Rentabilizar um hobbie: a estratégia é investir no marketplace
Entenda como um hobbie pode gerar renda extra por meio do marketplace. Especialista destaca quais estratégias ajudam a garantir o sucesso do negócio.
14/09/2020 09:00 | Atualizado: 14/09/2020 10:05
14/09/2020 09:00 | Atualizado: 14/09/2020 10:05

Você descobriu ou desenvolveu algum hobbie durante a quarentena? Sabia que isso pode te ajudar a garantir uma renda no fim do mês? Carlos Curioni, sócio e CEO do Elo7, explicou como alguns hobbies podem gerar renda em marketplaces, por exemplo.

Muitas pessoas que estão trabalhando em home oficce ou perderam o emprego já estão apostando nessa estratégia. No final de junho, o número de MEIs no Brasil passou a marca de 10,1 milhões.

Os dados são do Portal do Empreendedor, do Governo Federal. Na maioria dos casos, os empreendedores aproveitaram alguma habilidade que já possuíam ou um hobby para dar o primeiro passo.

Em tempos de distanciamento social, as plataformas digitais são uma boa opção para auxiliar os empreendedores a expor e vender seus produtos. Um exemplo é o Elo7 , marketplace de produtos criativos e autorais. 

A ferramenta oferece ao micro, pequeno e médio empreendedor dicas sobre como começar seu próprio negócio e se manter bem no mercado. De acordo com dados disponibilizados pela empresa: 

Entre os dias 7 a 13 de julho, as vendas gerais do Elo7 ficaram 4% acima do cenário pré-Covid, evoluindo do patamar de -9% verificado em junho.

No geral, houve uma melhora na demanda em todo o Elo7, algumas categorias chegaram a apresentar crescimento nesta última atualização de julho comparada a março, entre elas:

  • Utilitários = 251%; 
  • Decoração = 147%; 
  • Pet = 146%; 
  • Materiais = 50%; 
  • Bebê = 31%; 
  • Infantil = 25%; e
  • Papelaria = 36%.

 

Loja online
Lojas devem se manter atualizadas para conquistar clientes (Foto: Pixabay)

Como saber se o seu hobbie pode render um negócio?

Quem quer se inserir nesse mercado deve verificar se o hobby em questão tem potencial para se tornar uma fonte de renda. Para chegar a essa resposta, o empreendedor pode observar se há procura nos principais marketplaces por aquele item que se pretende produzir e vender. 

O Elo7, por exemplo, disponibiliza pesquisas mensais acerca dos produtos mais buscados e categorias mais vendidas. Em agosto, os itens mais buscados foram itens para presente de dia dos pais e decoração de bebês. Já as categorias que mais venderam foram papel e cia, decoração e acessórios. 

"Tendo essas informações, as chances de acertar e lucrar são maiores. Mas nada deve impedir o criativo de inovar quantos aos produtos que irá fabricar. Vale apostar em novidades também, desde que haja público - mesmo que nichado", explicou Carlos Curioni.

O próximo passo é pensar em como rentabilizar esse hobby. É importante pensar nos custos com material, considerando que o preço do item a ser vendido tem que, no mínimo, pagar o que foi gasto nele.

Além disso, o empreendedor também precisa reparar qual é o preço que os concorrentes estão praticando. 

"Se forem mais baixos que os seus, onde eles devem estar economizando para chegar nesse valor? Se forem mais altos, que vantagem eles oferecem ao consumidor para serem escolhidos? É com base nas respostas dessas perguntas também que o MEI deverá traçar os próprios diferenciais a serem trabalhados na hora da divulgação", disse Carlos Curioni.

Exemplo de diferenciais: as tintas utilizadas são atóxicas, a madeira é de reflorestamento, os itens são personalizados de acordo com o que o cliente pedir, o produto é feito à mão, o frete é grátis, entre outros.

"Enfim, devem ser evidenciados pontos nos quais o consumidor verá vantagem."

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Como se organizar para a organização do negócio?

Muitos empreendedores também acabam se perdendo na administração de seus negócios. Por isso, uma questão que deve ser pensada com cuidado é sobre quem será responsável por fazer os cálculos em cima de cada produto, comprar a matéria-prima, manter os impostos em dia e estar em contato com o cliente: 

"É crucial para o sucesso do negócio contar com um responsável por fazer os cálculos em cima de cada produto, comprar a matéria-prima, manter os impostos em dia, e estar em contato com o cliente, ou seja, cuidar da parte administrativa e burocrática. Pegar mais pedidos do que é capaz de produzir, por exemplo, ou não ter material para fazer o que o cliente pediu pode ser fatal e acabar com seu negócio", disse.

Segundo Curioni, nem sempre o criativo consegue ser também o administrador. Por isso, é importante contar com alguém de confiança, ou se organizar muito bem para exercer as duas funções.

Depois disso, chega a hora de produzir os produtos e criar a lojinha online, que pode ser feita gratuitamente no Elo7. 

"O importante aqui é investir seu tempo em criar diferenciais para o seu produto, zelar pela qualidade dele - e do atendimento da sua micro, pequena ou média empresa -, e estar sempre atento ao mercado, aprimorando estratégias de acordo com as necessidades dos consumidores."

O CEO destacou a necessidade de apostar no Marketing. O empreendedor pode fazer um paralelo com as lojas físicas, que têm vitrines atraentes e que mudam diariamente de acordo com as estações ou datas comemorativas. Isso é importante para atender o que o cliente busca no momento. 

"O mesmo deve acontecer no ambiente online, pois o consumidor é o mesmo, só está em outro canal de compras. Com o tempo, sentindo o mercado, dá para ir aprimorando as estratégias de acordo com a demanda, e ganhar mais visibilidade - e mais dinheiro", ressaltou Curioni.

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Mas afinal, em quanto tempo um negócio é considerado um negócio estável? 

Analisando a experiência dos empreendedores no Elo7, Curioni destacou duas principais fases para a estabilização de uma loja.

Primeiro, o vendedor abre sua loja e cadastra os primeiros produtos. Há um tempo para que ela se torne conhecida, que receba suas primeiras vendas e as primeiras avaliações. 

Passada essa fase de criação da credibilidade inicial da loja, começa-se a ter um fluxo mais constante de clientes e as vendas começam a ficar mais frequentes.

Nesse momento, a loja já está mais estabilizada quando o patamar de vendas é constante e crescente ao longo de pelo menos 3 a 6 meses, com o vendedor continuando a cadastrar novidades para que os clientes mantenham interesse na loja.

Empreendedoras compartilham suas experiências com o Marketplace

A ideia de abrir uma loja no Elo7 surgiu para Miriam Oliveira através de seu marido. A empreeendedora tinha descoberto um câncer em outubro do ano passado e já havia iniciado a quimioterapia quando a pandemia começou, deixando-a ainda mais desanimada. 

Foi então que seu marido sugeriu a abertura de uma loja, para que ela pudesse trabalhar com o que ama: costura. Com a ajuda de um programa de computador que calcula os preços com base na matéria-prima e ajuda a mensurar lucros, Miriam começou a colocar a ideia em prática.

A loja foi aberta no Elo7 no fim de abril. A filha, Juliana, a ajudou a mexer no Elo7 e cuidar do marketing. A partir daí, Miriam começou a produzir máscaras de tecido, bonecas, toalhinhas e panos de prato personalizados, dentre outros produtos.

Para Miriam, produzir itens pra vender online tem sido uma válvula de escape, e que, além de gerar renda a ela — que estava desempregada —, ainda a ajuda a ter motivação para enfrentar a doença. Segundo a empreendedora, ela nem vê a hora passar quando está costurando, porque é um hobby.

"Se minha saúde permitir, quero continuar com minha loja online por muito tempo", disse.

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Daniele Rocha também aproveitou a apandemia para trabalhar com o que gosta. A psicanalista especializada em bioenergética sempre gostou de acessórios com pedras naturais. A irmã, Denise, é biomédica e trabalhava com estética utilizando pedras naturais em massagens.

Com a pandemia, as duas se viram "em apuros financeiros", como descreveu Daniele. Isso porque os clientes delas não aderiram aos atendimentos online. No caso de Denise, por exemplo, tal modelo de atendimento nem seria possível, considerando que a biomédica trabalhava com estética.

A solução encontrada pelas irmãs foi abrir uma loja no Elo7, criada no fim de maio. Daniele já conhecia a plataforma como consumidora e foi lá que decidiu vender, junto com a irmã, acessórios produzidos por elas. 

As duas iniciaram pesquisas de fornecedores de pedras com boa procedência, visto que o foco dos produtos produzidos por elas é oferecer qualidade e uma experiência única aos clientes que compram pedras energizadas. 

As estratégias de marleting também são aliadas nesse processo. As empreendedoras observam sua concorrência e o que podem melhorar em seus produtos para atrair mais clientes. A página delas no Elo7 conta com fotos produzidas, descrições completas dos produtos e respostas rápidas aos clientes.

Daniele ficou responsável pela administrativa, enquanto Denise produz as peças. A mãe delas, que já é aposentada, também ajuda no negócio. Ela é a responsável pelas embalagens e a entrega. A filha de Daniele ajuda com as fotos.

Daniele disse ter se surpreendido com o volume de vendas que já alcançaram, e que já tem clientes fiéis, mesmo estando com a loja aberta há poucos meses. Segundo ela, apesar da pandemia, ela está muito feliz por ter conseguido tirar um sonho do papel. As irmãs vão continuar com a loja no Elo7 mesmo depois que a pandemia acabar.

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