NOVIDADE! Concurso UFRJ tem previsão de muitas contratações. Leia entrevista exclusiva!

Cargo de assistente em administração será o destaque. Universidade manterá a tradição de chamar muitos aprovados em seus concursos.

A oferta de vagas do novo concurso 2017 para cargos técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que incluirá o assistente em administração (apenas nível médio), deverá ser definida entre o final deste mês e o início de junho. No entanto, o quantitativo que será especificado em edital será mera formalidade. Isso porque o pró-reitor de Pessoal da universidade, Agnaldo Fernandes, já destacou que a política de contratar um elevado número de aprovados, durante o prazo de validade dos concursos da instituição, será mantida. 
 
"É do interesse da UFRJ chamar o maior número de pessoas possível. Não há edital em que a gente fique só naquele número de vagas", disse Agnaldo Fernandes. O crescente número servidores solicitando aposentadorias é um fator que deverá fazer com que a universidade realize um grande número de contratações no concurso deste ano, cujo edital está programado para sair em junho.
 
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"Tivemos de março de 2016 até agora, cerca de 250 processos além da média do que temos, que é de 300 por ano. Vamos atualizar essa semana os números, mas provavelmente é maior que 500, podendo até ultrapassar 600 pessoas", afirmou o pró-reitor de Pessoal, estimando que até o final deste ano mais de mil servidores poderão deixar a universidade em virtude da reforma da previdência.
 
Agnaldo Fernandes lembra que a carência de pessoal e o crescente número de aposentadorias poderá levar ao fechamento de algumas áreas da universidade. "Nós hoje corremos o risco de colapso em algumas áreas. Estamos fechando um estudo por setores, mas nas áreas de Artes e Engenharia estamos correndo o risco de colapsar. Com as aposentadorias, elas correm o risco de fechar", destacou.
 
FOLHA DIRIGIDA – Ao assumir, em fevereiro, a Pró-Reitoria de Pessoal da UFRJ, o senhor recebeu algum pedido especial do reitor?
Agnaldo Fernandes - Estamos em uma situação conjuntural bastante complexa. Estão ocorrendo reformas que atingem o serviço público. Está ocorrendo uma diretriz de retirada de direitos por parte do governo, então assumimos em um cenário bastante complexo, vamos dizer assim. E, no momento, temos que reafirmar a universidade pública gratuita e de qualidade, na perspectiva de atender a sociedade. E a Pró-Reitoria tem um papel importante nesse processo. A solicitação do reitor é para que a gente consiga construir políticas que reflitam essa característica da universidade e que a Pró-Reitoria de Pessoal seja um espaço de debate, de aprofundamento desses temas, de forma que a universidade se mantenha como foco de resistência a essas políticas que acabam por deteriorar o seu papel social, científico e acadêmico. A UFRJ tem um peso muito grande na ciência do país, na área acadêmica, com centenas de profissionais de ponta em todos os lugares, com suas pesquisas e seus cursos, sendo uma referência na ciência. Então, precisamos desenvolver uma política de pessoal que trabalhe nessa perspectiva. Inclusive, estamos lançando um fórum permanente de políticas de pessoal.
 
E o que será tratado nesse fórum?
Políticas estruturantes na área de pessoal. Nossa ideia é reunir o conjunto da Pró-Reitoria de Pessoal, ou seja, seus servidores, os chefes de pessoal das unidades e ter representação dos centros. A universidade é muito grande. A ideia é que este fórum funcione como um processo de reflexão e elaboração e monitoramento das ações de políticas de pessoal na universidade. Começamos com alguns temas que elencamos, como carreira, relações de trabalho, saúde do trabalhador, formação continuada, capacitação e qualificação. O objetivo é que seja um fórum que se debruce sobre esses temas e estruture a relação de pessoal na UFRJ. Estamos aí com quase 10 mil técnicos-administrativos e quase 4 mil docentes, fora aposentados. Então, a Pró-Reitoria tem que estar próxima de sua comunidade para poder fazer esse processo de construção, reciclagem e aperfeiçoamento e enfrentar essa realidade que estamos vivendo.
 
Quais outras ações pretende desenvolver para valorizar os servidores?
Temos duas ações importantes que vão ao encontro do fórum. Uma é o Sintae, que está em sua quinta edição, que é uma atividade que coloca para fora as produções internas dos técnicos-administrativos da UFRJ. E estamos lançando a revista de gestão pública universitária, que vai contar só com trabalhos, artigos e resenhas de técnicos administrativos. É uma tentativa de encontrar um espaço para os técnicos-administrativos, que seja um espaço para reflexão sobre a universidade.
 
Quais são os desafios de gerir uma estrutura tão grande de pessoal?
Administrar isso não é simples, ainda mais da forma como a universidade está estruturada e organizada. Temos aqui a Ilha do Fundão, o campus da Praia Vermelha, as unidades do Centro do Rio, o Museu Nacional, o CAP-UFRJ, a Maternidade Escola em Laranjeiras e os campi de Caxias e Macaé. De fato, não é simples. Por isso, estamos trabalhando na perspectiva de aproximar a relação da Pró-Reitoria com as unidades acadêmicas e administrativas. A ideia é ter um braço da Pró-Reitoria mais próximo de docentes e técnicos. Não só para questões própria relativas à vida funcional, mas também burocráticas, como abrir processo de vale-transporte, questões de insalubridade, progressões na carreira e etc. A vida funcional da universidade depende muito da sua relação com seu corpo de profissionais, seja docentes ou técnicos administrativos. O desafio da Pró-Reitoria é dar conta desse montante todo. Estamos otimistas, pois temos ido nos lugares e conversado e essa política tem sido bem aceita. É evidente que há críticas em razão das necessidades desse distanciamento, mas nossa ideia é aproximar isso mais e qualificar nosso atendimento. Inclusive, estamos inaugurando uma central de atendimento para os servidores, inclusive aposentados e pensionistas da faculdade. A ideia é que, com a criação dessa central, que funciona no prédio da reitoria, a gente possa ter maior qualidade e velocidade no atendimento. E quanto mais conseguirmos fazer as coisas online e por telefone vai facilitar, assim as pessoas não vão precisar vir aqui. Isso parece uma medida que é administrativa, burocrática, mas ela tem a potência de gerar um impacto importante para o servidor. São questões que, às vezes, complicam, tal como impressão de contracheque ou certidão de rendimento. E isso hoje o Ministério do Planejamento não envia mais, ficou sob responsabilidade da universidade providenciar. Isso são detalhes que para vida dos aposentados e dos servidores gera uma dificuldade. Com essa central poderemos atender com mais qualidade e mais velocidade. É um espaço que poderemos filtrar o atendimento, fazer uma triagem e ter um trabalho mais qualificado também em outros setores. Acho que isso vem ao encontro dessas ações que temos feito, tanto no plano político quanto no plano administrativo, de ter uma Pró-Reitoria que esteja de fato mais próxima de uma universidade que é do tamanho de uma cidade.
 
A UFRJ ficou alguns anos sem fazer concurso, mas a partir de 2003 vem realizando concursos regulares. Ainda assim existe uma grande carência de pessoal?

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