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\"Um dos projetos fundamentais é a criação do Conselho dos Trabalhadores Populares\"

Jair Pedro é recifense, tem 51 anos, é servidor público estadual e ex-diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social no Estado de Pernambuco (SindSaúde). É filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), sendo um de seus fundadores no estado.  

Jair Pedro é recifense, tem 51 anos, é servidor público estadual e ex-diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social no Estado de Pernambuco (SindSaúde). É filiado ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), sendo um de seus fundadores no estado.
 
FOLHA DIRIGIDA - Atualmente, Recife enfrenta diversos desafios. Está em uma das áreas metropolitanas mais densamente habitadas do país, apresenta deficiência com transportes, saúde e sobretudo infraestrutura, no tocante ao saneamento básico. Diante deste quadro, por que ainda assim, o senhor deseja ser prefeito?
Jair Pedro -
Queremos Recife para os trabalhadores, pois estamos crescendo economicamente. A capital acumula um índice considerável de desemprego e temos uma das passagens de ônibus mais caras do país, que chega até R$3,25. Logo, se Recife que cresce, mas não consegue resolver questões menores, nossa candidatura está justificada. Nosso governo priorizará as reivindicações dos mais pobres.

Quais são seus principais projetos para valorizar o servidor público municipal? O senhor os considera bem remunerados?
Um dos projetos fundamentais é a criação do Conselho dos Trabalhadores Populares para atender as reivindicações da classe. Os engenheiros também exigem o piso salarial desde 2008. Outra questão fundamental é o concurso público. O prefeito atual vem criando mecanismos, como as terceirizações e contratos precários, para não realizar seleções. O concurso é uma necessidade, principalmente para as áreas de Saúde e Educação.

Na sua administração, todas as vagas nas atividades-fim do serviço público serão ocupadas por concursados? Qual vantagem o senhor vê nisso?
Sim, e a minha gestão promoverá mais concursos. A abertura de seleção é primordial para atender aos princípios da administração pública, que é a moralidade e a legalidade. Isso é fundamental para termos um efetivo de qualidade e é um mecanismo que cria possibilidade de emprego. Muitos jovens formados não entram para o mercado de trabalho porque a prefeitura não abre caminho para contratá-los.

Quais os planos do senhor para a Educação? Apesar de ter havido uma redução, a taxa de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anos de idade ainda é alta, em comparação com algumas capitais brasileiras (7,13% em 2010). Quais medidas o senhor pretende adotar para melhorar a qualidade do ensino da rede municipal?
A primeira coisa é investir no ensino fundamental e construir creches. O Recife tem 117 mil crianças e destas, a prefeitura só atende a 6 mil. As escolas municipais estão sucateadas. Há professores lecionando em salas divididas com a cozinha. Temos instituições que foram bares ou restaurantes. Investiremos em infraestrutura. É necessário aplicar recursos em material pedagógico de qualidade, e em projetos para estimular os jovens a estudar.

O senhor vê necessidade de contratar mais professores, por meio de concurso? Pode garantir que na sua administração não haverá carência de professores?
Com certeza. Há um grande número de professores aposentados. O déficit é de 2 mil. A responsabilidade da má qualidade de ensino foi colocada nos docentes. Mas a responsabilidade é do governo, devido à falta de investimento. Por serem mal pagos, a maioria dos educadores trabalham mais de um turno para complementar a renda.

Segundo o IBGE, 74,6% dos estabelecimentos de Saúde do Recife são privados. O senhor considera este percentual justo? Quais são seus projetos para a área de Saúde?
Esse percentual é absurdo. Saúde não rima com lucro. A prefeitura investe muito nas chamadas prestadoras filantrópicas. Nossa ideia é bloquear a saída de recursos públicos para o setor privado. Contrataremos mais agentes comunitários de saúde e agentes de endemias. Também investiremos em Postos de Saúde da Família (PSFs) de qualidade. Estamos preocupados em fazer com que as pessoas não adoeçam. Nossa política é focada na prevenção.

Em quais áreas da administração municipal o senhor já detectou carência de pessoal? Haverá concursos para esses setores no seu governo?
Um dos setores mais carentes é o de Engenharia. No Recife, não existe uma empresa pública nesta área. Também há escassez na Saúde, Educação, como já citei, e na Guarda Municipal. Profissionais contratados temporariamente ou terceirizados, estão "reféns" dos políticos, pois dependem de carta de indicação. O que é um absurdo! O concurso é a forma mais ética de contratação. Qualquer prefeito deveria pensar assim.

Aumentar a arrecadação e gastar melhor o dinheiro público serão prioridades na sua gestão? Como isso será obtido? Há planos para reforçar o quadro da fiscalização fazendária e de outros setores, via concurso?
Pretendemos fazer uma política fiscal justa, com vistorias nos imóveis, para rever a situação do IPTU. Isso implica na contratação de engenheiros e arquitetos, por meio de concurso. Também é necessário melhorar a fiscalização e acabar com a sonegação. Para isso, vamos capacitar e investir nessa tecnologia de inspeção.

Quais os planos do senhor quanto à Mobilidade Urbana?
Nossa primeira medida será baixar o preço das passagens, para que elas cheguem a custar R$1. Outra medida é fazer com que haja gratuidade de ônibus para estudantes e desempregados. Também vamos propor transporte por ciclovias. Há ainda a valorização do transporte pelos rios, já que Recife é uma cidade fluvial. E queremos construir uma empresa pública de coletivos.

A estabilidade é apontada por alguns como impedimento para um serviço público eficiente. O que acha disso?
A estabilidade não é um obstáculo, e sim, um mecanismo de proteção. Ela garante a moralidade do serviço público. Investiremos no servidor. Posso garantir que haverá mais concurso em nosso governo.

Recife será sede de jogos da Copa das Confederações em 2013 e da Copa do Mundo Fifa em 2014. O senhor acredita que a cidade está se preparando bem para estes eventos? Ainda vê necessidade de investimentos públicos em determinadas áreas? Qual o legado que deve ficar para a população?
A Copa do Mundo na minha opinião tem uma importância, mas no Recife não seria uma prioridade. Pois temos hoje um quadro caótico na cidade, onde a população tem carência de uma série de serviços. Porém no ponto de vista do andamento das coisas, temos muitos atrasos e questionamentos. A prefeitura vem "higienizando" a cidade, atacando e tirando os camelôs das ruas. Além disso, existe a desapropriação de moradores mais pobres em certos pontos da cidade. Nenhum dos projetos foi discutido com a população, e o objetivo dessas obras é somente atender ao setor da economia e da construção civil, que é o que mais investe nas candidaturas dos demais candidatos. Queremos fazer obras que atendam à nossa população. Não sabemos de fato como os projetos estão colocados hoje, e se a população do Recife vai ser realmente beneficiada. A preocupação maior é com os turistas que vão chegar. Essas obras, como a Arena da Copa, nem toda a população vai ter acesso. Precisamos fazer que o Recife, como um todo, tenha transportes de qualidade, não só para atender à Copa do Mundo. Existe também a questão do esporte, que não recebe investimentos. Não temos infraestrutura nem projetos que o incentivem. Queremos construir quadras municipais por toda a cidade.

A sintonia com os governos federal e estadual deve continuar, a qualquer preço, ou Recife pode crescer sozinha?
Vamos sim, buscar junto com a população, recursos que o estado e o governo federal devem ao municipio. Se o nosso país tem um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 4 trilhões, não tem porque a população não ter recursos pra poder viver melhor. Não podemos fazer política em Recife, sem levar em consideração esses recursos.

Em relação ao turismo, como essa indústria pode contribuir para o fomento da economia da cidade e quais suas prioridades em relação a este setor?
Temos uma cidade belíssima cercada por rios que é chamada de "veneza pernambucana". Por isso, queremos estimular o turismo local. Temos uma série de artistas e artesãos, e a população do Recife deve fazer parte do Turismo. É necessário que o preço dos hotéis seja mais acessível, para que a população local também possa utilizá-los. Porque quando nós falamos em Turismo, pensamos muito nas pessoas que vem de fora para o nosso estado. Também vamos fortalecer o transporte pelos rios, e isso tudo vai movimentar a economia e fazer com que este setor avance. Temos uma capacidade turística muito grande, e vamos explorar isso da melhor forma.

Qual a opinião do senhor sobre a Lei de Acesso à Informação? Acredita que ela serve para mostrar a transparência de uma administração pública e que ajudará a diminuir a corrupção e desvios de dinheiro?
A Lei de Acesso à Informação é muito importante, pois ela vem para complementar o que a Constituição já dava espaço nesse sentido. O bom funcionamento dessa lei dependerá de fatores políticos. Então vamos ter que cobrar muito para que ela seja efetivada, mas é uma lei que veio para ficar, pois é uma reivindicação dos trabalhadores.

Em todas as eleições, vemos e ouvimos muitas promessas de melhorias. Mas nem sempre o candidato eleito prefeito cumpre suas promessas. O senhor é favorável ao Projeto de Lei Complementar 594/10 que torna inelegível por oito anos o político condenado por descumprir promessas de campanha? Quais as garantias que o senhor dá para a população de que cumprirá todas as suas metas?
Acho que essa Lei, em especial, é muito leve com os candidatos. Pois se ele descumpre alguma promessa, deveria ser imediatamente tirado de seu cargo, e não esperar que termine seus quatro anos de mandato. Defendemos a revogabilidade. Isso é uma questão do partido, não só do candidato, pois é ele que representa o partido, e essa lei só pune o candidato. É uma lei que levanta debates e que contribui para abrir os olhos da população.

Quais são os projetos do senhor para a área de Meio Ambiente?
Temos uma discussão muito elevada com relação a isso, porque essa questão passa também pela discussão do lucro. Temos um modelo de sociedade e economia que prioriza o lucro, e isso por si só, já prejudica o meio ambiente. Um exemplo é o Complexo Industrial Portuário (Suape), uma empresa em crescimento, mas que vem destruindo a natureza. Em Recife, temos um projeto chamado Via Mangue, que vai destruir uma área ambiental muito importante. Faltam projetos universitários, que são importantes. Queremos fazer um projeto ambiental com a população da cidade. Criaremos projetos para incentivar a reciclagem. Uma outra discussão é a preservação da mata Uchôa, remanescente da Mata Atlântica. Também queremos implantar formas de transporte que diminuam a poluição. É importante adotar uma política sustentável, para diminuir o impacto do desmatamento e retirada de minérios, por exemplo.

E quanto aos moradores de rua? Quais os planos do senhor para a inclusão social da população mais carente?
Em média, temos 50 mil imóveis desocupados. Precisamos mudar totalmente a política de moradia da cidade. Construir residências com dignidade, porque o que se constrói hoje com o projeto atual é para tirar as pessoas do centro de Recife e colocá-las para bem longe da cidade. Vamos regulamentar todas as ocupações que aconteceram em terrenos urbanos, e ao mesmo tempo, pretendemos também oferecer casas dignas, que é um projeto a ser pensado junto com engenheiros e arquitetos da prefeitura.

O que o senhor pretende fazer para aumentar a empregabilidade e a renda dos trabalhadores no município?
Construir e investir na infraestrutura do Recife e obras de saneamento básico, isso vai gerar muitos empregos. Também queremos fazer restaurantes públicos, que vão abrir vagas como cozinheiros, garçons, etc. A construção de creches também gerará emprego. Então, cada projeto nosso, vai de certa maneira, movimentar a economia da cidade. Sem falar nos concursos públicos, que vão gerar também muitas oportunidades.

Gostaria de deixar uma última mensagem?
A mensagem que deixo é que precisamos inverter as prioridades. Recife está crescendo, e isso é muito bom, porém queremos que todos sejam beneficiados, e não só uma parte da população. Queremos que os trabalhadores do Recife cresça também. Queremos uma cidade mais socialista, e não um Recife voltada para os lucros. Hoje, a saída é votar numa candidatura classista e socialista. E essa candidatura é a do PSTU.

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