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Diplomata: conheça formação e vantagens da carreira. Prazo aberto!

Como já é do conhecimento de todos, além do ingresso na carreira de terceiro-secretário (diplomata) ser uma ótima porta de entrada aos que desejam viver e trabalhar no exterior, a função dispõe também de diversas outras vantagens, conforme informou à FOLHA DIRIGIDA Sérgio Barreiros, diplomata e coordenador do concurso aberto pelo Ministério das Relações Exteriores. Além do salário de R$15.005,26, o diplomata recebe R$458 de auxílio-alimentação quando ainda atua no país. No entanto, ao ser enviado para o exterior, passa a ter acesso a outros benefícios, não só no aspecto financeiro, mas sobretudo humano e profissional.

Como já é do conhecimento de todos, além do ingresso na carreira de terceiro-secretário (diplomata) ser uma ótima porta de entrada aos que desejam viver e trabalhar no exterior, a função dispõe também de diversas outras vantagens, conforme informou à FOLHA DIRIGIDA Sérgio Barreiros, diplomata e coordenador do concurso aberto pelo Ministério das Relações Exteriores. Além do salário de R$15.005,26, o diplomata recebe R$458 de auxílio-alimentação quando ainda atua no país. No entanto, ao ser enviado para o exterior, passa a ter acesso a outros benefícios, não só no aspecto financeiro, mas sobretudo humano e profissional.
 
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"O servidor terá direito, por exemplo, à chamada residência funcional, uma ajuda de custo para que o diplomata possa alugar um imóvel, geralmente com custos elevados no exterior. A carreira vale muito a pena. Ela oferece as experiência mais ricas e variáveis possíveis na convivência com outros povos, culturas e costumes", disse. O coordenador do concurso informa que, durante o curso de formação no Instituto Rio Branco, o candidato já receberá o salário estipulado para a carreira. "O curso de formação leva um ano e meio, sendo um de dedicação exclusiva. A grade de aulas é a mais completa possível para a formação que nós exigimos de um diplomata brasileiro", esclareceu.

Entre os conteúdos abordados nesse curso, segundo Ségio Barreiros, estão Política Externa Brasileira, Negociações Internacionais, Linguagem Diplomática, Línguas (Inglês, Francês, Espanhol e uma língua exótica: chinês, árabe ou russo), Cerimonial e Protocolo, Diplomacia Consular, entre outros. Ao terminar, o diplomata é lotado em uma unidade administrativa do Ministério das Relações Exteriores, antes de ser enviado ao exterior. "A escolha do local de trabalho dependerá da sua classificação no curso”, informou.
 
O Ministério das Relações Exteriores tem realizado um concurso por ano para diplomata. Qual a avaliação que o senhor faz dos candidatos que vêm sendo aprovados nessas seleções e quais as suas expectativas para este novo concurso?
O exame de admissão à carreira diplomática é um dos mais exigentes e competitivos do país, se não o mais. A nossa expectativa tem sido plenamente atendida com o processo de seleção que nós levamos aqui, desde 2002 com a ajuda do Cebraspe, antigo Cespe.
 
A carreira diplomática é muito específica, com atribuições bem diferenciadas, ao contrário de outras do serviço público. Qual é o perfil que o senhor acredita que deve ter um candidato que queira participar deste concurso para diplomata?
Na verdade você tem perfis dos mais variados possíveis. É um concurso aberto a qualquer brasileiro nato que tenha uma formação de nível superior. Então nós temos desde físicos nucleares a médicos e dentistas. Qualquer formação é adequada, porque o cenário internacional apresenta desafios de natureza muito diversa. Então, se o funcionário é capaz de passar no exame, para nós ele é adequado. Agora, é claro que ele precisa ter, digamos, uma tendência a gostar de disciplinas como História, Geografia, Política Internacional e Línguas, ou seja, as matérias mais voltadas para humanas. No entanto, temos vários engenheiros em nosso quadros.
 
Em relação aos concursos anteriores, há algumas novidade para esta seleção?
Em relação ao do ano passado não há grandes novidades. A grande novidade, se podemos chamar assim, é que vamos realizar a verificação de declaração de afrodescendentes após a primeira fase. Essa era uma reivindicação que já tinha sido apresentada e nós resolvemos acolhe-la.
 
Ao ser aprovado no concurso, o candidato fará um curso de formação no Instituto Rio Branco. Em média, quanto tempo dura esse curso? Quais conteúdos serão ministrados ao longo deste período?
Bom, o curso de formação leva um ano e meio, sendo que um ano é de dedicação exclusiva. Você tem uma grade de aulas mais completa possível para a formação que exigimos de um diplomata brasileiro, tais como Política Internacional, História da Política Externa Brasileira, Cerimonial e Protocolo, Política Externa, Cerimônia e Cooperação, Diplomacia Consular, Planejamento Diplomático Brasileiro, Pensamento Diplomático Brasileiro, Direito Internacional Público. Em relação a línguas, o aluno deve seguir três aulas obrigatórias, que são Inglês, Francês e Espanhol, e deve optar por uma língua que nós chamamos de exótica. Na verdade é exótica para nós, mas para os outros países é a língua corrente. Ele deve optar entre Chinês, Árabe ou Russo. Então, na verdade, ele permanece aqui e estuda quatro idiomas nesse período.
 
Durante o curso de formação no Instituto Rio Branco, o aprovado já recebe vencimentos de R$15.005,26 ou apenas parte desse valor? Há inclusão de R$458 de auxílio alimentação?
Ao ser aprovado no concurso de admissão à carreira diplomática, ele já recebe o salário de terceiro-secretário, incluindo o auxílio-alimentação. Além de cursar o Instituto Rio Branco por um ano e meio, ele deve ser confirmado após três anos de exercício na carreira. Então, além dele cursar, tem um ano e meio que ele precisa ser confirmado, essa é uma exigência que se aplica a todo serviço público brasileiro.
 
Ao concluir esse curso de formação, o diplomata já é encaminhado para uma embaixada no exterior? Caso contrário, em quanto tempo ocorre isso? É possível escolher o país onde pretende trabalhar?
Ao se formar ele é lotado. O que chamamos de lotação é ele escolher uma unidade administrativa do Ministério em que ele irá trabalhar. Essa escolha depende da sua classificação no curso. Conforme a classificação, ele deve ficar pelo menos uns dois anos aqui no país, trabalhando na Secretaria de Estado, para pleitear uma remoção. O destino da remoção depende de vários fatores e não há, digamos, uma designação prévia. Ele concorrerá com outros candidatos, também terceiros-secretários, por uma remoção. É natural que os destinos mais cobiçados, portanto os mais disputados, são países desenvolvidos da América do Norte e Europa. Hoje em dia, por exemplo, há muitos anos, os postos da América do Sul também são muito disputados, tais como Buenos Aires, Santiago e Lima.
 
Existe um tempo mínimo que o diplomata passa no exterior? De um modo geral, o diplomata costuma fazer um rodízio, trabalhando por um período em vários países?
Na verdade, aqui no Itamaraty existem classificações de postos: A, B, C, D, e E. Então, normalmente, quando você é designado para um posto A, você deve, na segunda remoção, ir para um posto B, C ou D. Se você quer fazer três postos, um deles será C ou D. Então tem todo um processo de alternância entre postos difíceis, fáceis ou médios.
 
Na sua visão, quais são os principais atrativos da carreira de diplomata? Na sua opinião, os candidatos devem encarar a oportunidade como um projeto de vida?
A carreira de diplomata é um projeto de vida, porque você tem que estar preparado para viver em sociedade, em civilizações muito diferentes da brasileira e, algumas vezes, o processo de adaptação não é muito fácil. Você tem que ser uma pessoa aberta ao novo, a experimentar outras civilizações, sociedades e até ambientes de trabalho. Você vai mudando de um trabalho pra outro, a cada embaixada que você chega tem uma configuração humana e precisa ir se adaptando. Primeiro tem que ser alguém que tem curiosidade de entender e explicar o mundo, porque você tem que entender primeiro para depois explicar. Depois, a sua vontade de estar conhecendo e se adaptando a circunstâncias, condições diferentes do que a gente vive normalmente no Brasil. Então, muitas vezes esse processo tem um custo elevado para as famílias, pois não é só o diplomata. Tem também os filhos, que precisam ser aceitos pelos colegas de escola. É sempre um processo bastante desafiador para o diplomata e a sua família.
 
Além dos vencimentos de R$15.005,26, a quais outros benefícios, vantagens e/ou gratificação o diplomata tem direito, sobretudo quando ele já está trabalhando no exterior?
No exterior, ele só tem direito, além do seu salário, ao que nós chamamos de residência funcional. É uma ajuda de custo para que ele possa alugar um imóvel no exterior, que geralmente são muito caros.
 
Muitos devem possuir esposa, marido e filhos. As despesas de moradia, escola, entre outras, são bancadas pela embaixada brasileira?
Não, a Embaixada não banca. O único benefício que o diplomata dispõe é a residência funcional.
 
Como o senhor classifica essa oportunidade que essas pessoas (diplomatas) terão em relação ao contato com outras culturas, povos e costumes?
Acho uma experiência fascinante, muito enriquecedora como ser humano e como profissional.
 
O senhor poderia falar um pouco da sua trajetória como diplomata? Essa experiência mudou a sua vida, não só no aspecto financeiro, mas sobretudo na formação como cidadão e culturalmente?
Na verdade eu tive uma trajetória bem interessante de postos. Eu optei pela minha primeira remoção em uma época em que todos preferiam ir para postos como Washington e Paris. Mas nós optamos por ir para a China, em um período em que era bem diferente do atual. Nós tivemos um pequeno percalço. Quando já estava tudo certo para irmos, aconteceu o massacre de Tiananmen Square, então o clima ficou muito pesado, muito sombrio, e a gente chegou lá exatamente um mês depois. Então foi uma experiência bastante difícil, pois havia muito sofrimento no povo e muitos pais que tiveram seus filhos presos. Então, o clima estava muito pesado naquela época. Mas a China mudou muito, para melhor. Depois, fomos para Roma, Irlanda e Tóquio, que foi a localidade que eu mais gostei.
 
O senhor prestou concurso em qual ano? Como foi sua preparação à época?
Olha, eu entrei no Instituto Rio Branco entre os anos de 1982 e 1983. Naquela época, não éramos terceiro-secretário. Nós recebíamos uma bolsa, que era muito pequena. Nós tínhamos só um apartamento de estudante e vivíamos com bastante penúria. Era outra situação, muito diferente. Agora, o estudante já é terceiro-secretário e recebe um salário bem melhor do que naquela época.
 
Qual mensagem o senhor pode deixar para aqueles que vão participar desse concurso?
Bom, a mensagem que eu quero deixar é que a carreira vale muito a pena. A gente se enriquece como profissional, como pessoa, ela oferece as mais ricas experiências possíveis. Mas é preciso se preparar com afinco, estar concentrado na tarefa de estudar. Muito colegas tentaram três ou quatro anos e acabaram entrando. Nunca desista, se você tem vocação para a diplomacia continue insistindo que você obterá êxito em algum momento na vida.

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