Mulheres no topo: Michele Robert assume presidência da Gerdau Summit

Michele Robert comandará uma equipe de 700 pessoas, onde cerca de 90% são homens. No entanto, a ideia é que, aos poucos, essa proporção seja mudada.

26/11/2020 12:46 | Atualizado: 26/11/2020 13:41

26/11/2020 12:46 | Atualizado: 26/11/2020 13:41

Você conhece quantas mulheres que estão no papel de liderança? Ou melhor, quantas empresas presididas por mulheres você observa no mercado? Perto de completar 120 anos, a siderúrgica Gerdau anunciou na última quarta-feira, 25, que terá, pela primeira vez, uma mulher à frente de uma das suas operações industriais. 

A engenheira Michele Robert, de 43 anos, acaba de assumir o cargo de presidente da Gerdau Summit, que nasceu com foco no fornecimento de peças para a geração de energia eólica e cujo controle é dividido com as japonesas Sumitomo Coporation e Japan Steel Works (JSW). A unidade fica localizada em Pindamonhangaba, no Vale da Paraíba, no interior de São Paulo. 

A Gerdau tem presença forte no exterior e tem trabalhado em paralelo em programas internos para ajudar na formação de profissionais em busca de diversidade, incluindo a de gênero. Não é a primeira vez que Michele ocupa um de protagonismo. Há 18 anos, ela já atuava um cargo de liderança na General Eletric (GE). 

"Finalmente a Gerdau terá uma mulher à frente de uma de suas operações industriais, o que é coerente com a transformação da empresa, que está a todo vapor. As empresas precisam ter mais exemplos dentro de casa (em relação à diversidade). É necessário ter referências", comenta a executiva. 

 

Michelle Robert, presidente da Gerdau Summit
Michele comandará uma equipe de 700 pessoas na Gerdau Summit
(Foto: Reprodução / LinkedIn)



O que + você precisa saber:


Conheça mais sobre Michele Robert 

Michele é mãe de duas filhas, uma de 13 anos e outra de 15. Aos 18 anos, a agora executiva da Gerdau, foi morar em Buenos Aires, capital da Argentina, quando seu pai, que trabalhava na Ford, foi transferido. Lá, ingressou no curso de Engenharia Mecânica no Instituto Tecnológico, em sala com apenas quatro mulheres e muitos rapazes. Os estudos foram finalizados no Estados Unidos. 

25 anos depois Michele comandará uma equipe de 700 pessoas, onde cerca de 90% são homens. No entanto, a ideia é que aos poucos essa proporção seja mudada. 

Recém chegada à Gerdau Summit, a executiva já tem alguns planos para serem executados. Além de ajudar a dar impulso na diversidade, a meta é "dobrar ou triplicar" a operação, que busca diversificar a sua atuação - algo que a pandemia mostrou ser necessário. 

Hoje com o foco em cilindros para energia eólica, a unidade já está em processo de homologação de produtos para atender outros setores, como mineração e açúcar e álcool. 

Gerdau aposta em programas de diversidade 

De janeiro para cá, o número de mulheres diretoras que reportam diretamente ao presidente Gustavo Werneck passou de zero a três. Desde que assumiu o posto há quase três anos, o executivo tem colocado o assunto na mesa tanto dentro quanto fora da Gerdau. De 2019 até agora, o percentual feminino nos cargos de liderança passou de 18% para 20,4%.

Atualmente, a Gerdau aposta em iniciativas que buscam trazer mais diversidade para empresa como, o programa de trainee no qual 50% das contratações foram mulheres e um programa de estágio destinado a negros.

Em matéria publicada pelo Estadão, a diretora global de Pessoas e Responsabilidade Social, Caroline Carpenedo, que iniciou sua carreira na Gerdau há 15 anos como trainee, conta que, nessa trajetória de se buscar mais diversidade na companhia, alguns dos processos de recursos humanos foram alterados. 

Para a seleção de grande parte dos cargos, por exemplo, foram retiradas informações como nome e endereço dos candidatos. Outra medida foi deixar de exigir Inglês para postos em que seu uso não é necessário no dia a dia, e oferecer o curso nos casos em que a língua seja necessária em movimentos na carreira. "Temos trabalhado em dar as ferramentas", diz. 

No entanto, essa busca por uma empresa mais diversa requer planejamento. Caroline comenta que para esse tipo de progresso, além de começar a preparar a base de profissionais, a Gerdau estabeleceu à liderança da empresa uma meta bastante clara: na hora de se preparar o mapa de sucessão é preciso ter a indicação de ao menos uma mulher. 

Se a leitura for de que nenhuma executiva está pronta é preciso colocar a mão na massa para preparar as candidatas. Aos poucos os números do setor podem começar a mudar. No Brasil, a indústria siderúrgica emprega 112 mil pessoas, sendo 66,7 mil de efetivos, conforme dados do Instituto Aço Brasil (IABr). Do total, apenas 9% são mulheres.


 

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