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Professores criticam teor e gabaritos das provas

A Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado Iranildo Campos (PSD), vai solicitar a revisão do exame intelectual do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ).  

09/10/2014 15:09 | Atualizado: 28/09/2017 05:30

09/10/2014 15:09 | Atualizado: 28/09/2017 05:30
A Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado Iranildo Campos (PSD), vai solicitar a revisão do exame intelectual do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ). A ideia é que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) ou a Fundação Ceperj verifique as questões da prova objetiva, a fim de garantir a lisura da seleção, e avalie se os gabaritos divulgados estão corretos e se há ou não outras perguntas que deveriam ser anuladas. A escolha da instituição ainda dependerá de acordo entre as partes, segundo informou a Assessoria de Imprensa da comissão. Pelo menos dez questões deveriam ser anuladas, em Língua Portuguesa, Informática, História e Geografia, segundo especialistas e candidatos. Porém, tomando como base a prova branca, somente quatro foram anuladas pela banca: as questões 4 e 5 de Português, 12 de Sociologia e 35 de Informática.
 
Em Informática, o analista de planejamento e orçamento e professor de Informática Básica Alexandre Lênin não vê problemas na questão 31 da prova branca, muito contestada pelos candidatos. Os participantes argumentaram que a versão 2013 do Excel não constava no edital. Lênin, porém, confirma o erro na elaboração da questão 35, anulada pela banca. “Conferi executando o Excel e Word nas versões 2007, 2010 e 2013. Em todas as versões, os itens cobrados funcionam normalmente e não há espaço para pedido de anulação com base no conteúdo da questão. Note que, em relação aos conteúdos cobrados, todos funcionam nas três versões. O mesmo ocorre quando analisamos a questão 35, pois o item cobrado está literalmente transcrito da versão 10 e 11 do Internet Explorer”, afirmou.
 
Segundo o professor, na questão 35, houve falha na construção da pergunta, pois a banca errou o caminho para se chegar às opções de acessibilidade. “O caminho correto seria Opções da Internet > Avançadas e não Configurações da Internet > Avançadas”, disse. Apesar de não aprovar a anulação da questão 31, Lênin concorda com a reclamação dos candidatos, pois ao relacionar no edital livros que apontam para uma determinada versão dos aplicativos cobrados, é natural que a versão encontrada na prova seja a mesma. “Se a banca escrevesse 2007 no lugar de 2013, o resultado da questão seria o mesmo. Então, a única coisa que se obtém adotando uma versão distinta daquela abordada na bibliografia sugerida é o aumento do estresse a que já está submetido o candidato”, salientou.
 
Muitos candidatos reclamaram - e reclamam - da inadequação do conteúdo cobrado ao cargo. Porém, segundo ele, de fato, as questões de Informática, não raro, aparecem sem uma correta adequação ao nível exigido para o cargo, independentemente da banca organizadora. “É comum encontrarmos questões para cargos de nível médio que até os especialistas divergem quanto ao resultado (quando não encontram dificuldade em responder corretamente)”, afirmou.
 
Professor defende anulação em História 
Para o professor Reynaldo Neto, dos cursos Progressão e Degrau Cultural, a questão de História que trata da Batalha de Jenipapo deveria ter sido anulada pela banca, por não constar no programa do concurso. “Essa questão é um absurdo. Entendo que a Batalha de Jenipapo não está em nenhuma bibliografia nem é um fato relevante na Independência do Brasil. Tenho 23 anos de magistério e nunca ouvi falar dela. Desafio qualquer professor de História, que trabalhou dando aulas para o concurso da PM, que conheça essa batalha”, disse. Em relação à questão que tratava da Revolução de Avis, também questionada por muitos candidatos, o professor afirma que ela não está fora do programa e que, por isso, não deve ser anulada. “No entanto, é um outro assunto sem relevância e que não deveria ter sido cobrado na prova. Na minha opinião, houve um total descompromisso da Exatus com o concurso ao tirarem do Wikipédia respostas da prova”, destacou.
 
Português - O professor de Língua Portuguesa da Degrau Cultural, Romulo Bolivar, concorda com a anulação das questões 4 e 5, e acredita que as outras não foram em virtude da sugestão bibliográfica. “A anulação das duas questões revela o ensaio de um pedido de desculpas por parte da banca diante de uma prova tão em desacordo com a demanda social que atinge. Além dessas, há outras passíveis de descarte, no entanto, as não anuladas respaldam-se em particularidades da bibliografia. Isso é um erro”, salientou. Segundo Romulo, se compararmos dez gramáticas de Língua Portuguesa de diferentes autores, teremos dez visões diferentes sobre o código linguístico, apesar de haver também muito conteúdo comum entre elas. “Produzir prova de concurso com o foco em exceções propaladas praticamente por uma bibliografia (aquela indicada no edital), em detrimento de tantas informações importantes sobre a linguagem, causa o nocivo efeito de despertar um interesse maior pelo livro do que pelos próprios fatos da língua. Trata-se de uma postura recorrente em concursos militares e que a sociedade não deve permitir que se estenda ao concurso público civil”, argumentou. 

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