Concurso PC SP: investigadora revela como é o dia a dia na delegacia

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, Milene Moraes (@aconcurseirareal) conta o dia a dia na delegacia e os desafios da carreira de investigadora.

Investigar crimes, localizar provas, realizar escoltas de presos, fazer intimações. Essas são algumas das atribuições de um investigador de polícia. Aprovada no concurso da Polícia Civil de São Paulo para o cargo, Milene Moraes revela que o mais prazeroso é não ter uma rotina diária definida.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, a investigadora destaca que a atividade policial é muito dinâmica. De acordo com ela, todo dia algo muda o planejamento, seja com um novo caso ou uma nova prova.

“Sem dúvida o mais prazeroso na carreira de investigador é não ter rotina. Tudo muda o tempo todo, e o fato de não termos controle sobre essa rotina é incrivelmente prazeroso, definitivamente não temos como enjoar do nosso trabalho. Não é para qualquer um, porque nós respiramos o trabalho policial, o tempo todo, 24h por dia”, define.

Milene Moraes, 33 anos, foi nomeada como investigadora da Polícia Civil de São Paulo em 2017, após aprovação no concurso público. Ela conta que os primeiros dias de trabalho na delegacia foram os mais marcantes.

“Tudo é uma novidade e apesar de a gente passar por alguns meses, em treinamento, na Academia de Polícia (Acadepol), nada se compara ao trabalho na prática, é muito diferente e nós ficamos bem perdidos, mas os colegas são pacientes e aos poucos vamos aprendendo tudo e os receios vão diminuindo”, relembra.

Milene Moraes, investigadora da PC SP
Milene Moraes foi nomeada como investigadora em 2017, após 
aprovação no concurso PC SP (Foto: Arquivo Pessoal)

 

A investigadora, atualmente, trabalha em uma delegacia de distrito e realiza desde investigação de delitos mais simples, tais como ameaças, injúrias e pequenos furtos até homicídios, sequestros, casos de pedofilia e tráfico de entorpecentes.

O trabalho, segundo a policial, é realizado majoritariamente na rua, com diligências no intuito de localizar provas dos crimes.

“Também fazemos muito trabalho interno, pois toda investigação necessita de um relatório final, então o investigador deve gostar de escrever, e com detalhes. Além disso, também realizamos escoltas e remoções de presos, fazemos intimações e cumprimento de ordens de serviços, tudo isso no intuito de auxiliar o andamento dos inquéritos policiais”, conta Milene.

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‘Serviço policial é essencial, nós não paramos nunca’

Mesmo com a pandemia do Coronavírus, os policiais civis continuam exercendo seu papel. “O serviço policial é essencial, então nós não paramos nunca, mesmo agora com esse momento de pandemia nosso trabalho segue firme”, pontua Milene Moraes.

Ela também evidencia que a profissão traz mais riscos que outras. Porém, de acordo com a investigadora, o fato de ser policial não pode tirar a paz. Caso contrário, é possível adoecer.

“Eu acredito que temos que ter alguns cuidados básicos com nossa segurança e sobretudo com nossa exposição, mas também não podemos criar paranóias, pra não perder a nossa paz, afinal de contas todos nós temos nossa vida privada e nossos momentos de descanso, em que queremos ficar mais tranquilos”, alerta.

Milene Moraes, investigadora da PC SP
Investigadora Milene Moraes 
(Foto: Arquivo Pessoal

Questionada sobre uma história de destaque em sua carreira, Milene aponta o primeiro caso de homicídio que esclareceu junto a seus colegas.

“Eu estava na delegacia há poucos dias, muito inexperiente e insegura ainda, porém fizemos uma investigação muito rápida e eficiente, em menos de 24h depois do crime conseguimos esclarecer todo o caso e prender os autores”, lembra.

Milena reforça que atividade policial é contaste e dinâmica.

“Não paramos um minuto, foi muito intenso e pela primeira vez na vida eu senti meu corpo arrepiar durante o trabalho e entendi que eu poderia fazer a diferença na vida das pessoas. Foi a primeira vez que me senti uma policial de verdade, foi muito incrível”.

Milene tem um canal no Youtube e no Instagram (@aconcurseirareal) em que conta sobre a carreira de investigadora de polícia.

Para descobrir mais detalhes e curiosidades, FOLHA DIRIGIDA fará uma transmissão ao vivo com ela na quinta-feira, 28, às 18h, no @folhadirigida no Instagram. Não perca!

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‘Policial não tem sexo, o trabalho é para todos’

Ser mulher e policial traz diversos desafios. Apesar disso, felizmente, as mulheres têm assumido cada vez mais cargos em instituições de Segurança. Milene Moraes revela que, no início, teve medo de sofrer preconceito.

Isso por conta de sua aparência frágil e fisicamente pequena. De acordo com ela, tinha medo das pessoas não confiarem na sua capacidade e por isso não a valorizarem, principalmente na carreira de investigador, que é mais operacional.

“Logo de início percebi que se eu quisesse ser respeitada e, sobretudo, reconhecida pelo meu trabalho não poderia me valer do fato de ser mulher para ganhar benefícios, e assim eu fiz, nunca me neguei a realizar nenhuma atividade policial, sempre fiz tudo igual aos colegas homens”, afirma a investigadora.

Em sua rotina, ela faz revista pessoal em abordados, algema homens, transporta presos, dirige viaturas e cuida da carceragem.

“Meus colegas sempre me disseram que policial não tem sexo e eu concordo, o trabalho é para todos e nessas horas não podemos focar em fragilidades ou pudores, porque realmente é um trabalho mais bruto”, conclui.

Salários e benefícios dos aprovados no concurso PC SP

Os aprovados no concurso da PC SP, segundo Milene Moraes, têm remuneração composta por:

  • Salário base;
  • Adicional de RETP (Regime Especial de Trabalho Policial);
  • Adicional de insalubridade;
  • Auxílio transporte e alimentação, em valores variáveis.

“Resumindo um Investigador de Polícia, em início de carreira, ganha, em média, R$4.200 líquidos. A Policia Civil de SP hoje é muito mal remunerada, o estado que menos paga para seus policiais, apesar de ser o estado mais rico da federação, isso é uma vergonha e um descaso dos nossos governantes”, evidencia.

Em junho de 2019, o governador João Doria autorizou a abertura do novo concurso Polícia Civil SP com 2.939 vagas. Ao todo, serão 250 oportunidades de delegado, 1.600 de escrivão, 900 de investigador e 189 de médico legista. Todos os cargos exigem nível superior.

Em resposta à FOLHA DIRIGIDA, a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Segurança de São Paulo (SSP-SP) disse que a contratação da banca organizadora está em andamento. A corporação já formou as comissões que elaboram os editais. Além das bancas examinadoras.

“A Polícia Civil esclarece que as comissões estão formulando os editais. As bancas já foram escolhidas e está em andamento a contratação da empresa organizadora, de acordo com a Lei Estadual 10.882/2001", consta em nota enviada.