Resultado é adiado. Especialistas criticam organizadora

Os resultados dos recursos contra os gabaritos e o resultado provisório do exame intelectual do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ), que estavam previstos para esta terça-feira, dia 30, somente serão conhecidos em 7 de outubro. A informação é da Exatus, organizadora. Segundo a empresa, o motivo do adiamento na divulgação é o grande número de recursos impetrados, que seguem em análise. Assim que estiverem liberados, os resultados poderão ser consultados na FOLHA DIRIGIDA Online.

O resultado dos recursos contra os gabaritos e o provisório do exame intelectual do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ), que estavam previstos para a última terça-feira, dia 30, somente serão conhecidos terça-feira, dia 7. A informação é da Exatus, organizadora, alegando o grande número de reclamações. Além disso, foi publicado no site da corporação um comunicado de alteração do cronograma do concurso. Entre as mudanças, está o prazo de recursos contra o resultado da prova objetiva e vista do cartão-resposta que, anteriormente, era de 1º a 7 de outubro, e passou para o período de 8 a 14 deste mês. As demais alterações podem ser conferidas no site da PM-RJ.
 
Para o advogado Sérgio Alexandre Camargo, o atraso na divulgação das notas demonstra a incapacidade da banca em cumprir prazos e em organizar a seleção. “O edital, como única fonte normativa, deve vincular a administração pública. Estabelecidos prazos, esses devem ser sempre respeitados, não havendo, salvo outro juízo, justificativa para seu não cumprimento”, afirmou.
 
Ainda de acordo com o especialista, apesar de serem  comuns problemas em concursos da área de segurança pública fluminense, não há como ver com otimismo o atraso na resposta aos recursos dos candidatos, principalmente com a proximidade das eleições. “Polêmica sobre questões anuláveis não pode sofrer atraso, por gerar grande expectativa e insegurança nos candidatos. Parece-me de boa fé duvidosa o coincidente adiamento dos resultados, para após o dia da eleição, ainda mais em um concurso tão problemático como o da PM-RJ”, salientou o advogado.

Pontos de vista - Já para o consultor na preparação de candidatos do projeto “Cursultoria”, Marcus Silva, o adiamento deve ser analisado sob dois pontos de vista: falta de organização e de capacidade de cumprimento dos prazos pela organizadora, e a possibilidade de maior tempo para a análise. “Quanto à primeira questão, é evidente que qualquer banca deve se preparar para o atendimento das demandas que assume e, no caso particular, deveria cumprir os prazos divulgados. É isso que se espera de uma banca preparada e organizada para assumir grandes demandas e compromissos, como foi o caso desse concurso. Observa-se um descumprimento, sob meu ponto de vista, injustificável. Entretanto, sobre o outro lado, pode ser um alento aos candidatos essa suposta maior preocupação da banca com a análise dos recursos, dada a grande quantidade recebida. Sei que a ansiedade é grande, mas, infelizmente, essa é a realidade, e todos terão de aguardar mais um pouco, torcendo para que o resultado seja o melhor e mais justo possível”, disse.

A opinião do Marcus Silva é compartilhada pelo analista de planejamento e orçamento e professor de Informática Básica Alexandre Lênin. “A organizadora deveria, ao aceitar organizar um concurso, munir-se de tecnologia e pessoal em volume e qualidade necessários para suportar as demandas dos candidatos. É claro que imprevistos acontecem, mas existem mecanismos para prevenir e contornar as situações inesperadas. Por isso, a banca pecou ao não cumprir os prazos. Por outro lado, é importante destacar que o adiamento do resultado com o intuito de analisar detalhadamente os recursos, para evitar erros ainda maiores, é melhor do que uma análise rápida e incorreta. Sei que a ansiedade é grande, mas prefiro ver um bom desfecho daqui a uma semana do que aumentar a insatisfação com a divulgação na data certa”, observou.
 
Pelo menos nove questões devem ser anuladas, em Língua Portuguesa, Informática e História, segundo especialistas. Marcus Silva é a favor da anulação somente dessas questões. Porém, caso o suposto vazamento das provas seja comprovado, a seleção deveria ser cancelada. “Entretanto, até o momento, não é o que se verifica, o que dá totais condições de prosseguimento do concurso. Em sendo todas as possíveis impropriedades retificadas pela banca na análise dos recursos, não há motivo para anulação do concurso. Embora não seja desejável, esse tipo de situação ocorre com certa frequência nos concursos em geral”, afirmou.
 
O advogado Sérgio Camargo acredita que providências devem ser tomadas para garantir os direitos dos candidatos. “Não creio que seja o momento de dar voto de confiança a uma administração que reitera problemas em seu concurso, sendo o momento para medidas enérgicas das autoridades administrativas, ou interferência direta do Ministério Público, que pelo momento eleitoral deve estar com excesso de trabalho, deixando candidatos ao prazer de uma administração pública, que como dito não vem merecendo credibilidade da população, nem em seu processo seletivo”, afirmou.
 
Como reclamar - Na Alerj foi pedida Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas a data da sua instalação ainda não foi decidida. A Comissão de Segurança recebe denúncias por telefone, das 8h às 17h, ou no edifício anexo ao Palácio Tiradentes, das 10h às 17h. O Ministério Público também continua recebendo, em sua Ouvidoria, reclamações a respeito de supostas falhas na organização da seleção. O órgão pode ser contatado pessoalmente, por correspondência, formulário em seu endereço eletrônico ou pelo telefone 127. O horário de atendimento é das 8h às 20h, de segunda a sexta-feira. A 2ª Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania está analisando as alegações, para decidir se cabe a instauração de um procedimento. O deputado Átila Nunes (PSL) disse que recebeu na última segunda-feira, 29, ligação do governador Luiz Fernando Pezão, informando que suas ponderações sobre as alegadas irregularidades foram levadas em consideração e que o resultado seria adiado.

Opinião - Qual a sua opinião a respeito do adiamento do resultado da prova? Acha que houve interferência política? Acredita que a banca vai anular as questões polêmicas? Dê sua opinião na FOLHA DIRIGIDA Online, na página da matéria do concurso para soldado da PM-RJ.
 
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