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Crivella: concursos em todas as áreas e transparência nas OSs

Candidato do PRB, Marcelo Crivella traz na bagagem de homem público a experiência de mais de dez anos como senador da República, tendo sido ainda ministro da Pesca e Aquicultura do governo Dilma Rousseff. É também graduado em Engenharia Civil, com mestrado pela Universidade de Pretória, na África do Sul. Ele é o entrevistado da vez na série feita com os candidatos a prefeito do Rio de Janeiro.

Candidato do PRB, Marcelo Crivella traz na bagagem de homem público a experiência de mais de dez anos como senador da República, tendo sido ainda ministro da Pesca e Aquicultura do governo Dilma Rousseff. É também graduado em Engenharia Civil, com mestrado pela Universidade de Pretória, na África do Sul. No Rio, 11 candidatos disputam a prefeitura, e mostram aqui os seus planos. Assim, a FOLHA DIRIGIDA Online já publicou as entrevistas de , , , , , , e .
 
Assim como os demais candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, Crivella foi convidado a comparecer ao estúdio da FOLHA DIRIGIDA para conceder a entrevista sobre suas propostas de governo, porém, optou por responder às perguntas por e-mail. O candidato afirmou que fará um mapeamento das carências na prefeitura e realizará “concursos regulares para todas as áreas”. No entanto, ele fez a ressalva de que a abertura das seleções estará vinculada à situação financeira do município. “Hoje, não sabemos a realidade”, afirmou.
 
Prometeu, entre outras coisas, a criação de 20 mil vagas em creches e 40 mil em pré-escolas, até 2020, por meio de parceria público-privada. Crivella, porém, não abordou como se dará a contratação de profissionais para atender a essa nova demanda. Com relação às organizações sociais (OSs), um dos temas mais sensíveis da administração municipal, avaliou que não é possível cancelar os contratos existentes, sob pena de prejudicar o atendimento à população, mas prometeu maior fiscalização e transparência.

FOLHA DIRIGIDA - A crise econômica vem afetando a maior parte dos estados e municípios. Que ações o senhor pretende tomar para manter em ordem as finanças da prefeitura e garantir a realização de todos os seus compromissos de campanha?
Marcelo Crivella -
O cenário que a prefeitura mostra é muito diferente da realidade. A saúde, por exemplo, perdeu quase R$1 bilhão em quatro anos. Recursos que foram aplicados para o prefeito brilhar sozinho na Olimpíada. Houve um inchaço de servidores não concursados no gabinete do prefeito e em algumas secretarias. Como a prefeitura do Rio pode ter 29 secretarias? A recuperação das finanças começa com o enxugamento da máquina, gastando de forma mais responsável, com um modelo de gestão voltado para cuidar das pessoas. A dívida pública líquida do município aumentou quase 40% entre 2012 e 2015. Essa é uma situação preocupante, que vamos cuidar com um secretariado técnico, porque o dinheiro público tem que ser tratado com extrema responsabilidade. Tivemos um período de muitas obras, algumas mal feitas, como a ciclovia da Niemeyer e o novo Elevado do Joá, mas agora chegou a hora de cuidar das pessoas.

As finanças da prefeitura, e as perspectivas, permitem prosseguir com a política de valorização salarial dos servidores?
Com o trabalho que iremos fazer, certamente. O servidor será valorizado, bem tratado e, principalmente, ouvido. Mas vamos cobrar. Cobrar eficiência, cobrar resultados. Vamos trabalhar com metas de produtividade. Se não tivermos metas, o cidadão nunca ficará satisfeito com a qualidade dos serviços, e o cidadão paga impostos para ter saúde, educação e serviços de qualidade. Vamos ampliar também o programa Acordo de Resultados, para premiar ao fim de cada ano com salários adicionais, além do 13º, os mil servidores que melhor atingirem suas metas de desempenho.

Uma das formas para aumentar a arrecadação é contratar mais fiscais. No entanto, desde 2010, a prefeitura não realiza concurso para a carreira. Está nos seus planos o reforço de pessoal nessa área?
Certamente vamos reforçar essa área. É o primeiro passo para arrecadarmos com lisura, com transparência. Temos que trazer recursos para a prefeitura em cima do trabalho sério dos fiscais. Mas seria precipitado da minha parte falar agora em concursos sem entender a real situação financeira do município. Minha ideia como prefeito é realizar concursos, sim. Desde que sejam viáveis do ponto de vista financeiro.

Há mais de 20 anos a prefeitura não faz concursos para fiscais de atividades econômicas, os chamados fiscais de posturas. Falta, na sua visão, uma fiscalização mais intensa da ocupação pública e dos estabelecimentos comerciais? A abertura de concurso para essa carreira fará parte de sua eventual gestão?
Como disse anteriormente, sem conhecer a fundo as finanças do município, acho precipitado prometer a realização de concursos, pelo menos a curto prazo. Mas faremos concursos quando nossas finanças estiverem equilibradas, e não maquiadas, como hoje. Em relação aos fiscais de posturas, acredito que precisamos rever a fiscalização. A prefeitura tem que ser rigorosa com abusos, com exageros. O que é público é para todos, e não podemos tolerar privilégios. O dono do comércio tem que respeitar o pedestre, a rua, o que é do bem comum. Na verdade, a prefeitura tem que cobrar de todos os setores o respeito às leis e normas do município.

Quais são seus planos para a gestão dos recursos humanos na área de Saúde? O senhor pretende manter a política de contratação de pessoal por meio de organizações sociais ou vai priorizar as contratações por meio de concurso? Nesse caso, as contratações serão pelo regime estatutário ou via CLT, como é o caso da RioSaúde?
As organizações sociais são importantes no atendimento em determinadas áreas da cidade, que são mais distantes. Nós não podemos cancelar os contratos e deixar a população sem atendimento. Acima de tudo vêm o bem-estar e a saúde das pessoas. As OSs precisam é de fiscalização. Não vamos tirar emprego de quem trabalha em OS. Vamos é fiscalizar o patrão, o dono da OS, para que não se repitam os casos de corrupção que vimos recentemente. Vamos analisar todos os contratos e ver como está o desempenho das unidades administradas pelas OSs, e recuperar todo o dinheiro que o atual prefeito tirou da saúde para aplicar na Olimpíada, que, reafirmo, foi um sucesso. A prefeitura deve ser mais transparente e zelosa com o dinheiro do cidadão. É assim que vamos valorizar o serviço público e o servidor.
 
Clique e leia a segunda parte da entrevista

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