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Casos de Sucesso: da favela para 11 aprovações em concursos

Casos de Sucesso: da favela para 11 aprovações em concursos

Vencendo a violência e dificuldade educacional da rede pública, aprovada em oito concursos conta sua trajetória.

*Matéria atualizada em 21/05/2018, às 18h05

Fé, determinação, foco, paciência, persistência, planejamento, querer verdadeiramente e autoconhecimento. Esses foram alguns dos princípios que Sônia de Souza Neves, nosso "Casos de Sucesso" desta semana, seguiu para alcançar sua sonhada vaga na carreira pública. Moradora da Cidade de Deus, aluna de escola pública e filha de pais analfabetos funcionais, o caminho de Sônia foi cheio de obstáculos. 

Sônia Neves - Foto: Arquivo Pessoal
Sônia Neves venceu as dificuldades e é um Caso de Sucesso
(Foto: Arquivo Pessoal)

"Apesar de tudo, inclusive do analfabetismo dos meus pais, que sempre nos incentivou a estudar, fui aprovada, classificada e nomeada nos concursos Prefeitura do Rio de Janeiro, Auxiliar de cartório, Auxilar Judiciário, Analista judiciário, Oficial de Justiça, UERJ e TRE", conta ela.

A servidora também passou para os concursos CVM, Comissário de menores e Câmara dos Deputados, no entanto nesses não foi nomeada.

Além das dificuldades educacionais, ela também enfrentou a violência do Rio de Janeiro. Sônia conta que  quase se tornou estatística de bala perdida.

"Fiquei no meio de um tiroteiro, com duas vítimas fatais. Infelizmente, uma delas foi o meu primo que morreu do meu lado. Éramos apenas dois adolescentes voltando para casa...", lembra.

Mesmo com todas as dificuldades, ela não desistiu e, a pedido da FOLHA DIRIGIDA, conta sua história de superação!

A primeira aprovação em concurso

Filha mais nova com 11 irmãos, Sônia começou cedo sua trajetória de concurseira. Ela conta que na rua ouvia que não seria fácil, afinal a escola era pública e precária. Porém em casa sempre contou com o apoio dos pais. 

"Em alguns dias não havia aula por falta de professores, em outros, era a violência que impedia os alunos de estudar. Jamais disseram que seria fácil, só me ensinaram que era possível. Eu optei em não ouvir o mundo de fora, ignorei os acomodados e saltei os obstáculos que eram colocados", diz.

Por isso, ao se formar no segundo grau para formação de professores teve a primeira experiência em concurso público, aos dezoito anos. " Fui aprovada no magistério do Município do Rio de Janeiro. Ali estava uma menina de 45 quilos adentrando um CIEP para ministrar aulas para adolescentes de 13,14 anos com o dobro do meu tamanho! O fato de meus alunos serem quase todos maiores e mais fortes do que eu, não impedia que houvesse respeito por mim", afirma.

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Os próximos passos na carreira pública

Em seguida, a já servidora da Educação prestou vestibular para Biblioteconomia, vendo na área a chance de possuir um diploma universitário, ingresando na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

"Estudante de Biblioteconomia, moradora de uma república universitária, professora municipal e estagiária, dividia o meu dia entre a faculdade, o estágio, o CIEP e as tarefas da república. Ao término do bacharelado, aproveitei o encerramento deste ciclo e decidi que seria uma boa oportunidade para recomeçar. Queria deixar o magistério, pois estava desmotivada com a falta de estrutura e a baixa remuneração", conta.

Sônia então pediu exoneração, arregaçou as mangas na procura de um novo emprego e abraçou a oportunidade que apareceu. Com isso, deixou de ser professora e passou a vender tapetes importados em uma loja de decoração, num shopping center do Rio de Janeiro.

"Você deve estar se perguntando: será que ela não teve medo? Claro que tive! Mas tenho certeza de que o medo, além de fazer parte das nossas decisões, também nos faz caminhar e buscar novas saídas. Ele nos limita e nos impulsiona. O importante é a consciência de que as nossas escolhas têm consequências. Por isso é tão necessário ter autoconhecimento e planejamento", diz.

Neste período decidiu fazer outra graduação e assim o Direito entrou em sua vida. "Foi uma época de bastante aprendizado, tanto em Biblioteconomia quanto em Direito. A gestão da biblioteca envolvia muito mais aspectos de gerenciamento do que conhecimentos técnicos, e o Direito me abria novas possibilidades", explica

Graduação em Direito (Foto: Pixabay)
Sônia iniciou o curso de Direito (Foto: Pixabay)

Enquanto cursava Direito prestou concurso para o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. O concurso se dividia em duas fases: teórica e prática, e Sônia ficou reprovada na prova de datilografia. "Não foi uma decepção, mas aprendi uma lição. Como não acreditei que pudesse passar na prova teórica, não me preparei para a prova prática", diz.

O retorno ao mundo dos concursos

Poucos meses após a formatura, a concurseira foi demitida de seu emprego e decidiu voltar a focar em concursos. Tentou uma seleção na cidade de Hortolândia, São Paulo, que acabou sendo cancela, então resolveu focar em concursos do Estado do Rio e os federais. 

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