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O compromisso do concursado é com a sociedade

Daniel Coelho é ambientalista e administrador formado pela Universidade de Pernambuco (UPE). Possui mestrado em Administração de Negócios Internacionais na Inglaterra. Foi eleito vereador em 2004 e 2008. Em 2010, foi o segundo deputado estadual mais votado do Recife. É filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Daniel Coelho é ambientalista e administrador formado pela Universidade de Pernambuco (UPE). Possui mestrado em Administração de Negócios Internacionais na Inglaterra. Foi eleito vereador em 2004 e 2008. Em 2010, foi o segundo deputado estadual mais votado do Recife. É filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).
 
FOLHA DIRIGIDA - Atualmente, Recife enfrenta diversos desafios. Está em uma das áreas metropolitanas mais densamente habitadas do país, apresenta deficiência com transportes, saúde e sobretudo infraestrutura, no tocante ao saneamento básico. Diante deste quadro, por que ainda assim, o senhor deseja ser prefeito?
Daniel Coelho - Observamos que há uma tentativa de enganar o eleitor, dando a expectativa de mudança do quadro negativo em que a cidade está. Os responsáveis pelos problemas que enfrentamos agora querem apresentaras soluções. Minha candidatura vem romper com isso, por entender que boa parte das adversidades ocorrem justamente pela forma como Recife vem sendo governada há anos.
 
Quais são seus principais projetos para valorizar o servidor público municipal? O senhor os considera bem remunerados?
Somando os cargos comissionados e terceirizados, chegamos a mais de 20 mil funcionários não concursados na prefeitura. Quem paga a conta é o servidor de carreira, que acaba desvalorizado, tanto na questão salarial, quanto na condição de trabalho. Para melhorar a qualidade do serviço prestado, consequentemente, valorizar o servidor, é importante que haja redução da estrutura de comissionados. É assim que melhoraremos a questão salarial. Com a diminuição do custo comissionado, teremos recursos para reconhecer o servidor.
 
Na sua administração, todas as vagas nas atividades-fim do serviço público serão ocupadas por concursados? Qual vantagem o senhor vê nisso?
Algumas funções comissionadas são necessárias. Mas, de imediato, diminuiremos essa forma de contratação em 50%, substituindo por concursados. Ao diminuirmos os terceirizados, garantiremos que a prefeitura não utilize sua estrutura de funcionários para fazer política. O compromisso político do concursado é com a sociedade. Por isso, é extremamente importante essa valorização.
 
Quais os planos do senhor para a Educação? Apesar de ter havido uma redução, a taxa de analfabetismo das pessoas com mais de 15 anosde idade ainda é alta, em comparação com algumas capitais brasileiras (7,13% em 2010). Quais medidas o senhor pretende adotar para melhorara qualidade do ensino da rede municipal?
Nos últimos anos, a Educação recebeu menos que os 25% determinados por lei. Em decorrência disso, temos uma infraestrutura deficitária e professores ganhando mal, mesmo com a economia do estado sendo a mais pujante do Nordeste. Melhoraremos a condição de trabalho dos professores, também com aumento da remuneração. Também implementaremos unidades em tempo integral, com atividades complementares, como esporte, cultura e lazer, algo que já é feito na rede estadual, e que, infelizmente, ainda não há no município. Queremos que os professores sejam os mais bem pagos do Nordeste, bem como é nosso objetivo implementar o máximo de escolas integrais.
 
O senhor vê necessidade de contratar mais professores, por meio de concurso? Pode garantir que na sua administração não haverá carência de professores?
Atualmente há um número enorme de professores terceirizados. Como a cidade investe apenas 22% do orçamento, ficamos com margem para aplicar na contratação de novos docentes. O objetivo é acabar com a falta de educador, principalmente nas disciplinas específicas como Física e Química, que apresentam carência em todas as escolas.
 
Segundo o IBGE, 74,6% dos estabelecimentos de Saúde do Recife são privados. O senhor considera este percentual justo? Quais são seus projetos para a área de Saúde?
O ponto crucial é a forma como ela é gerida. É difícil fazermos um sistema eficiente com o formato atual, onde cada unidade de saúde está desconectada das demais. Diante desse quadro, os nossos projetos correspondem a informatização do serviço, formando uma rede integrada de informação.
 
Em quais áreas da administração municipal o senhor já detectou carência de pessoal? Haverá concursos para esses setores no seu governo?
As áreas mais carentes são aquelas relacionadas a prestação de serviços: Saúde, Educação e Guarda Municipal. Eventualmente, surge escassez nas áreas administrativas, mas as áreas-fins serão as prioridades do meugoverno.
 
Recife será sede de jogos da Copa das Confederações em 2013 e da Copado Mundo Fifa em 2014. O senhor acredita que a cidade está se preparando bem para estes eventos? Ainda vê necessidade de investimentos públicos em determinadas áreas? Qual o legado que deve ficar para a população?
Recife não está preparada para esses eventos. Temos graves problemas no trânsito e na mobilidade que mostram nossas fragidades na questão do transporte público e das calçadas. A mobilidade urbana tem ficado no discurso, pois nenhum tipo de prevenção tem sido feita para mudar essa realidade. Precisamos inverter a lógica da comunicação governamental que tem sido utilizada apenas em benefício da figura do prefeito e que não traz conceitos de educação ambiental e de respeito ao espaço público. Essa é a primeira inversão que pretendemos fazer focados nos eventos internacionais. Assim, traremos novos conceitos de civilidade e de educação ambiental para a cidade. Portanto, o primeiro legado que devemos deixar é uma visão de cidade mais justa, mais solidária, onde as pessoas respeitam os espaços públicos e o meio ambiente.
 
A sintonia com os governos federal e estadual deve continuar, a qualquer preço, ou Recife pode crescer sozinha?
A sintonia é importante. Porém, o governo estadual e federal farão parcerias com Recife independente do prefeito. Quem ganhou a eleição para governar o estado é responsável por governar o Recife, que é a capital, e está dentro do estado. Portanto, ela deve ser contemplada com ações das outras esferas governamentais. A história do Recife teve momentos de parcerias mais sólidas entre outros governos, mesmo quando prefeito e governador eram de partidos diferentes. O importante é que tenhamos um governo municipal ágil, com competência para utilizar os recursos disponíveis das outras esferas.

Aumentar a arrecadação e gastar melhor o dinheiro público serão prioridades na sua gestão? Como isso será obtido? Há planos para reforçar o quadro da fiscalização fazendária e de outros setores, via concurso?
A ideia de diminuir o número de terceirizados, tem o objetivo de otimizar os recursos públicos, reduzindo a transação política do dinheiro da população, e garantir mais eficiência. Assim, a máquina pública será mais ágil, moderna e com mais servidores.
 
Em relação ao turismo, como essa indústria pode contribuir para fomento da economia da cidade e quais suas prioridades em relação a este setor?
O turismo tem perdido muito espaço na Região Nordeste, devido a falta de qualidade de vida. O turista não quer vir para uma cidade suja, mal iluminada, violenta e com trânsito caótico. Quando atacarmos as questões inerentes a qualidade de vida do povo, evidentemente estimularemos a vinda de turistas para cá. Boa Viagem e Recife Antigo, por exemplo, bairros que recebem mais atenção dos turistas, são necessárias medidas em relação a segurança, iluminação e monitoramento por vídeo. Também é preciso preparar os jovens para os grandes eventos que acontecerão, melhorando o ensino de língua estrangeira, que ainda é precário. Montaremos núcleos de formação de idiomas, além da criação da Guarda Municipal do Turista, que será diferenciada, colocada em pontos específicos, normalmente os mais frequentados pelos visitantes. Ela será formada em inglês e espanhol, funcionará como um guia e prestará consultoria aos visitantes.

Quais os planos do senhor quanto à Mobilidade Urbana?
A mobilidade está relacionada a questão da mudança cultural. Para mudarmos essa cultura, precisamos conscientizar a população de que o transporte individual não é a melhor saída. Nossos planos correspondem a implantação da TransRecife que trará os ônibus em corredores exclusivos e bilhetagem antecipada, ciclovias integradas além da construção de teleféricos nos morros de difícil acesso.
 
Qual a opinião do senhor sobre a Lei de Acesso à Informação? Acredita que ela serve para mostrar a transparência de uma administração pública e que ajudará a diminuir a corrupção e desvios de dinheiro?
É importante que a população tenha acesso a tudo que acontece nas contas públicas. Mas se a prefeitura tiver a intenção de ser transparente, o ideal é que as informações sejam disponibilizadas na internet, para que não haja necessidade das pessoas requisitarem os dados fiscais ou de execução de obras, por exemplo. É importante que o poder público responda os questionamentos do cidadão. Sobre o fato de ajudar a diminuir a corrupção e desvios de dinheiro, espero que sim. Mas para isso acontecer, é necessária participação popular. A lei em si não garante. Quem garante é a população, através da sua participação, cobrança, fiscalização e acompanhamento das ações do poder municipal.
 
Quais são os projetos do senhor para a área de Meio Ambiente?
Nosso plano de governo coloca a questão ambiental como tema central. O primeiro grande desafio, é a compreensão de que as ações dessa área não podem ser isoladas, partindo somente de uma Secretaria de Meio Ambiente ou de um grupo de ambientalistas. A decisão de todas as áreas do governo, seja ela qual for, deve contemplar a questão ambiental e a sustentabilidade. Só assim conseguiremos ter uma cidade ambientalmente correta. A educação ambiental precisa ser encarada como prioridade do governo. Faremos isso com uma verba de comunicação e publicidade já disponível para a prefeitura. Em 2009, foram investidos R$14 milhões em comunicação e publicidade. E essa verba aumentou, pois em 2012 o gasto já chegou a 16 milhões. Em nosso governo, o foco dessa verba será diferente. O nosso intuito, é empregá-la na construção de conceitos de cidadania, de convivência urbana, de respeito ao espaço público e educação ambiental. O novo foco dado à comunicação fará com que as pessoas absorvam novos conceitos de convivência urbana.
 
E quanto aos moradores de rua? Quais os planos do senhor para a inclusão social da população mais carente?
Atualmente, temos sete centros sociais urbanos abandonados. São prédios antigos, que foram completamente esquecidos e estão localizados em áreas de vulnerabilidade, de risco, em bairros teoricamente violentos. Acima da média da cidade. Inicialmente, não há necessidade de abrir novos locais. Recuperaremos esses espaços, trazendo dignidade a esses jovens, idosos, mães de família, ou seja, pessoas que precisam de uma área de convívio social. Também é importante o combate ao crack, um problema recente e que deve ser combatido imediatamente.
 
O que o senhor pretende fazer para aumentar a empregabilidade e a renda dos trabalhadores no município?
Recife tem vocação para serviço e comércio. O Porto Digital e o Pólo Médico são duas áreas estáticas. O Porto Digital do Recife é um dos pólos de tecnologia reconhecidos mundialmente. A cidade já foi fornecedora de mão-de-obra de ponta para área de tecnologia em diversos países do mundo e recebe profissionais de todo o Brasil, pois há a compreensão de que aqui realmente existe um centro de produção nesse sentido, que produz software que acabam sendo utilizados por grandes multinacionais, funciona quase que espontaneamente, por iniciativa de empresas privadas. É necessário que esse pólo, por exemplo, receba estímulo público. Além disso, precisamos de agilidade na abertura de novas empresas, incentivando os empreendedores. O mesmo ocorre com o Pólo Médico. Ele serve a todo Nordeste e também funciona sem nenhum estímulo público. Há muita reclamação sobre a morosidade para legalização das empresas, o que evidentemente afeta o comércio e os demais serviços. Estimularemos as empresas que utilizam tecnologia sustentável. A cada ano, surgem novas regras e leis, sendo que muitas delas são impossíveis de serem cumpridas. Vivemos uma realidade onde a prefeitura não dá licença de funcionamento a quase nenhuma empresa e também não as fecha, ficando em cima do muro, cobrando IPTU e ISS. Isso atrapalha a geração de empregos.
 
A estabilidade é apontada por alguns como impedimento para um serviçopúblico eficiente. O que acha disso?
Discordo. A estabilidade é a garantia para que o serviço público não seja utilizado politicamente. Hoje, precisamos estimular o servidor estável, para que ele cresça profissionalmente. É preciso implantar um plano de cargos e carreiras que dê a ele a compreensão de que com um bom desempenho, é possível avançar, estimulando-o a produzir mais.

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