Magazine Luiza racista? Entenda os dados que derrubam esta ideia
Após abrir programa de trainee apenas para pessoas negras, Magazine Luiza é acusada de “racismo reverso” por alguns internautas. Entenda porque isso não existe.
22/09/2020 12:30
22/09/2020 12:30

No último fim de semana a tag #MagazineLuizaRacista ficou por horas entre os trending topics (assuntos mais comentados) do Twitter. Talvez você imagine que a varejista cometeu algum crime de racismo contra uma pessoa negra.

Um episódio de discriminação em uma loja, ou com um funcionário, como acontece diariamente no Brasil… Mas não. A menção à rede se deve ao processo seletivo para trainee da Magalu que vai recrutar apenas profissionais negros

Anunciado no final da semana, o Programa de Trainee deu o que falar nas redes sociais após milhares de internautas, inclusive autoridades políticas, se manifestarem contra a ação afirmativa da varejista. 

“Discriminação na contratação em razão da cor da pele: inadmissível.”

A fala acima foi da juíza do Trabalho Ana Luiza Fischer Teixeira de Souza Mendonça, em seu perfil no Twitter. Em resposta a um internauta, nos comentários ela ainda acrescentou: “na minha Constituição, isso ainda é proibido.”

O deputado federal Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) também fez uma publicação com uma notícia sobre o programa de trainee na qual questiona: "E esse racismo, é do bem?"

Outras internautas alegaram que a Magazine Luiza estaria cometendo o que se chama de ‘racismo reverso’. 

Será mesmo que Magazine Luiza cometeu um crime ao restringir a contratação de trainees, neste processo seletivo, a pessoas negras? A legislação não prevê esse tipo de movimento?

Para entender melhor porque ‘racismo reverso’ é uma mentira e porque o processo seletivo da Magazine Luiza não é um crime, Folha+ apresenta alguns dados sobre o mercado e a legislação.

 

Programa de Trainee Magazine Luiza
Programa de Trainee Magazine Luiza tem vagas garantidas para jovens negros
(Foto: Reprodução)

Mercado de trabalho é mais vantajoso para pessoas brancas

Para entender os motivos para apoiar o programa de Trainee da Magazine Luiza é preciso entender primeiro o mercado de trabalho. Conheça alguns dados de pesquisas recentes realizadas pelo IBGE:

  • negros enfrentam mais dificuldade de encontrar um emprego se comparados a trabalhadores brancos;
  • negros recebem 31% menos que os brancos;
  • 14,7% da população negra estava desocupada em 2018, contra 10% dos brancos;
  • pretos e pardos são maioria em setores com remuneração mais baixa.

Essa desigualdade é fruto de uma história marcada por segregação, genocídio de pessoas negras e falta de políticas públicas que equilibrassem de maneira eficiente o cenário frente às desvantagens da população preta e perda. 

Você sabia, por exemplo, que negros são menos de 4% dos profissionais em cargos de liderança em São Paulo? E no Brasil todo, menos de 30% dos líderes nas empresas são negros. Segundo levantamento do Vagas.com, apenas 0,7% dessas posições são ocupadas por negros enquanto os brancos, amarelos e indígenas aparecem com 2%, cada.

+ Influencers apoiam Magalu após anunciar trainee para negros

E na Magazine Luiza? Como está esse cenário?

Segundo informações da própria varejista, 53% do seu quadro de funcionários é formado por pretos e pardos. Mas apenas 16% deles ocupam cargos de liderança

Por isso, o programa foi desenvolvido, em parceria com as consultorias Indique Uma Preta e Goldenberg, Instituto Identidades do Brasil, Faculdade Zumbi dos Palmares e o Comitê de Igualdade Racial do Mulheres do Brasil.

Tendo isso em vista…

O que a Magazine Luiza fez se chama ação afirmativa. Ações afirmativas são medidas especiais tomadas pelo estado com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas.

Como as cotas raciais nas universidades, por exemplo. Mas a Magazine Luiza não é o estado, certo? Uma instituição privada pode tomar esse tipo de atitude?

Sim! O artigo 39 do Estatuto de Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) permite ação afirmativa em empresas, com o mesmo objetivo. Confira outras instituições provadas que tiveram medidas iguais ou semelhantes recentemente:

⇒ Liderança Negra: Bayer traz a inclusão racial em programa de trainee
⇒ Estágio Braskem deseja atrair, sobretudo, estudantes negros
⇒ Accenture: vagas de estágio exclusivas para candidatos negros
⇒ Google lança fundo de investimento para startups lideradas por negros

Além disso, o Ministério Público do Trabalho (MPT) emitiu uma nota técnica , em 2018, na qual incentiva essas medidas, que são uma forma de tentar concretizar o Princípio da Igualdade previsto na Constituição Federal de 1988.

“No entanto, a despeito de todas estas normas que garantem a igualdade material e a não discriminação, a realidade é bem diferente. (...) Além do elevado desemprego entre as pessoas oriundas da população negra, merece destaque o fato da desigualdade social latente entre a população branca e a população negra, sendo certo que um dos objetivos da nossa República é justamente o compromisso com a redução das referidas desigualdades e a promoção da igualdade material.”

Ou seja, promover um processo seletivo para pessoas negras é uma forma de tentar equilibrar a balança. 

E essas ações afirmativas não visam excluir pessoa brancas, nem as coloca em desvantagem no mercado. Pelo contrário, esse grupo já está em vantagem, há centenas de anos.

Por exemplo, só em setembro, pelo menos 17 processos seletivos de trainee foram abertos em grandes empresas. Eles somam mais de 150 vagas para essa modalidade de trabalho, sendo a maioria sem restrições ou cotas relacionadas a raça ou cor.

Não somente essas vagas são abertas a toda a população, como também, provavelmente, serão a maioria preenchidas por pessoas brancas, que estão, de modo geral, socioeconomicamente em vantagem. Confira algumas delas:

⇒ Trainee B2W: sem testes de Inglês, com games e mais diversidade
⇒ Trainee Yduqs: talentos inquietos e apaixonados por desafios!
⇒ Trainee Itaú: chances de efetivação após término do programa
⇒ Grupo Boticário recruta jovens talentos sem exigência de Inglês
⇒ Saint-Gobain recruta 30 trainees para atuação em São Paulo
⇒ Grupo Big recruta 120 trainees para Operações e Corporativo

Programa de Trainee da Magalu recebe inscrições até outubro

Se você é um profissional negro, com formação entre dezembro de 2017 e dezembro de 2020, pode participar do processo seletivo de Traine da Magazine Luiza. Não serão exigidos conhecimentos em Inglês, nem experiência profissional e podem participar graduandos de qualquer área.

A seleção está disponível para candidatos de todo o país, desde que tenham disponibilidade para se mudar para São Paulo. Caso o selecionado seja de fora da cidade, receberá um auxílio mudança. 

Os interessados podem se inscrever até o dia 12 de outubro, na  página de carreiras do Magalu  . Todas as etapas do processo seletivo serão online e de caráter eliminatório. 

Os trainees receberão salário de R$6.600 + bônus de contratação de um salário e benefícios como:

  • PLR (participação nos lucros)
  • vale refeição ou vale alimentação
  • vale transporte
  • plano médico e odontológico
  • gympass( academia)
  • univers
  • desconto em produtos
  • home office híbrido
  • previdência privada
  • bolsa de Inglês

Além de frutas no escritório, liberdade para se vestir como quiser, uma grade de desenvolvimento exclusiva para aceleração de carreira do trainee com Job Rotation e de sessões Mentoria. Saiba mais detalhes:

⇒ Magalu recruta talentos em programa de trainee exclusivo para negros

 

Quer receber novidades sobre concursos?
Cadastre-se para receber e-mails com asnotícias em destaque da semana, dicas de preparação, novidades da Folha Dirigidae muito mais!
Newsletter