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Redação FGV: como se sair bem na discursiva da banca?

A Fundação Getulio Vargas é uma das principais bancas  de concurso. No entanto, o modelo de redação da FGV tem algumas particularidades que diferem do Cebraspe ou da Fundação Carlos Chagas (FCC).

Segundo a professora da disciplina Vivian Barros, muitos futuros servidores se preocupam com a fase objetiva e, de fato, se saem muito bem nela. Por outro lado, relevam a prova discursiva e, algumas vezes, até mesmo deixam de ser aprovados nessa parte.

No caso da redação para FGV, ela aparece em provas importantes. Por exemplo, é tradicionalmente a organizadora dos concursos do Senado Federal desde 2008.

Também cobre as seleções dos Ministérios Públicos estaduais, além de ter organizado a última para o Tribunal de Justiça do Ceará.

A professora explicou como se sair bem na redação para concurso FGV no programa Gabaritando Provas Discursivas, no canal da Folha Dirigida.

Redação FGV: como é o enunciado da prova?

Primeiramente, antes mesmo de apresentar o tema, a redação da FGV ilustra uma tirinha ou uma charge na maior parte das vezes. A ideia é justamente instigar no candidato um questionamento, para aí sim introduzir o tema.

A princípio, isso torna a redação um pouco mais difícil do que da FCC ou do Cebraspe, por exemplo, visto que os textos de apoio já introduzem o assunto para o futuro servidor.

Nesse aspecto, quando a FGV opta por uma charge ou por uma tirinha, o que ela quer é que o candidato interprete a mensagem. Com essa interpretação em mente, é esperado que ele parta para o modelo de texto dissertativo-argumentativo.

Uma justificativa para o uso desse formato é que os temas da redação FGV tratam de questões sociais e comportamentais.

Mesmo quando não tem nenhuma tirinha ou charge ilustrando o tema, a reflexão é sempre em cima de algo que está acontecendo na sociedade.

Por exemplo, no concurso do TJ-CE de 2019, após um breve texto, a examinadora perguntava: quais devem ser os atributos necessários a uma pessoa para que ela se torne membro do STF?

Apesar de serem temas que pedem uma opinião do candidato, a professora alerta: nunca escreva o texto na primeira pessoa do singular.

O texto dissertativo exige certa impessoalidade na estrutura. Nesse sentido, nem a terceira pessoa do plural ela recomenda usar.

O que é o texto dissertativo-argumentativo?

A princípio, um texto dissertativo-argumentativo pressupõe uma tese. Ou seja, o seu ponto de vista perante ao tema proposto pela banca.

Nesse contexto, não existe certo ou errado. Mas sim considerações a serem feitas.

De antemão, não é bom ficar em cima do muro. Em outras palavras, não apresentar uma opinião sobre o tema é dar tiro no pé.

Vivian Barros aconselha já apresentar qual é a sua tese na introdução do texto. Em seguida, apresentar os argumentos para defendê-lo ao longo dos parágrafos de desenvolvimento.

Por esse motivo, a dica da professora é usar entre dois e três parágrafos de desenvolvimento.

Supondo que em cada um esteja um argumento, se você escreve todo o seu texto em apenas um parágrafo, já dá a ideia que os seus motivos para defender aquela tese são fracos, visto que só conseguiu pensar em um único.

A argumentação não é completa se ela não estiver acompanhada da fundamentação. Se você não mostrar para o examinador como aquele argumento colabora para defender sua ideia, já era, justifica a professora.

Para ilustrar melhor a questão da fundamentação dos argumentos, ela a compara a um término de relacionamento. Não adianta apresentar apenas os motivos. Também é importante expor porque eles te levaram a tomar aquela decisão.

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Estrutura do texto dissertativo-argumentativo

Portanto, na redação FGV, se você usa dados estatísticos para ilustrar o seu argumento, ótimo. Mas não basta apenas os expor. É preciso embasar e justificar porque você está usando tais números para defender sua tese e por qual motivo são importantes para o que está tentando dizer.

Por fim, na conclusão, é hora de apresentar o que se chama de proposta de intervenção. Ou seja, uma solução para o problema apresentado.

Também é possível apenas fechar o seu texto com um resumo de tudo que foi dito. No entanto, ao propor uma solução, o candidato demonstra ampla capacidade de análise e reflexão. Algo que muito agrada os examinadores.

Todavia, não adianta apresentar soluções genéricas. Por exemplo, propor novas políticas públicas. Dentro daquele contexto, quais são essas políticas e por que e como elas são relevantes?

Em resumo, a estrutura da redação para concurso FGV é:

  • Introdução: apresentação da tese em um parágrafo
  • Desenvolvimento: argumentos + fundamentação em dois ou três parágrafos
  • Conclusão: resumo ou apresentação de solução (proposta de intervenção) em um parágrafo

Redação para a FGV

O que a redação FGV cobra?

No concurso para o Senado Federal de 2012, os critérios de avaliação dos aspectos macroestruturais foram:

  • Apresentação, legibilidade, margens e parágrafos
  • Adequação ao tema e/ou a tipologia textual
  • Estrutura textual (construção pertinente de introdução, desenvolvimento e conclusão)
  • Pertinência e riqueza de argumentos/exemplos
  • Relação lógica entre as ideias
  • Objetividade, ordenação e clareza de ideias

Já os aspectos microestruturais foram:

  • Indicação de um erro por cada ocorrência
  • Ortografia, acentuação e crase
  • Inadequação vocabular
  • Repetição ou omissão de palavras
  • Falha de construção frasal ou falta de paralelismo
  • Pontuação
  • Emprego de conectores
  • Concordância verbal ou nominal
  • Regência verbal ou nominal
  • Emprego e colocação de pronomes
  • Vícios de linguagem, estruturas não recomendadas, empregos de maiúsculas e minúsculas, translineação

Assim como os critérios, a nota também era calculada de forma muito parecida com a do Cebraspe. Sua fórmula era NF = A – (6B/TL), onde:

  • NF = nota final
  • A = soma dos aspectos macroestruturais
  • B = quantidade de ocorrência de erros
  • TL = total de linhas efetivamente escritas

Mas, na prova de 2019 do TJ-CE, o espelho da correção mudou bastante. De forma bem resumida, ele passou a ser dividido em:

Parte 1 – Estrutura Textual Global (total de 15 pontos):

  • Abordagem do tema: (8 pontos)
  • Progressão textual (7 pontos)

Parte 2 – Correção Gramatical (total de 5 pontos)

  • Seleção Vocabular (2 pontos e 0,2 pontos a menos para cada erro)
  • Normal Culta (3 pontos e 0,3 pontos para cada erro)

Temas para redação FGV

Além de embasar bem os argumentos, também é importante que eles sejam tão atuais quanto o tema. Por exemplo, em uma redação sobre feminicídio, pode ser interessante citar outros instrumentos legislativos além da lei Maria da Penha.

Outro ponto de atenção é o cuidado para não tomar um ponto de vista extremo. Assim como não é bom ficar em cima do muro, é preciso tomar cuidado com a sua defesa, principalmente quando o tema inspira debate político.

Vivian Barros indica pensar na prova discursiva como uma entrevista de emprego. Consequentemente, você dará uma opinião conveniente para o contexto, e não a sua opinião pessoal.

Além disso, elementos coesivos são muito bem-vindos para evitar uma redação mecânica. Por conseguinte, ter um bom encadeamento de ideias.

Ela também recomenda revisar com atenção na redação FGV principalmente:

  • Emprego da vírgula
  • Crase
  • Regência
  • Concordância
  • Colocação pronominal

Por fim, ela deixa como recado para o futuro servidor: “não há sucesso sem comprometimento”. Portanto, não deixe de praticar para o seu concurso!

Já sabe como escrever uma redação para a FGV, futuro servidor? Acompanhe o Blog da Folha Dirigida para dicas para outras bancas!

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