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Antes de falar de concurso, Romário quer entender a situação do Rio

O candidato Romário Faria, do Podemos, concorre ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro e fala sobre suas propostas.


Ex-senador, empresário e formado em Educação Física, Romário Faria concorre ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro pelo Podemos. O candidato entende a necessidade de repor o quadro de pessoal das mais diversas áreas, mas quer entender primeiro os números do estado.

Para falar sobre suas propostas e projetos, o candidato concedeu entrevista por e-mail à FOLHA DIRIGIDA no Especial Eleições 2018.

A crise financeira do estado, de acordo com Romário, é resultado do desperdício de dinheiro e da presença de corrupção sistemática. Segundo ele, é preciso uma reformulação na gestão para que o estado volte a crescer e a receber investimentos.

"O Rio de Janeiro só vai voltar a crescer quando essa quadrilha que faliu o estado sair do governo. O Rio hoje não tem credibilidade, as pessoas têm medo de viver e investir aqui. Isso tem que acabar."

Romário comenta que o servidor público está pagando o preço pela grande corrupção instalada no estado. Exemplo disso são os atrasos de salários constantes ao longo dos últimos quatro anos. O candidato do Podemos quer fazer com que os servidores recebam seus salários em dia.

“No meu governo, te garanto que o servidor vai voltar a receber no dia 5 do mês. Vamos passar um pente fino na folha e valorizar o servidor. Tem gente muito boa no estado que anda desmotivada porque o governo não dá dignidade a quem trabalha.”

Segundo Romário, é preciso valorizar e respeitar, além de oferecer capacitação e atualização. Quase dois meses para as eleições, o Podemos só confirmou a candidatura de Romário em agosto, tendo como vice o deputado federal Marcelo Delaroli. Ex-jogador de futebol, o candidato luta para conquistar o seu terceiro cargo na política, após ter sido eleito deputado federal em 2010 e senador da república em 2014.

Romário quer retomar investimentos no estado do Rio (Foto: Divulgação)
Romário pretende valorizar o servidor público, caso assuma
o governo do Rio de Janeiro
(Foto: Divulgação)

'Nós vamos rever todos os benefícios e isenções fiscais'

Para a retomada do crescimento econômico no Rio de Janeiro, o candidato diz que irá rever todos os benefícios e isenções fiscais, pois, segundo ele, teve muito proveito sendo dado a empresas que não geraram empregos.

Ele considera que é preciso se preocupar sempre com o retorno financeiro que o estado terá com qualquer benefício ou investimento. Para que todo esse trâmite seja possível, o candidato promete ainda pensar no quesito segurança.

Outra ação importante vai ser em relação à segurança. Os empresários têm medo de investir no Rio. O empresário que tem que transportar uma carga no estado, tem que pagar segurança, tem que disfarçar a carga. Tudo isso encarece o preço, então ele prefere ir para o outro estado.

Sobre o Regime de Recuperação Fiscal, o candidato diz que cumprirá o acordo que o estado assinou com a União pois "o Rio precisa dele para voltar a crescer'.

Além disso, pretende manter manter o desconto da alíquota de 14% para o Rio Previdência. Romário considera ser uma medida recente e necessária para que as finanças do estado sejam colocadas em dia. Ressalta ainda que não haverá aumento no desconto.

Ele pretende, também, buscar outras maneiras para aumentar a arrecadação do Estado do Rio, como o investimento em tecnologias. "Se a gente dá celeridade ao processo, o estado arrecada mais e mais rápido. Na verdade, a gente vai rever muita coisa porque tem benefício demais, muita burocracia, muita sangria de dinheiro público."

Confira as propostas de Romário Faria para as principais áreas

⇒ Educação

Sobre as suas propostas para a educação, Romário enfatiza que há uma necessidade de inovação e tecnologia nas escolas, pois assim, o jovem estará preparado para as profissões do futuro. Dessa forma, ele quer criar a Escola da Geração Internet, além de buscar parceria com empresas importantes nesse processo de inovação.

A escola tem que ser mais atrativa para os jovens. A tecnologia que o jovem usa no dia a dia, como celular, aplicativo, tablet, ele tem que achar na escola. Vou procurar empresas como Google, Facebook, Apple, para fazer parcerias. Não adianta a gente ter uma educação que não prepare o jovem para as novas profissões."

Antes de falar sobre concursos para a área da educação como um todo, seja no magistério ou área de apoio, o candidato traz um discurso de cautela. Segundo ele, não dá para confirmar antes de entender a real situação e saber qual é a capacidade que o estado tem para contratar ou reajustar salários.

A gente sabe que o governo está quebrado, mas também sabe que tem muita maquiagem nesses números. Então a situação pode ser ainda pior.

⇒ Segurança

O candidato pretende colocar mais policiais na rua e aumentar o policiamente ostensivo, como melhorias para a segurança do estado. Romário considera que "a população está com medo."

Para isso, ele pretende diminuir o número de UPPs e colocar um efetivo de mais de 3 mil policiais nas ruas. Assim, considera que diminuirá o índice de roubo de cargas e carros, além de assaltos a mão armada.

"Não dá para falar em concurso sem tomar conhecimento da verdadeira situação do estado. Tenho consciência do déficit atual da Polícia Civil, mas a gente não pode esquecer que existe uma Lei de Responsabilidade Fiscal e que o estado está sem recursos. Meu governo vai ser pé no chão. Eu tenho procurado fazer uma campanha de acordo com a nossa realidade. Vocês não vão me ver prometendo coisas mirabolantes. Tem candidato que tem varinha de condão. Eu não tenho."

⇒ Saúde

"Se a gente tira as OS's, a Saúde para. Mas a gente não vai deixar hospital na mão de OS que não comprovar resultado, que não mostrar que está oferecendo ao povo um tratamento digno. Nesse momento, eu prefiro falar na geração de emprego, na revisão dos contratos, no combate à corrupção. Só assim a gente vai saber quem de fato trabalha e quem está no governo porque fez parte da quadrilha da atual administração."

⇒ Cedae

"A Cedae é uma garantia do acordo de recuperação fiscal. O que eu posso dizer é que pelo valor que ela está sendo avaliada hoje, eu não vou negociar nada."

Confira as entrevistas com os outros candidatos ao governo do Rio

⇒ Dayse Oliveira
⇒ Eduardo Paes
⇒ Marcelo Trindade
⇒ Pedro Fernandes
⇒ Tarcísio Motta
André Monteiro
Wilson Witzel
Anthony Garotinho
Indio da Costa

De Romário para os leitores da FOLHA DIRIGIDA

Eu nasci na favela, usei transporte público, pisei no esgoto, usei hospital público. Os problemas que a população enfrenta, eu senti na pele, não aprendi em livro. Sou o único candidato ficha limpa, que não participou dos esquemas que quebraram o estado. Eu não concorro com liminar. Se eu ganhar, eu vou assumir. Então a população pode confiar na minha palavra. Vou liderar a melhor equipe que esse governo já teve e vou fazer uma administração séria, pé no chão, voltada para quem mais precisa.

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