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Casos de Sucesso: Juiz do STM relembra quatro reprovações antes de chegar lá

Casos de Sucesso: Juiz do STM relembra quatro reprovações antes de chegar lá

Juiz do STM, Cláudio Amim largou a advocacia para investir na carreira pública. Confira a história do magistrado em mais um 'Casos de Sucesso'.

Ser juiz pode ser o sonho de muitos concurseiros. Mas conseguir realizá-lo não é uma tarefa fácil, pois exige muito preparo e foco dos candidatos, ainda mais levando-se em consideração que a seleção é extensa. Mas foi esse o caminho que Cláudio Amin Miguel, de 50 anos, trilhou e hoje tem a magistratura como uma missão.
 
O servidor público é juiz do Superior Tribunal Militar há mais de 20 anos e contou à FOLHA DIRIGIDA um pouco de sua trajetória. Segundo ele, após ter ingressado na carreira, recebeu mais responsabilidades, sua vida passou a ter mais deveres do que direitos, pois a profissão exige muita entrega.
 
 
O juiz atua na Justiça Militar da União, na 1ª Circunscrição Judiciária Militar, que abrange os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e é o personagem da coluna Casos de Sucesso desta semana, na qual conta os caminhos que percorreu até chegar ao sucesso da aprovação.

Dificuldade na advocacia levou a carreira pública

Cláudio Amin, juiz do Superior Tribunal Militar
Juiz Cláudio Amim
(Foto: Arquivo Pessoal)
Cláudio Amim escolheu a carreira pública devido a dificuldade de advogar. Bacharel em Direito, ele acabou se desanimando com a carreira e decidiu investir em algo que lhe trouxesse uma estabilidade profissional.

Para concorrer ao cargo de juiz do Superior Tribunal Militar, é preciso de nível superior em bacharelado em Direito, além de três anos de experiência na atividade jurídica que devem ter sido exercidas após a conclusão do curso. Além disso, ele precisou fazer uma reformulação para se adequar a realidade de um concurseiro.

Escalada para a aprovação

O entrevistado conta que já estava advogando quando decidiu investir na carreira pública, mas que algumas disciplinas não dominava tanto, e que precisou de uma reciclagem para conseguir um resultado satisfatório.
 
Cláudio conta que resolveu escolher um curso preparatório, que foi um diferencial na sua jornada. O curso abrangia todas as matérias necessárias, das mais gerais até a específica, e era extensivo.

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Cláudio Amin conta que conseguiu administrar uma condição financeira favorável para largar a carreira profissional que levava na época para se dedicar somente aos estudos. 
 
"Aos poucos, repassei todas as ações que eu advogava para um colega, e decidi me dedicar somente aos estudos para o concurso público. Tive esse privilégio, graças a Deus. Mas sei que nem todo mundo consegue ou pode tomar essa mesma decisão", lembra.
 
Além de poder se dedicar somente aos estudos, outro fator que foi fundamental para a aprovação do agora juiz foi o apoio da família e amigos. Ele diz que eles sabiam de toda a dificuldade da empreitada, mas foram a favor de todas as decisões tomadas. "Recebi muito estímulo mesmo, o apoio deles foi essencial", revelou.
 


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Primeiras reprovações não foram motivos de desânimo

A primeira tentativa do bacharel em Direito foi um concurso para o Ministério Público, mas acabou sendo reprovado na primeira fase. Como uma reprovação não pode te abalar, ele não desistiu.
 
Cláudio tentou novamente ser servidor do Ministério Público Estadual, mas também não foi aprovado. Dessa vez, ele conta que caiu na segunda fase, sendo reprovado na prova de Direito civil e Processo Civil.
 
Se você pensa que acabou, não mesmo. O concurseiro não desistiu e continuou tentanto. Batendo na trave mais uma vez, ele revela que foi reprovado em um concurso da Justiça Militar da União, e em um outro para promotor de justiça.
 
 
O servidor público do STM conta que a sua primeira aprovação foi para promotor de justiça, em setembro de 1997. Mas naquele mesmo período havia realizado seu segundo concurso para a Justiça Militar da União. Dessa vez, obtendo sucesso.
 
Em dezembro daquele mesmo ano, decidiu ir para o Superior Tribunal Miltiar e iniciou a sua carreira como magistrado. Ele revelou que não desistiu na primeira reprovação, pois aquele era o seu sonho. Quando foi anunciado o concurso para o STM novamente, ele decidiu tentar e conseguiu chegar até o sucesso.
 
"Quando foi anunciado o concurso para a Justiça Militar novamente, fiz novamente a inscrição e passei a me dedicar somente para aquele concurso. Fiz isso porque não exigia o Direito civil, Processo civil e comercial. Resolvi estudar especificamente para o concurso, resolvi me dedicar exclusivamente para ele."

Escolha por MP e STM veio do sonho pela área criminal

Cláudio conta ainda que escolheu esses concursos pelo desejo que tinha de atuar na área criminal. "Essa é a área que eu gosto", disse. Segundo ele, no Superior Tribunal Militar são julgados os crimes militares, então ele acabou realizando um sonho com a aprovação no concurso.
 
 
O agora concursado fala que estudou por um bom período sozinho, mas depois decidiu investir também nos estudos em grupo. Porém isso aconteceu mais na fase final das etapas. Ele comenta que precisava se atualizar, fazer uma reciclagem dos conteúdos e ter uma base melhor.
 
"Quando eu já estava para ser aprovado, na prova oral, aí sim eu passei a estudar em grupos, principalmente aos finais de semana. Durante a semana eu estava sozinho. Era uma forma de dar uma renovada no gás."

Juiz aconselha focar para passar

Para conseguir a aprovação foi preciso abdicar da vida social e dar uma trégua na antiga rotina. Ele comenta que optou principalmente por largar a vida noturna. Entretanto, garante que é preciso ter momentos de descanso. Um cinema, jantar, ou algo leve é essencial para aliviar o estresse da rotina cansativa.
 
"Uma academia durante uma hora por dia também ajuda a desafogar um pouco, porque não é bom ficar só estudando. Tudo bem que cada um tem um jeito, mas pode ser pior. Você precisa arejar um pouco a mente para poder seguir em frente."
 
 
O juiz revela ainda que o início como magistrado foi como toda nova experiência, uma preocupação acima do normal. Ele comenta que as responsabilidades começam a chegar, e são responsabilidades muito grandes.
 
"A gente começa a perceber que o que a gente estuda na teoria nem sempre é o que acontece na prática. Mas com o tempo e com a ajuda de colegas, que passei a consultar, você vai obtendo aquela segurança necessária para atuar", diz.

De advogado com poucas perspectivas a juiz e docente

Por fim, Cláudio diz que esse foi um grande sonho realizado e que possibilitou começar também uma nova fase de sua vida. Atualmente, agrega uma outra responsabilidade: a de lecionar. A carreira pública abriu as portas para o magistério e hoje ele é professor de curso preparatório para concursos nas disciplinas de Direito Penal MIlitar e Direito Processual militar além de pós graduação em Direito Militar.
 
"Isso foi muito bom, além de atuar como magistrado atuar como professor é uma experiência muito boa. Uma mensagem que eu deixaria é: se tem um sonho não desista. Uns passam no primeiro concurso, enquanto outros levam mais tempo. O importante é ter disciplina e força de vontade, estabelecer uma rotina de estudos, uma quantidade de horas mínimas e ter também o seu tempo de descanso", diz.

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