Lideranças femininas se destacam na pandemia, mostra especialista

Pandemia destaca lideranças femininas como mais assertivas. Relação entre empatia e proteção estão no centro do enfrentamento à crise.

15/10/2020 14:35 | Atualizado: 15/10/2020 14:40

15/10/2020 14:35 | Atualizado: 15/10/2020 14:40

A pandemia do novo Coronavírus trouxe grandes desafios para empreendedores. Mas com ela também surgiram diversas reflexões envolvendo gestão de crises, lideranças e comportamento. 

Durante esses últimos meses, o escritor e palestrante especialista em Liderança e Transformação Digital, Andrea Iorio, observou que as lideranças que mais se sobressaíram foram as femininas. 

“Em um contexto de grande incerteza e de grande instabilidade, as mulheres demonstraram ser muito mais assertivas, resolutas e bem sucedidas do que os homens nesses momentos difíceis."

Em sua avaliação, ele dá alguns exemplos:

Jacinda Ardern. A primeira-ministra da Nova Zelândia, país que provavelmente teve a melhor resposta ao vírus em todo o mundo, com baixíssimo índice de contágio.

Angela Merkel. A Alemanha também respondeu muito bem com sua chanceler que, nas palavras de Iorio, “é sempre muito firme e resoluta em encarar o problema como ele realmente era, desde o começo”. 

Luiza Helena Trajano. No Brasil, o especialista destaca a dona do Magazine Luiza entre líderes empresariais. Ela, de fato, liderou a varejista nesta fase difícil, conseguindo valorizar a marca mais do que o dobro. 

O especialista ainda cita outros exemplos muito fortes nesse estilo de liderança como a pesquisadora Brené Brown e a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. 

"Embora muita gente ache que ser primeira-dama presidencial não é um cargo, a realidade é que, na maioria dos países ocidentais, é essa a figura responsável por instaurar ou fortalecer as políticas sociais do governo vigente. Nesse sentido, Michelle foi essencial para o combate ao racismo estrutural nos EUA, especialmente no meio corporativo. Já Brené é um dos melhores exemplos de liderança feminina e empatia que existem hoje, talvez porque ela seja um dos principais expoentes dos papos sobre essa característica em altos cargos."

 

Lideranças femininas
Especialista destaca lideranças femininas na crise
(Foto: Reprodução/ Pixabay)

Por que as mulheres se destacam na pandemia?

O ponto em comum entre todos esses exemplos de liderança acima é: a união entre coragem, firmeza e empatia. Características que vêm sendo a chave principal no mundo desde o surgimento da pandemia. 

"O conjunto desses fatores indica uma capacidade de reagir em momentos difíceis, onde você precisa resgatar a intuição, onde você precisa ter afeição pelo próximo."

Um relato da chefe de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, em seu livro Faça Acontecer, conta que na maioria das culturas empresariais, quando o homem é firme e exige de sua equipe uma performance X, ele é visto como obstinado, alguém que de fato quer que a empresa cresça. 

Já se a líder mulher age exatamente do mesmo jeito, os adjetivos são negativos como petulante ou mandona. Esse tipo de pensamento é algo que merece ser reavaliado.

Mas, com toda a instabilidade causada pela crise do Coronavírus, quem mais se destacou foram as mulheres justamente por terem, em sua maioria, esse comportamento mais condizente com o que a pandemia exigiu de empreendedores. 

A capacidade de resolução de problemas e a resiliência, geralmente ligadas a atributos femininos neste meio, assumiram o controle na missão de combater os efeitos colaterais provocados pelo novo vírus.

O que + você precisa saber:

Especialista reflete sobre comportamentos de liderança

Mas por que esse comportamento diferenciado? Certamente que, logo vêm à cabeça que homens e mulheres são diferentes entre si. Mas existem certos aspectos comportamentais que merecem ser analisados mais de perto.

Na percepção de Iorio, por exemplo, desde a primeira infância, as mulheres exercem um papel mais protetivo, baseado em firmeza e análise de cenários. 

A Covid-19, suas consequências econômicas e as mudanças tecnológicas para a força de trabalho são enormes desafios que o mundo deve enfrentar. Por isso, o especialista defende que neste cenário seja valorizada essa liderança feminina.

“Não se pode continuar dependendo de um estilo de liderança para nos ajudar a enfrentar crises sem precedentes ou desafios diários. No nosso novo normal, devemos reconhecer que a gestão feminina está na luz do futuro.”

 

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