Qual a importância da qualificação profissional para o jovem?

Qualificação profissional pode ser maior diferencial para jovens que estão em início de carreira.

10/12/2020 08:00 | Atualizado: 10/12/2020 10:20

10/12/2020 08:00 | Atualizado: 10/12/2020 10:20

O discurso sobre a importância da qualificação profissional chega a ser batido, de tanto que se discute a respeito. Mas então por que tantas pessoas parecem ainda não terem acordado para o real significado disso?

Uma explicação possível pode ser o fato de que muitos não entendem realmente o que significa ter qualificação. Há jovens que concluem o primeiro curso superior e param por aí ou ficam anos sem buscar novas atualizações. 

Isso mesmo. Fazer uma graduação é importante, mas não significa que a pessoa atingiu o auge do currículo minimamente aceitável. Inclusive, é possível que o currículo de uma pessoa sem o nível superior seja mais bem qualificado (academicamente falando). 

Para quem quer se manter no mercado, mas principalmente para quem está ingressando nele, é importante entender: estar profissionalmente qualificado vai muito além de um título, seja ele qual for. 

O Instituto Ser+ , organização sem fins lucrativos que atua na capacitação de jovens em situação de vulnerabilidade, diz que a qualificação profissional deve ser observada nesses quatro pilares:

1. Ampliação dos conhecimentos e habilidades.
2. Complementação dos conhecimentos que a pessoa já possui para se aperfeiçoar cada vez mais.
3. Atualização, já que conceitos e informações mudam o tempo todo.
4. Expansão, ou seja, não ficar preso às mesmas linhas de pensamento, focando sempre na expansão de habilidades.

Tendo entendido o que é estar profissionalmente qualificado, é possível passar para o próximo passo da discussão: entender qual é a real importância disso e como pode impactar na vida das pessoas, principalmente de jovens. A seguir!

 

Qualificação profissional para jovens
Jovens mais bem qualificados têm mais e melhores oportunidades
(Foto: Reprodução)

 

Qualificação profissional não é prioridade para jovens, diz pesquisa

Um levantamento realizado pela Rede Doctum em 2019 mostrou que a busca por aperfeiçoamento é maior entre quem tem mais de 35 anos. Quanto maior a faixa etária, maior a preocupação com qualificação profissional.

Na pesquisa, cerca de 31,6% das pessoas acima de 35 anos disseram ter o aperfeiçoamento profissional como prioridade. Já na faixa etária entre 26 e 35 anos, esse percentual foi de 22%. E na faixa de 18 a 25 anos, apenas 19,5% veem a qualificação como prioridade.

A pesquisa foi realizada com uma amostragem pequena perto do que é o Brasil (400 pessoas moradoras dos municípios que compõem a Grande Vitória, no Espírito Santo), mas ela dá uma boa dica do erro cometido por muitos novos profissionais que estão ingressando. 

Segundo o IBGE , até 2014 (última pesquisa da instituição divulgada a respeito, em 2017) mais de 74% dos brasileiros com mais de 15 anos de idade não se interessavam por cursos de qualificação profissional.

Esse cenário pode ter várias explicações, desde as questões de acessibilidade e necessidade de sustentar famílias em situação de vulnerabilidade, por exemplo, até a descrença em relação aos impactos de estar bem qualificado. 

Sim, é triste. Mas no Brasil, 40% dos jovens com ensino superior não têm emprego qualificado. Levantamento da consultoria IDados aponta que 525 mil trabalhadores com diploma, entre 22 e 25 anos, são considerados sobre-educados - exercem ocupações que não exigem faculdade.

O cenário para as pessoas desta idade ficou ainda mais complicado durante a pandemia. Então, de certa forma, é compreensível que a qualificação não esteja no topo da lista de prioridades da juventude. 

Mas, ainda assim, é preciso entender os impactos positivos que ela pode trazer para a vida profissional, principalmente a longo prazo. 

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5 benefícios que só quem busca qualificação profissional tem

#1. Ser competitivo no mercado

Sim, esse é provavelmente o benefício mais óbvio. Mas como já mencionado, nem sempre ter um título, mesmo que de nível superior, é garantia de pegar uma vaga.

Mas aqui é importante entender que qualificação profissional é um termo muito mais abrangente. Então, reflita sobre esta pergunta: desde que terminou o curso ou a faculdade, já buscou alguma atualização ou aperfeiçoamento?

Pois saiba que são eles que te manterão qualificados profissionalmente. Aí sim, entram mais chances de conquistar vagas, principalmente se forem oportunidades mais modernas.

#2. Mais facilidade para ingressar no mercado

Esse tipo de qualificação, do profissional que demonstra estar interessado em se manter atraente e não apenas em concluir o ciclo básico de estudos, pode até mesmo superar a falta de experiência em alguns casos.

Por isso, quem está começando a vida profissional agora também precisa ter esse tipo de preocupação, além de só buscar a primeira vaga de emprego. Enquanto não consegue uma, por que não aproveita para fazer um curso, ainda que seja um gratuito mais básico?

Desde 2014, os jovens que entraram ou se formaram no ensino superior enfrentam um mercado de trabalho bastante fragilizado. Os anos seguintes foram de baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e ainda não deu para recuperar todas as perdas da economia.

Esse cenário dá só um aviso: infelizmente, poucos estão tirando o melhor proveito do diploma recém conquistado. E esses poucos são justamente aqueles que buscam ir além desse mesmo diploma. 

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#3. Mais qualificação = mais possibilidades

Além da dificuldade de conseguir um emprego em si, os jovens também lutam para se manterem na área para a qual estudaram. 

Isso não acontece só pelo gosto pela profissão, mas também porque atuando na área do diploma, há mais chances de ser bem remunerado.

Logo, quem tem qualificação profissional ampla também tem uma cartela mais diversa de profissões a seguir, sendo bem remunerado. Ou, pelo menos, razoavelmente remunerado. 

Esse é mais um motivo para não abandonar a qualificação. Como já destacado acima, se qualificar também é ampliar e complementar: conhecer novas áreas, fazer cursos diferentes, aplicar seu leque de possibilidades!

#4. Maiores salários

Sabia que o Brasil é o país onde cursar o ensino superior aumenta mais as chances de empregabilidade e de ter um salário maior? Uma pesquisa de 2018 do IBGE apontou que quem tem diploma ganha mais que o dobro do trabalhador com ensino médio.

Sim, já foi dito que qualificação vai muito além de ter um título. Mas já foi dito também que eles têm a sua importância, a começar pelo salário. É inegável que quanto mais alta a qualificação, maior é a renda.

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo e isso se reflete no mercado de trabalho. Portanto, ter a chance de aumentar seu nível curricular é um grande privilégio e que traz retornos financeiros reais.

E nem pense nas famosas exceções a esta regra, porque é justamente isso que elas são: exceções. 

⇒ No Brasil, salário de CEO é mais elevado do que em outros países

#5. Um bom profissional a longo prazo

Nos últimos anos, com as transformações tecnológicas e do mercado de trabalho cada vez mais rápidas, infelizmente muitos profissionais se tornaram obsoletos. Isso aconteceu principalmente com aqueles que entenderam mal o que é estar bem qualificado. 

Muitos deles tinham grandes títulos, cursos e nomes de entidades importantes no currículo. Mas então por que não conseguiram sobreviver às novas demandas?

Talvez porque tenha negligenciado um dos pilares da qualificação profissional: a atualização. E para os novos profissionais, que chegam agora no mercado, esta talvez seja uma das mais importantes lições deixadas por eles. 

Essa nova geração já ingressa em um mercado muito mais ansioso, volátil e que se transforma com uma rapidez impressionante. E para se manter atraente a curto, médio e, principalmente, a longo prazo, não há outra saída. 

A mentalidade de terminar o ensino superior e ‘descansar’ precisa ficar para trás. A graduação não é mais o fim da jornada. Caso contrário, o profissional se tornará obsoleto ainda mais rápido que aqueles mais velhos que vimos saírem do cenário após décadas de serviço. 

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