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A Arte da Guerra do Servidor

A Arte da Guerra do Servidor

Barragan diz que a arte da guerra dos servidores públicos conta com a tática de pressionar os parlamentares que votarão no projeto

Barragan 


* Antonio Carlos Barragan
    
A queda-de-braço da Previdência continua. Os parlamentares de um lado fazendo o jogo de poder para conseguir cargos e de outro exigindo a aplicação das mesmas regras gerais para os militares. Parte do povo na expectativa da aprovação da reforma, enquanto a outra parte se manifesta de modo contrário. 

E nesta linha de fogo, posicionam-se os servidores públicos de cargo efetivo que não querem algumas mudanças que foram apresentadas na proposta de Reforma da Previdência pelo governo federal.

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Em razão disso, os servidores públicos já se organizam para defender a manutenção dos direitos previdenciários conquistados ao longo do tempo. A maioria acusa a má gestão pública e as fraudes como as origens do problema previdenciário brasileiro. 

Com os olhos estratégicos de Sun Tzu, a arte da guerra dos servidores públicos conta com a tática de pressionar os parlamentares que votarão no projeto de Reforma da Previdência. 

Ao irem direto àqueles que têm o poder de voto para rejeitar o referido projeto, os servidores tentam conquistar cada vez mais espaço parlamentar pelos gabinetes dos membros do Congresso Nacional, usando a estratégia da persuasão e, claro, da pressão eleitoral (na federação brasileira existem mais de dez milhões de servidores públicos atualmente).

Outro movimento bem pensado no jogo de War, estabelecido com o governo federal, foi o de os servidores públicos iniciarem a elaboração de um plano de ação, que possui ramificações nas áreas eleitorais de cada um dos deputados federais. A ideia tem por finalidade tentar desestabilizar a base aliada do governo. 

O corporativismo está tão fortificado que as entidades representativas dos interesses dos servidores públicos também estão atuando na pressão sobre as lideranças partidárias no Congresso Nacional, bem como sobre os ministros e demais autoridades governamentais para conseguir promover mudanças no texto do projeto.

 

 

A reação dos servidores públicos foi motivada pelas regras trazidas pelo mencionado projeto, que torna mais tortuoso o caminho daqueles funcionários até a “sonhada” aposentadoria. 

Como uma das previsões do projeto, aquele que ingressou no serviço público após o ano de 2003, submeter-se-á às regras do Regime Geral de Previdência do INSS. Já os servidores que entraram antes daquele ano manterão o direito a receber o último valor recebido, enquanto estavam na ativa - o que é conhecido como integralidade - e ainda receberão os mesmos reajustes de quem continua trabalhando – a chamada paridade.

Mas, como nem tudo são flores, eles deverão ter alcançado a idade mínima de 65 anos para homens e de 62 anos para mulheres. E, como para o governo tributar nunca é demais, a alíquota previdenciária (percentual descontado) incidente sobre o valor recebido pelos servidores passará a respeitar uma escala de acordo com o montante recebido por cada funcionário, indo de 7,5% até 22% de desconto por mês. 

E neste jogo intrigante e repleto de adrenalina, cada um do povo escolhe o lado e segue ansioso por cada movimento em busca do xeque-mate. 

Antonio Carlos Barragan é gestor público, empreendedor, advogado, contador, professor de Gestão Pública, Direito e Contabilidade, Presidente do Centro de Estudos Políticos do Brasil, Pós-graduado em Direito Público e Mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento.

 

 





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