Concurso PF vai ter mais uma turma de aprovados, sinaliza ADPF

Luciano Leiro, vice-presidente da ADPF, acredita na convocação de mais uma turma e um novo concurso em breve.

Após o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, ter declarado na última sexta-feira, 15, que seriam chamados 500 aprovados além das vagas iniciais do concurso para a Polícia Federal, o vice-presidente da entidade, Luciano Leiro, ratificou a informação e acrescentou que as tratativas, junto ao Governo Federal, estão caminhando em passos largos.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o representante da associação disse que havia uma indecisão se a melhor alternativa seria chamar mais aprovados do concurso em validade e formar duas turmas com 500 candidatos cada ou realizar um novo concurso. 

Embora não haja uma confirmação oficial, Luciano Leiro adiantou que a própria Polícia Federal já garantiu que o governo e o Ministério da Justiça já chegaram a um consenso.

A decisão, segundo ele, será a convocação dos excedentes para mais uma turma no curso de formação. Além de mais rápida, a solução seria econômica.

"Havia uma dúvida se a intenção seria abrir um novo concurso ou aproveitar os excedentes. O que nos foi passado é que essa decisão (em vez de fazer um novo concurso chamar os excedentes) já teria sido tomada", disse o vice-presidente da associação.

Na sexta-feira, 15, o presidente da ADPF já havia comentado essa possibilidade. Segundo ele, o objetivo é chamar mil candidatos divididos em duas turmas.

Mesmo que os mil  sejam aprovados, o presidente Edvandir Paiva disse que as entidades continuarão lutando para a realização de um novo concurso o quanto antes.

Vice-presidente da ADPF fala sobre chamar mais aprovados e novo concurso (Foto: Divulgação)
Vice presidente da ADPF, Luciano Leiro diz que PF deverá
chamar mil aprovados e lutará por novo concurso
(Foto: Divulgação)

Aprovação do orçamento é o único entrave, diz vice-presidente

De acordo com Luciano Leiro, a única pendência para a abertura de duas turmas é a questão orçamentária. A Polícia Federal e o Minsitério da Justiça já trabalham, junto ao Governo Federal, para conseguir uma liberação e convocar mil candidatos.

O vice-presidente explica que, como não houve uma previsão de orçamento para este ano será preciso um rearranjo orçamentário. Segundo ele, essa medida é possível e deve ser realizada para que haja efetivamente uma dotação destinada para a nova turma.

Pesou também sobre a abertura de duas turmas a questão do impacto orçamentário menor se comparado a abertura de um novo concurso. Os aprovados que seriam convocados nessa possível segunda turma já passaram por todo o processo do concurso.

Essas pessoas já passaram pelo processo e não seria um início de tudo. O que falta é a última fase, que é o curso de formação. Esse é o grande ponto, pois você está otimizando os recursos. Recursos estes financeiros, pois, em vez de se gastar com um novo concurso e todo o procedimento, estaria aproveitando aqueles que já passaram em todas as etapas.

Os representantes da associação confirmaram que, se a medida for aprovada, a intenção é ter uma turma de curso de formação em junho deste ano e outra no primeiro semestre de 2020.

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O vice-presidente da ADPF, no entanto, enfatizou que, embora exista a intenção de chamar mil candidatos para o curso, o número poderá ser menor, pois não há garantia de que esse quantitativo será aprovado para a fase..

Se chamados os mil aprovados, o déficit reduziria, mas ainda assim seria bem expressivo. O próprio presidente estimou 4.500 servidores em falta. A carência de 3.500 deverá ser suprida por meio de novo concurso.

Questionado, Luciano Leiro disse que não há nenhuma previsão de concurso este ano. Isso porque ainda há uma seleção em validade. Segundo ele, com a chamada desses excedentes, um novo concurso poderia acontecer no próximo ano.

Novo concurso deverá ter uma oferta maior

Concurso PF deverá chamar mil policiais (Foto: Divulgação)
ADPF lutará para que novo concurso tenha
oferta de vagas maior do que o último
(Foto: Divulgação)

Embora a intenção seja chamar os aprovados, a associação já garantiu que permanecerá lutando pelo novo concurso, que possa acontecer o quanto antes, assim que encerrada a validade do atual.

Dessa forma, a expectativa é que o próximo edital contemple um número de vagas maior. Isso porque as 500 oferecidas não são suficientes para suprir nem mesmo as últimas aposentadorias, de acordo com Luciano. 

O vice-presidente da associação disse que esse quantitativo inicial supriria, por exemplo, apenas as aposentadorias de 2017. Luciano acredita que o próximo concurso terá uma oferta maior para conseguir suprir boa parte do déficit.

Ele comenta que a nova gestão do presidente Jair Bolsonaro, bem como o ministro Sérgio Moro e sua equipe, tem sido receptiva e apresenta diálogos positivos, priorizando o reforço na segurança pública.

Antes da portaria autorizativa ser publicada, muito se questionava sobre o quantitativo reduzido. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) lutou por aumento, sem sucesso.

Na época, o presidente da federação, Luis Boudens, disse que os esforços seriam para que a PF realizasse concurso todos os anos. "Vamos fazer esse esforço conjunto para ter concursos todos os anos, até que reponha o quantitativo, para que possamos chegar ao número ideal de policiais", disse o presidente da Fenapef.

Delegado, agente e escrivão são as maiores carências na PF

Das mais de 4 mil vagas que estão abertas na Polícia Federal, o vice-presidente da associação informou que as carreiras mais deficitárias são as de agente, delegado e escrivão.

Ele considera que essas três carreiras apresentam situação mais crítica, proporcionalmente. Todas exigem nível superior e proporcionam ótima remuneração

O atual concurso teve edital publicado em junho de 2018 e, para essas carreiras, a oferta foi de: 180 vagas para agente; 150 para delegado, 80 para escrivão, 60 para perito e 30 para papiloscopista..

O resultado final do concurso está previsto para março, de acordo com o cronograma divulgado pelo Cebraspe após a divulgação do resultado da avaliação médica. Caso o prazo seja mantido, será confirmado o que foi dito pela própria PF em maio de 2018, prevendo o encerramento do concurso nos primeiros meses de 2019

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