Pesquisa aponta desigualdades no mercado de influenciadores digitais

Pesquisa da Youpix demonstra desequilíbrio de ganhos e oportunidades entre as raças no mercado de influenciadores digitais.

15/09/2020 18:00

15/09/2020 18:00

A internet é conhecida por ser um ambiente muito mais democrático que outras mídias. Correto? Nem tanto! Quando o assunto é racismo e desigualdade de oportunidades, essa afirmação cai por terra. Isto é, no ambiente digital também há desigualdade definida pela cor da pele.

Esse cenário fica evidente, por exemplo, no meio de influenciadores, os criadores de conteúdo.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela plataforma Youpix, realizada em parcerias com Black Influence, Site Mundo Negro, Squid e Sharp, apontou que, em comparação aos creators brancos, todas as outras raças recebem menos

Quando se trata de pretos e indígenas, a disparidade é ainda maior. Além de terem uma média de ganhos por post menor, esses influenciadores percebem um mercado menos inclusivo. 

De acordo com a plataforma, a pesquisa ‘Black Influence: um retrato dos creators pretos do Brasil’ contou com a participação de mais de 760 criadores de conteúdo. É a primeira pesquisa do Brasil a fazer um retrato do mercado preto de influência.

“O objetivo principal é o de entender as interseccionalidades do mercado de influência no Brasil e medir a representatividade e diversidade do mercado de marketing de influência.”

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Pretos e indígenas consideram o mercado menos inclusivo

A maioria dos criadores que responderam ao formulário tem idade entre 26 e 35 anos (52%), seguido do grupo de 36 a 45 anos (23%).

A pesquisa utilizou os critérios de identificação utilizados pelo IBGE, de modo que mais de 22% se consideram pardos e mais de 17%, negros. A maioria, 57%, se considera branca. Amarelos e indígenas eram 3% e 1%, respectivamente.

De acordo com a Youpix, ao serem questionados se já haviam participado de alguma campanha de publicidade, cerca de 64% disseram que “sim”. E 60% consideram o marketing de influência inclusivo.

Mas isto não é visto da mesma forma por criadores de conteúdo pretos e indígenas. Entre eles, diferente dos demais grupos, menos da metade considera o mercado inclusivo, apenas:

  • 29% dos indígenas
  • 36% dos pretos

Os dados de participação em campanhas publicitárias já não apresentam tanta diferença quanto nas demais perguntas entre os grupos de raça e etnia. Mais da metade de todos eles já participaram.

Mas ainda assim pretos e amarelos ficam para trás:

 

(Foto: Reprodução/ Black Influence: um retrato dos creators pretos do Brasil)

Além disso, cabe ressaltar que outra percepção da pesquisa é que os influenciadores negros são mais contratados para falar sobre temas que abrangem racialidade e assuntos correlatos. 

Criadores de conteúdo brancos recebem mais que outros

Outra realidade evidenciada na pesquisa da Youpix é que os influenciadores digitais brancos, que também estão entre a maioria dos respondentes, recebem, em média, mais dinheiro por post. 

Em segundo lugar no ranking, estão pretos, com uma diferença de 12% nos ganhos. Seguidos, na ordem, por pardos e amarelos. 

De acordo com a Youpix, a diferença é mais evidente entre criadores de conteúdo com mais de 50 mil seguidores. Nesta parte da pesquisa, indígenas não foram considerados pela baixa amostra de respondentes

Esse grupo também é o que mais relatou receber discurso de ódio na internet. Seguido por pretos, brancos, pardos e amarelos. A pesquisa completa pode ser obtida por meio do site da Youpix .

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