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Concurso Polícia Civil-BA: candidatos acionam MP por correção de provas

Candidatos do concurso da Polícia Civil da Bahia se reuniram para denunciar supostas irregulares na correção da prova objetiva ao MP-BA.

O concurso da Polícia Civil da Bahia tem mesmo dado o que falar! Depois de sofrer um pedido de suspensão do Ministério Público por indícios de fraude, agora é a correção das provas objetivas que tem causado repercussão. Segundo os candidatos do concurso, a banca Vunesp não teria seguido os critérios de correção estabelecidos no edital.

A principal reclamação dos candidatos está ligada aos pontos que foram atribuídos a cada uma das questões. O edital de abertura do concurso dá a entender que a prova objetiva valeria 100 pontos no total, já considerando tanto as questões de conhecimentos gerais quanto específico.

Além disso, foi estabelecido que, para ser considerado aprovado nesta etapa, era necessário alcançar 70 pontos. O entendimento principal era de que, então, era preciso acertar 70 das 100 questões da prova.

Polícia Civil da Bahia: MP pede suspensão do concurso
(Foto: Divulgação/Polícia Civil da Bahia/SSP/Alberto Maraux)

No entanto, ao checar o resultado preliminar da prova, divulgado em 25 de maio no site da Vunesp, os participantes notaram que, na verdade, a avaliação totalizou 200 pontos. “O edital foi omisso ao não informar que as provas objetivas iriam valer 200 pontos”, aponta um dos candidatos.

Com isso, as 30 questões de Conhecimentos Gerais totalizaram peso de 3,33 pontos cada uma. Enquanto as 70 questões de Conhecimentos Específicos registraram peso de 1,43 por questão. ”O edital não menciona em nenhuma linha o peso de cada questão, muito menos que as questões de Conhecimentos Gerais possuem o dobro do peso de Conhecimentos Específicos”, diz outro participante.

Com essa divisão de pesos, não há mais uma relação direta entre números de acertos e quantidade de pontos alcançados. O que, segundo os candidatos, seria injusto. Foi isso que explicou outro candidato do concurso PC-BA.

“É importante ressaltar que a ambiguidade e a falta de clareza nos quesitos da correção da prova objetiva prejudicou diversos candidatos, visto que a utilização do método de avaliação com pesos influenciam diretamente no resultado geral.

Utiliza-se como exemplo o concurso para delegado, que tem 80 vagas:

CLEBERTON FREITAS BARRETO acertou 69 questões e ficou na CLASSIFICAÇÃO - 06

JOSE HUMBERTO DA SILVA SOARES acertou 70 questões ficou na CLASSIFICAÇÃO – 83

O método de correção favoreceu Cleberton Freitas e prejudicou José Humberto. Visto que em nenhum momento foi especificado que as questões tinham pesos diferentes. O edital foi totalmente omisso ao não informar que as provas objetivas iriam totalizar 200 pontos.”

Ministério Público já foi acionado para intervir

O Ministério Público, que já está investigando o concurso da Polícia Civil da Bahia por denúncias de fraude, desta vez foi acionado por outro motivo. Assim como informou uma candidata ao cargo de investigador de polícia à FOLHA DIRIGIDA, diversos participantes estão enviando representações ao órgão.

A representação, que apresenta os motivos pelos quais os candidatos consideram que a correção foi equivocada, já foi enviada por diversos participantes.

“Não consigo precisar o número exato de pessoas que enviaram essa representação, mas temos um grupo no WhatsApp com 140 pessoas e muitas delas já fizeram isso”, esclarece a candidata.

Segundo a participante do concurso PC-BA, o Ministério Público, inclusive, já teria entrado em contato com os candidatos e informou que estariam recolhendo as denúncias nesta terça-feira, 29. O órgão também solicitou todos os documentos necessários e informou que daria encaminhamento as representações.

Candidatos acusam ambiguidade em edital

Nas redes sociais, o assunto tem sido fortemente discutido pelos participantes. Em um grupo do Facebook destinado ao concurso da Polícia Civil da Bahia, diversos candidatos opniram sobre a situação. Veja alguns deles:

Max Silva - “O edital não foi claro como deveria ser. Causou desentendimento tanto nas empresas de cursinhos quanto nos candidatos. A maioria pensou que os pesos das questões seriam iguais”.

Alam Kristiam - “Imagina um delegado aprovado em um concurso onde o conhecimento preponderante não é jurídico. Sobrepesaram conhecimentos gerais sem previsão editalícia.”.

Pablo Jp - “A banca mudou o critério de avaliação sem retificar o edital. O critério de pontuação utilizado no concurso de professores do governo da Bahia é idêntico ao da Polícia Civil. Contudo, ao perceber que, no concurso da Polícia Civil, não iria preencher o número de vagas, a banca mudou a interpretação indo de encontro aos seus editais anteriores que estipulava o mesmo critério”.

FOLHA DIRIGIDA entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da banca responsável pelo concurso, a Vunesp, e ainda aguarda o retorno da organizadora, que encaminhou os questionamentos para a equipe técnica.

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