7 em cada 10 profissionais desejam trabalho freelancer em 2021

Apesar da satisfação com o home office, 92% dos entrevistados se sentiram afetados fisicamente de alguma forma por trabalhar em casa por tanto tempo em 2020.

27/01/2021 09:00

27/01/2021 09:00

A pandemia do novo Coronavírus trouxe diversas transformações para o mercado de trabalho. Um estudo da Fiverr, plataforma que conecta empresas a freelancers, aponta que 70% dos profissionais que trabalham no modelo tradicional estão propensos a assumir trabalhos freelancers em 2021. 

O motivo dessa nova tendência e o possível crescimento de freelancers está relacionado ao trabalho home office, que foi adotado por muitas empresas durante a pandemia. 
 

enlightened A pesquisa foi realizada pela Censuswide, entre os dias 16 e 24 de novembro de 2020. Foram entrevistados 1.051 profissionais que trabalharam de maneira remota este ano, em diferentes países; 98 deles eram freelancers brasileiros. A estatística combina as opções "concordo totalmente" e "concordo parcialmente".


Para 74% dos profissionais entrevistados, trabalhar de casa em 2020 os fizeram perceber que atuar como freelancer poderia ser uma opção de carreira. Além disso, 84% afirmaram que estão um pouco ou muito mais abertos para assumir trabalhos autônomos ou paralelos desde o início da pandemia.

Dos profissionais que afirmaram estarem mais abertos a atuar de forma independente, 57% mencionaram que a flexibilidade proporcionada pelo home office contribuiu para que eles quisessem atuar como freelancers. 

Já 43% disseram que estão mais abertos porque querem tentar algo novo, enquanto 39% disseram que estão mais propensos porque têm mais tempo disponível. A probabilidade de mudar de carreira no próximo ano foi a razão apontada por 31% destes profissionais.

No entanto, para alguns, o trabalho como freelancer em 2021 não será apenas uma escolha, mas sim uma necessidade. A preocupação com a segurança no emprego foi apontada por 30% dos que estão abertos ao trabalho freelancer para procurar alternativas como autônomo, enquanto 26% disseram que estão mais abertos porque tiveram redução de salário e desejam ter outra fonte de renda; 3% estão mais propensos porque ficaram desempregados.

"A pandemia fez com que as pessoas procurassem formas alternativas de exercerem suas atividades. Para aqueles que estavam acostumados a trabalhar em um formato mais tradicional, a adesão forçada ao home office acabou funcionando como uma experiência que mostrou que é possível unir flexibilidade e produtividade. É muito natural que os profissionais queiram manter os aspectos mais positivos desta vivência daqui para frente, o que acaba contribuindo para que muitos se direcionem para o mercado freelancer", explica Peggy De Lange, VP de Expansão Internacional da Fiverr.

Trabalho freelancer home office
41% dos entrevistados desejam mais flexibilidade de horários
(Foto: Divulgação)


O que + você precisa saber:


Profissionais querem mais satisfação no trabalho em 2021

Apesar da crise, 47% dos profissionais entrevistados concordam que a probabilidade de procurar um novo emprego aumentou no decorrer de 2020. Entre as mudanças que pretendem fazer para a carreira, foram mencionadas as seguintes: 

  • 42% disseram que procuram mais satisfação no trabalho;
  • 41% desejam mais flexibilidade de horários;
  • 35% querem ter mais experiência em novas indústrias; e
  • 25% querem iniciar o próprio negócio. 

Segundo a pesquisa, a busca por flexibilidade é maior entre os profissionais não-freelancers. Nesse grupo, 41% afirmaram que, em 2021, querem empregos que tenham horários mais flexíveis. 

O percentual não fica muito diferente entre os autônomos (39%). Entretanto, e talvez pela natureza do trabalho freelancer, há mais profissionais independentes (37%) propensos a buscarem experiências em novos setores do que não autônomos (35%).

"No geral, muitos dos aspectos indicados pelos profissionais que ​​desejam mudar de emprego em 2021 estão de acordo com as oportunidades encontradas no segmento freelancer", comenta De Lange.

Dos freelancers entrevistados, 76% concordaram que trabalhar de casa permitiu que eles assumissem mais trabalhos em paralelo. Além disso, 68% ​​afirmaram que trabalhar em casa os tornaram mais produtivos, o que também lhes permitiram assumir outros trabalhos.

Desafios do trabalho remoto 

O trabalho remoto veio como alternativa para não afetar a produtividade das empresas após as autoridades de saúde recomendarem o isolamento social. De acordo com o estudo da Fiverr, os profissionais que adotaram esse modelo de trabalho relataram os seguintes desafios: 

  • Estabelecer limites claros entre vida profissional e doméstica: 42%;
  • Muitas distrações em casa: 40%; e
  • Dificuldades em manter uma programação regular: 26%. 

Esses pontos ficaram acima de questões como conectividade com a internet (19%) e falta de espaço dedicado ao trabalho (18%), o que sugere que os desafios estão mais centrados no ajuste a novos ambientes sociais e mudanças de mentalidade em vez de logística física.

Entre os não-freelancers, 13% afirmam que o maior desafio ao trabalhar de casa foi a colaboração com outros profissionais. Já entre os freelancers, esse índice foi menor (8%). Outro aspecto mais comum entre não-freelancers foi a dificuldade de se manterem motivados sem a equipe ao seu redor (18%). Entre freelancers, esse número chegou a 17%.

"Como os profissionais autônomos são mais propensos a terem trabalhado de casa por mais tempo, esses dados sugerem que eles têm mais experiência em navegar por novos desafios, como motivação e colaboração", afirma De Lange.

O que é necessário para ter um home office de sucesso? 

O modelo home office fez com que, do dia para a noite, muitas casas fossem transformadas em escritórios. Por isso, muitos profissionais precisaram investir em equipamentos que trouxessem mais conforto durante as atividades, o que representa 68% dos entrevistados. 

De acordo o levantamento, em 2020, os profissionais gastaram, em média, R$1.050 para aperfeiçoar seus espaços de trabalho em casa.

Apesar dos desafios centrados em novos ambientes sociais e mudanças de mentalidade, mais da metade (53%) dos entrevistados disse que o acesso a uma boa internet é um dos aspectos mais importantes para trabalhar de casa. Quase metade (49%) mencionou que precisa de paz, tranquilidade e limitação de distrações e 44% afirmaram que é necessário estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal.

Ter um espaço dedicado às atividades profissionais foi apontado por 39%. Já 37% indicaram a necessidade de um trabalho estruturado e intervalos. A empatia do empregador com o seu trabalho e necessidades pessoais foi um ponto mencionado por 23%. Reuniões regulares de atualização foram citadas por 19%.

Na comparação entre freelancers e não-freelancers, mais profissionais que trabalham no modelo tradicional apontaram a empatia do empregador com seu trabalho e necessidades pessoais como aspecto importante para conseguir atuar de casa (23% x 16%). O mesmo com reuniões regulares de atualização. O item foi mencionado como um dos mais importantes por 20% dos não-freelancers, enquanto que, entre freelancers, apenas 11% fizeram esta indicação.

Bem-estar físico durante o home office

Embora a satisfação com o home office tenha aumentado, o bem-estar físico foi impactado com a longevidade do trabalho remoto. De acordo com a pesquisa, 92% dos entrevistados se sentiram afetados fisicamente de alguma forma por trabalhar em casa por tanto tempo.

Dos respondentes, 43% disseram que se tornaram mais sedentários e menos ativos desde que começaram o home office. Mais tempo em frente a tela do computador resultou em fadiga ocular e dores de cabeça para 41%. Já 40% tiveram problemas de postura e 38% tiveram um aumento indesejado de peso. Apenas 23% dos entrevistados disseram que seu bem-estar físico melhorou, pois passaram a ter mais tempo para cuidar da saúde.

A pesquisa revela que o bem-estar físico foi se deteriorando ao longo de 2020. De janeiro a março, 76% dos profissionais avaliavam seu bem-estar físico como bom ou muito bom. Entre abril e junho, esse número caiu para 52%. De julho a setembro, despencou para 46%. De outubro a novembro, esse índice voltou para 52%, mas ainda assim, há ainda uma grande diferença na comparação com o primeiro trimestre.

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