Servidora teria se pintado para ocupar vaga de negros na PF. Entenda!

Aprovada em concurso PF é acusada de ter entrado pela vaga de cotas, mas ter se pintado. Advogados, banca, e a jovem se manifestam sobre.

18/09/2020 08:59 | Atualizado: 18/09/2020 18:26

Por: Mateus Carvalho

18/09/2020 08:59 | Atualizado: 18/09/2020 18:26 - Por: Mateus Carvalho

Um caso de suposta fraude vem tomando conta do noticiário de concurso público nesta semana e envolve nada mais nada menos do que o concurso da Polícia Federal. Uma servidora teria se pintado para ingressar pela cota de negros.

Toda suposição em torno da história da jovem é necessária, pois o caso está sob investigação, ainda sem uma conclusão. A ex-servidora, seus advogados e a banca já se manifestaram sobre o ocorrido.

O caso é da jovem Glaucielle da Silva Dias, que foi aprovada no concurso PF para o cargo de agente de polícia. Ela, inclusive, já havia tomado posse.

Algumas fotos que circulam na internet como tendo sido feitas para garantir a aprovação na fase de heteroidentificação do concurso, são questionadas pela diferenciação com as postadas por ela atualmente.

Heteroidentificação é a fase do concurso onde uma comissão responsável verifica a autenticidade das autodeclarações de candidatos que concorrem à cota de vagas destinada para negros.


A exoneração da ex-servidora foi publicada no Diário Oficial da União da última segunda-feira, 14, e ela já não faz mais parte da corporação. Em resposta à TV Globo, a Polícia Federal disse que 'apura as circunstâncias do caso'.

(Foto: Reprodução)
Investigação apura fraude em ingresso por cota
no concurso PF (Foto: Reprodução)

Advogados alegam que jovem pediu afastamento e acusam o Cebraspe

Em nota divulgada, os advogados da ex-servidora da PF alegam que foi a própria jovem que pediu o afastamento do cargo e contestam as acusações.

Rinaldo Mouzalas e Valberto Azevedo, advogados de Glaucielle, ainda apontam que foi o próprio Cebraspe, banca organizadora do concurso, que teria tirado as fotografias que apontam a cor da candidata durante o processo de seleção.

A jovem ainda alega que nunca escondeu que concorria na cota de negros no concurso.

A defesa também argumenta que a jovem 'é filha de empregada doméstica, membro de uma humilde família de negros do interior do Rio de Janeiro', complementando que sempre foi vítima de preconceitos como este.

Glaucielle publicou um vídeo na sua conta oficial do Instagram onde relata o caso e diz que nunca omitiu tal concorrência pela reserva de vaga, pontuando que:

"Sempre sofri preconceito por minha aparência, por conta da cor, pelo cabelo, por causa do nariz"

Cebraspe nega as acusações; confira!

O Cebraspe, por sua vez, nega que teria sido o responsável por tirar as fotografias. Enquanto a defesa alega que 'a banca responsável pelo exame de heteroidentificação era composta por cinco examinadores, todos integrantes de movimentos negros', o Cebraspe rebate:

 "O Cebraspe não tira fotos na etapa de heteroidentificação, essa etapa ocorre presencialmente e é gravada em vídeo no momento em que está acontecendo", disse a banca.

A empresa justificou que, sim, a sua banca de examinadores é composta por pessoas com experiência em políticas públicas de enfrentamento ao racismo, mas destaca que a etapa:

"avalia se o candidato possui características físicas de uma pessoa negra, por meio da verificação da textura dos cabelos e da cor da pele, entre outras."

Os advogados da jovem ainda alegam que ela teria 'sensibilizado' os examinadores ao relatar sua história de vida quando se declarou negra no concurso e citou as condições.

"Tendo comparecido presencialmente ao exame, quando se declarou negra e narrou a sua difícil história familiar, sensibilizou os examinadores"

Por fim, os representantes da jovem alegam que algumas fotos que circulam nas redes sociais possuem filtros, mascarando a sua aparência real. 

Veja um trecho da nota do Cebraspe

"Ainda sobre o caso citado, compete ao Cebraspe observar a legalidade dos procedimentos relacionados ao concurso público e garantir as informações e documentos necessários para eventual apuração de crime. Havendo suspeita ou denúncia de que fraude tenha ocorrido, o que cabe a este Centro é enviar todas as informações necessárias à apuração para a polícia, que procederá com as investigações.

O Cebraspe reforça, ainda, que repudia tentativas de fraudes que maculem o sistema de cotas para negros."

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