Queixas sobre nível de dificuldade e fotos na internet

Realizada no domingo, 31 de agosto, a prova objetiva do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ) já é alvo de muitas reclamações. Após a realização da avaliação, diversos candidatos criticaram, nas redes sociais e no site de FOLHA DIRIGIDA, o nível de dificuldade do exame. Professores de cursinhos preparatórios também se posicionaram e consideraram que houve uma cobrança exagerada, que exigiam conhecimentos avançados, que estão além do nível de escolaridade exigido para o cargo. As disciplinas citadas como mais complicadas foram História e Informática.

01/09/2014 09:48 | Atualizado: 23/09/2017 02:30

01/09/2014 09:48 | Atualizado: 23/09/2017 02:30
Realizada no domingo, 31 de agosto, a prova objetiva do concurso para soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PM-RJ) já é alvo de muitas reclamações. Após a realização da avaliação, diversos candidatos criticaram, nas redes sociais e no site de FOLHA DIRIGIDA, o nível de dificuldade do exame. Professores de cursinhos preparatórios também se posicionaram e consideraram que houve uma cobrança exagerada, que exigiam conhecimentos avançados, que estão além do nível de escolaridade exigido para o cargo. As disciplinas citadas como mais complicadas foram História e Informática.

Para o professor Francisco Carlos, que leciona aulas de História e Geografia, o nível da prova dificultou a capacidade de raciocínio dos candidatos. "O conteúdo não estava fora do edital. O nível de complexidade das questões é que foi acima do conhecimento, raciocínio e de análise dos alunos. São perguntas acima do nível médio". O professor cita uma questão de História para exemplificar. "Uma delas foi sobre a Batalha de Genipapo. Acontece que a própria bibliografia histórica não confirma esse fato, ou seja, não há comprovação. Como eles colocam isso? Do ponto de vista pedagógico é inaceitável", afirmou.
 
Segundo o professor, as respostas também são passíveis de questionamentos. "Tem respostas que foram copiadas e coladas de textos da internet." Ainda de acordo com Francisco Carlos, houve incopetência da organizadora Exatus na hora de montar as questões. Para ele, o departamento de educação da PM-RJ também tem culpa. "Como podem ter permitido essas perguntas como instrumento de avaliação? Esse tipo de prova acaba por não avaliar absolutamente nada a capacidade de análise, e os conhecimentos histórico, social e econômico dos candidatos."
 
Já o professor de informática Paulo Barbosa, afirma que as cinco questões da disciplina foram "absurdamente difíceis". "Com certeza foi uma prova atípica para um concurso de PM-RJ. Na verdade, foi uma prova difícil em relação a qualquer outro concurso que vi nos últimos dez anos", garantiu. Ele destaca que uma prova bem feita deve ser com questões fáceis, de nível médio e difíceis. "Foi exatamente o contrário do que ocorreu. A prova não teve um diferenciamento no nível de questões. Todas foram igualmente difíceis. Isso levará a uma eliminação em massa dos candidatos. Acho que será difícil preencherem todas as 6 mil vagas", afirmou. Paulo Barbosa cita ainda que a PM-RJ foi o primeiro concurso público de seu conhecimento que foi exigido Excel 2013 no teste de informática. "Até então, todos os demais concursos cobraram Excel 2010 ou versões mais antigas."
 
Na opinião de Alisson Nascimento, um dos candidatos que se sentiram prejudicados com o grau de exigência, o nível da prova para cargos de nível superior. "Tenho amigos professores que me confirmaram que o nível estava muito alto, um deles até professor da PUC-Rio. Já li vários livros de História e nunca vi nada sobre a Batalha de Genipapo, que foi cobrada. Ou essa prova foi só para arrecadar fundos ou só queriam classificar 2 mil PMs no Estado do Rio de Janeiro, que tem uma segurança pública totalmente defasada", ponderou. Ele afirma que já pensa em entrar com um recurso. "É a minha vida que está em jogo neste concurso."
 
Outra que se sentiu prejudica foi Rhayane Barcelos. "É uma tremenda falta de respeito com os candidatos. Tem gente que estuda anos para esse concurso e eles fazem isso. História e Informática estavam impossíveis de se fazer. Quem acertou foi pelo chute. Já estou me reunindo com outros colegas que prestaram o concurso para abrirmos um recurso."
 

PM diz que eliminou candidatos que tiraram foto em sala de prova
 
Algumas postagens feitas nas redes sociais mostram imagens de uma folha do caderno de questões e do cartões de respostas de dois candidatos, que supostamente teriam sido tiradas ainda em sala de aula, durante a realização do teste, o que demonstraria uma falta de fiscalização eficiente por parte da banca. As imagens, que circulam nas redes sociais, vem gerando críticas por parte de candidatos, que acreditam que a prova deveia ser anulada por quebra de sigilo. Procurada pela reportagem de FOLHA DIRIGIDA para comentar o grau de exigência e a possível falha de fiscalização, a PM-RJ emitiu nota, informando que dois candidatos foram eliminados por terem fotogradado o cartão de respostas, e informouu que a eventuais falhas de organização serão cobradas da Exatus:
 
A empresa Exatus, por meio de seu site , disponibiliza a ferramenta para recursos, com atendimento aos interessados até dia 8 de setembro, conforme previsto no calendário que consta do edital de abertura da seleção. Os recursos relacionados a questões da prova podem ser feitos diretamente neste link . Quanto a falhas que possam ter ocorrido - tanto na segurança quanto na organização do concurso - estas serão devidamente cobradas da empresa. Em cada município onde foi realizada prova havia policiais com a missão de conferir se tudo estava sendo cumprido conforme o edital. Se forem constatadas falhas, estas serão reunidas em um relatório e enviadas quarta-feira para o Centro de Recrutamento e Seleção de Praças (CRSP), e este repassará à Diretoria de Logística (DL), setor da PM responsável pelas licitações.
 
A DL analisará os casos - e se forem comprovadas irregularidades em desacordo com o contrato, podem haver punições previstas na Lei das Licitações, que vão desde a advertência até a suspensão por tempo determinado de participar de novos certames. No domingo (31/08) dois candidatos foram eliminados por terem entrado com celular escondido e fotografado o cartão de respostas (não-preenchido) da prova e postado em redes sociais.
 
Em relação às postagens que foram feitas nas redes sociais do cartão resposta e de uma página da prova de soldado, o advogado especializado em concursos Gabriel Quintanilha acredita que a PM-RJ e a Exatus precisam abrir uma sindicância interna para apurar o ocorrido. "Em um primeiro momento, acho que não há motivos para se anular o concurso. A foto postada da folha de respostas não configura vazamento de gabarito. Já a outra foto, que apresenta algumas questões da prova, é um pouco mais comprometedora, mas quem garante que ela não foi postada após a prova, na casa de um candidato? Chama a atenção que a prova está em cima de uma bancada de mármore e não de uma carteira escolar. No entanto, sem dúvida alguma, houve uma falta de fiscalização por parte da organizadora, pelo menos no primeiro caso, onde parece que a foto foi feita no local do exame", disse.

No entanto, Gabriel Quintanilha destaca que se essa sindicância apontar que a foto foi feita durante a aplicação da prova, o concurso precisa ser anulado. "Nesse caso, teria ocorrido o vazamento de algumas questões e, além disso, o candidato teve uma vantagem competitiva em relação ao demais, que entregaram seus celulares aos fiscais", ponderou.

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