestou concurso para a Justiça Federal do Rio de Janeiro (JFRJ) e foi chamado, em 2011, para assumir seu cargo no TRF-2.

"No intervalo entre realizar as provas do concurso do TRF-2 e a convocação para tomar posse na JFRJ, comecei a trabalhar no Arquivo Nacional em uma atividade que possui ligação com minha formação acadêmica em História. Mesmo assim aceitei o que era pra mim um desafio", afirmou Joelton Batista, sobre sua ida ao TRF-2.

Dois anos se passaram e Joelton entrou com um pedido de desistência do estágio probatório para poder voltar ao Arquivo Nacional. Segundo ele, essa decisão foi tomada não só por conta de que o órgão está ligado à sua especialidade, mas também porque sentia-se mais reconhecido, valorizado e respeitado no emprego anterior.

"Para mim, sem dúvida, foi uma decisão acertada o retorno. Trabalho com o que gosto, sou paleógrafo, e é muito gratificante trabalhar em um ofício que você domina. Sem dúvida que lá me sinto mais útil e que posso tanto aprender quanto ensinar", disse Joelton Batista.

Esse é um dos casos que servem de exemplo de que não é só uma boa remuneração que prende o servidor e o 'fideliza' no órgão ou empresa pública. É preciso trabalhar o endomarketing da instituição, saber tornar o ambiente organizacional mais atrativo e valorizar o esforço dos servidores.

 







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