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GM-Rio: secretário nega carência. Concursados criticam

Apesar de ser constantemente evidenciada, a carência de servidores da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio) não é uma realidade para o atual titular da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), Leandro Matieli. Em declaração dada à FOLHA DIRIGIDA, o secretário afirmou que não há necessidade de novos profissionais. "O efetivo atual é adequado para atendermos à cidade e também aos Jogos Olímpicos do ano que vem. Já temos um número de guardas suficiente para ordenar o Rio de Janeiro."

Apesar de ser constantemente evidenciada, a carência de servidores da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio) não é uma realidade para o atual titular da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), Leandro Matieli. Em declaração dada à FOLHA DIRIGIDA, o secretário afirmou que não há necessidade de novos profissionais. "O efetivo atual é adequado para atendermos à cidade e também aos Jogos Olímpicos do ano que vem. Já temos um número de guardas suficiente para ordenar o Rio de Janeiro."
 
Ainda de acordo com Leandro Matieli, a cidade passa por um momento de crise econômica, o que agrava ainda mais a demora na convocação de mais de 2 mil candidatos do último concurso, aberto em 2012, que aguardam o curso de formação há mais de três anos. "O cenário financeiro é delicado, e isso não é novidade alguma. Percebe-se isso também no âmbito estadual. O poder público não pode ser irresponsável e aumentar os custeios sem o mínimo de planejamento e de segurança", tenta justificar o secretário.
 
Em novembro de 2012, 370 do quantitativo total de habilitados foram chamados para a quarta fase do certame, referente às avaliações documentais e sociais. No entanto, sem dar nenhum motivo ou explicar os fatores, o processo de contratação foi paralisado pela Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Social da Guarda Municipal, e segue assim desde então. Uma comissão dos aprovados foi formada, a fim de chamar a atenção das autoridades devidas para a situação na qual se encontram.
 
Questionado, o comandante-geral da GM-Rio, capitão Rodrigo Fernandes, afirmou que aguarda uma orientação da Prefeitura do Rio de Janeiro. "O concurso encontra-se ainda dentro do prazo de validade e precisamos aguardar uma posição da administração direta do município para convocar esses aprovados. Essa é a informação que eu tenho. Infelizmente, não posso estimar um prazo para que isso aconteça. Não vou criar expectativa nos candidatos. A princípio, não temos uma previsão", disse o capitão.
 
As evidências partem principalmente do Sindicato dos Guardas Municipais do Rio de janeiro (Sisguario) e do movimento Frente Manifestante, que lutam por melhorias institucionais. Marcos Crisciullo, diretor-adjunto do sindicato, lembra que a prefeitura criou, em 2012, um plano diretor que prometia um efetivo de pelo menos 10 mil agentes. "No entanto, temos cerca de 7 mil. E muitos estão readaptados, afastados, adidos a outros órgãos ou desviados de função. O efetivo está muito reduzido", diz ele.
 
Jones Moura, outro membro da diretoria do Sisguario, afirma que a GM-Rio criou um sistema de assiduidade que paga R$200 por mês ao agente que não faltar. "Isso faz com que o guarda trabalhe sem nenhuma condição, mesmo estando doente, para não perder o dinheiro que já entrou no orçamento. Também instituíram o modelo de cotas, onde o agente que estiver disposto a trabalhar no seu dia de folga em um final de semana recebe mais R$200. Isso é um total descaso por parte da prefeitura e da Guarda Municipal."
 
"Estudamos, nos preparamos para as provas físicas, passamos por pesquisa social e exame psicotécnico. Chegamos a informar os tamanhos dos sapatos e dos uniformes para o curso. Se o número é satisfatório, então por que realizar a seleção? Estão brincando com as nossas vidas", indaga Teresa Dias, uma das aprovadas. Carlos Santos, mais um que aguarda convocação, também questiona a GM-Rio. "É loucura essa falta de respeito com pessoas que buscam um sonho. Não há um cronograma. Gastam-se milhões contratando vigilantes terceirizados para fazer o serviço que é nosso por direito."
 
"Faço parte da primeira turma e, na época, o prefeito Eduardo Paes disse que contrataria os novos guardas municipais até junho de 2013. Larguei tudo e deixei de estudar para outros concursos. Prestei o concurso na intenção de obter estabilidade para mim, minha esposa e meus dois filhos. Estou indignado", protesta Claudio Castro. O concursado Rodrigo Costa corrobora com Claudio: "Este concurso é um desafio para todos nós. As atitudes das autoridades são desonestas, imorais e injustas. Estão fazendo pouco caso do nosso esforço."

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