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Covid-19: qual perfil profissional o mercado vai exigir com a crise?

17/04/2020 13:00

17/04/2020 13:00

Com a crise provocada pela pandemia do novo Coronavírus, é esperado um aumento significativo no número de desemprego. Um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) aponta que, no cenário mais pessimista, é possível ter até 12,6 milhões desempregados.

A taxa atual de desemprego já é de 11,6% e, nessa nova realidade, a taxa se elevaria a 23,8%. Em um cenário mais factível, os pesquisadores 6 milhões de novos desempregados, encerrando o ano com uma taxa de desemprego de 17,8% e, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB (Produto Interno Bruto) deverá encolher 5,3%.

Apesar das medidas já anunciadas pelo governo federal para conter a crise econômica, haverá impactos nos empregos e até na renda média dos trabalhadores. Para Ladmir Carvalho, CEO da Alterdata, o varejo será um dos setores que mais sentirá com os efeitos dessa crise, “pois é altamente dependente do fluxo de pessoas pelas ruas, nos shoppings e nas calçadas”. 

“As vendas online destas mesmas empresas, por mais que sejam ferramentas importantes, não substituirão o faturamento perdido”, explica o CEO. E com essa nova realidade, Ladmir acredita que também haverá mudanças no perfil dos funcionários que o mercado vai buscar, e a capacidade de produção em home office será uma característica importante.

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“Os profissionais que conseguirem entregar o que se propõem trabalhando remotamente terão mais valor.  A Alterdata possui cerca de 1.800 colaboradores, e todos estão em home office, o que já dá para notar aqueles que estão trabalhando normalmente, e os que perderam produtividade”, conta.

O CEO explica que essa “perda de produtividade” tem ligação com “foco e concentração”. Ele conta que muitos funcionários acabam dependendo de um líder para cobrar produção e que, quando estão em casa, sem a figura desse líder, muitos acabam não tendo o mesmo rendimento que tinham na empresa.

“O profissional que tiver mais capacidade de fazer o que tem que ser feito com menos cobrança de uma supervisão terá mais valor neste novo cenário”, destaca.

Para Ladmir, um exemplo de profissional que terá mudança no perfil exigido pelo mercado é o vendedor. Serão valorizados “os vendedores com capacidade de vender sem estar fisicamente ao lado dos clientes”.

Segundo ele, “o tipo de argumentação, demonstração e transferência de credibilidade é completamente diferente no mundo online do que presencial, alguns se adaptarão e outros não”.

 

Ladmir Carvalho, CEO da Alterdata Software, acredita que
o mercado vai buscar por novos perfis profissionais 
(Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

 

Contenção da crise

Na Alterdata, foram criadas diversas medidas para conter a crise. Segundo o CEO, um dos maiores desafios foi viabilizar que 1.800 colaboradores realizassem o trabalho remoto. “Isso foi um plano de guerra que envolveu ambientes técnicos, RH, Compliance e outros setores”.

Ele explica que realizaram treinamentos com supervisores e gerentes, além da criação de novos indicadores de performance e mudanças de rotinas. Na empresa foi criado um grupo de gestão de crise para levantar mecanismos que possam ajudar os clientes a continuar operando. 

“Criamos em três dias um software de delivery para ajudar os clientes a venderem online, estamos fazendo dezenas e dezenas de horas de treinamento aos clientes para ajudar a levar mais conteúdo relevante”, conta.

“Outro elemento importante foi o redesenho total do marketing, focando todas as energias para o mundo digital, aumentando expressivamente a visibilidade da empresa, o que fez este setor ser mais vital do que já era em nossa estrutura”, completa.

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O mercado pós-pandemia

“Assim que as empresas estiverem abertas e operando, nenhuma delas voltará ao passado como era”, explica o CEO. Ele acredita que o trabalho home office passe a fazer parte de várias atividades, mudando as dinâmicas e as formas nas entregas de resultado.

“Não acredito que toda empresa será totalmente online daqui para frente, mas creio que alguns setores poderão ser, e acho ainda que alguns setores serão híbridos, ou seja, poderão ser tipo três vezes na semana em home office, ou outras possibilidades”, conta.

Ladmir, ainda, pontua que as leis trabalhistas acabarão se adaptando a essa nova realidade. “Ou seja, todos terão de se adaptar, começando pelos profissionais, as empresas, passando pela legislação e chegando aos governos, que também terão de adotar novas práticas e rotinas”.

 

Home office foi adotado por empresas durante período de isolamento
(Foto: Divulgação)

 

No entanto, a crise, segundo o CEO, pode ser um momento de reinvenção: "Acho importante que os profissionais entendam que onde há alguém chorando tem alguém vendendo lenço, ou seja, onde há uma crise, também há oportunidade".

"Neste momento, as profissões estão sendo reinventadas, e as pessoas que estão entrando no mercado de trabalho estão com uma chance imensa de terem muito destaque por estarem com uma nova forma de pensar, o que é mais difícil de um antigo profissional se reinventar", ressalta.

Ladmir aconselha que as pessoas tentem ser autodidatas e adquiram conhecimentos por conta própria, sem esperar por treinamentos formais. Ele também destaca a importância de saber gerir o tempo.

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"O importante daqui para frente é a pessoa conseguir entregar de casa os trabalhos que precisam ser feitos sem a cobrança de um líder, é importante ser um excelente gestor do seu próprio tempo para conseguir não perder o foco das missões que lhe são dadas", pondera.

Por fim, a dica que ele dá é "saber usar as tecnologias a seu favor, como redes sociais, web conference, acesso remoto e outros, pois atualmente é possível estar em casa ao mesmo tempo que está com o grupo de trabalho, tudo virtual.  Não dá mais para brigar contra algo que já é realidade", conclui.

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