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Linguagem e Tipologia textual

Linguagem Verbal

Para compreender o que é a linguagem verbal é preciso primeiramente entender o que é a linguagem. Assim, a linguagem caracteriza-se por ser um sistema de signos de caráter simbólico usados para expressar ideias e sentimentos, visando a comunicação.
Desta forma, para que haja comunicação, é preciso que se utilize um código que seja entendido pelos diversos intervenientes do processo comunicativo. Esse código pode ser constituído por palavras, originando uma forma de linguagem verbal, ou ser constituído por imagens, sons e gestos, originando uma forma de linguagem não verbal.

Características da linguagem verbal

A linguagem verbal apresenta-se como sendo a forma de comunicação feita através de palavras, quer oralmente, quer de forma escrita.
A linguagem verbal é utilizada em:

  • carta;
  • bilhete;
  • jornal;
  • revista;
  • sites;
  • livro;
  • diálogo;
  • entrevista;
  • reportagem;
  • filmes;

Linguagem não verbal
Contrariamente à linguagem verbal, a linguagem não verbal utiliza outros meios comunicativos que não a palavra, como imagens, gestos e sons. Por vezes é utilizada de forma inconsciente.
A linguagem não verbal é utilizada em:

  • imagens;
  • figuras;
  • desenhos;
  • sinais;
  • placas;
  • semáforos;
  • bandeiras;
  • logotipos;
  • cores;
  • gestos;
  • posturas corporais;
  • expressões faciais;
  • buzinas;
  • sirenes;
  • apitos;

A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal ao mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e anúncios publicitários.
 

Cartão vermelho – denúncia de falta grave no futebol.
Charge do autor Tacho – exemplo de linguagem verbal (óxente, polo norte 2100) e não verbal (imagem: sol, cactus, pinguim).
Placas de trânsito – à frente “proibido andar de bicicleta”, atrás “quebra-molas”.
Símbolo que se coloca na porta para indicar “sanitário masculino”.
Imagem indicativa de “silêncio”.
Semáforo com sinal amarelo advertindo “atenção”.

As duas formas de linguagem – verbal e não verbal – são de extrema importância e uso frequente no processo comunicativo.

Tipologia Textual

Tipologia textual é a forma como um texto se apresenta. As tipologias existentes são: descrição, narração, dissertação, exposição, injunção, diálogo e entrevista. É importante que não se confunda tipo textual com gênero textual. Para um mesmo tipo textual pode conter diversos gêneros textuais.
O texto faz parte do nosso cotidiano, recorremos a ele para pedir um café, comentar nas redes sociais ou, até mesmo, para escrever um trabalho de conclusão de curso. A seguir, os tipos textuais.

Tipo narrativo

Modalidade em que todos os textos possuem os chamados elementos essenciais da narrativa: tempo, lugar, personagens, fato (enredo) e narrador em sua estrutura. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O  tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações, desde as que nos contam histórias infantis, como o Chapeuzinho Vermelho ou a Bela Adormecida, até as piadas do cotidiano.

Tipo descritivo

Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa “criar” com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se refere.

Tipo expositivo

Apresenta informações sobre assuntos, expõe ideias; explica, avalia, reflete. (analisa ideias).

  1. Estrutura básica:
  2. ideia principal;
  3. desenvolvimento;
  4. conclusão.

Uso de linguagem clara. Ex: ensaios, artigos  científicos, exposições,etc.

Tipo dissertativo

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo-expositivo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, a intenção é informar, esclarecer. Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo através de uma progressão lógica, temos um texto dissertativo- argumentativo.
 

Tipo instrucional ou injuntiva

Indica como realizar uma ação. É também  utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados  no modo imperativo. Há também o uso do futuro do presente. Ex: Receita de um bolo e manuais.

Tipo dialogal

Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc. Pode conter marcas da linguagem oral, como pausas e retomadas.

Gênero Textuais

Você já se deu conta da infinidade de situações comunicacionais às quais somos expostos ao longo de nossa vida? Nem precisa tanto, pois durante um único dia podemos estar envolvidos em diferentes contextos e ambientes que exigem de nós um comportamento linguístico específico. A linguagem é um dos mais eficientes meios de comunicação, pois ela nos permite interagir com pessoas, assim como alterar nosso discurso de acordo com as necessidades do momento.
Dessa constante necessidade que o ser humano tem de interagir e comunicar-se com o outro, surgiram os gêneros textuais. Os gêneros textuais não podem ser numerados, visto que variam muito e se adaptam às necessidades dos falantes. Mesmo que não possamos contá-los, é possível observar que eles possuem peculiaridades que nos permitem identificá-los e reconhecê-los entre tantos outros gêneros. Entre as características dos gêneros textuais estão a apresentação de tipos estáveis de enunciados, além de estruturas e conteúdos temáticos que facilitam sua definição.
Diferentemente dos tipos textuais, que apresentam uma estrutura bem definida, além de um número limitado de possibilidades (podem variar entre cinco e nove tipos), os gêneros textuais são diversos e cumprem uma função social específica. Além disso, os gêneros podem sofrer modificações ao longo do tempo, embora muitas vezes preservem características preponderantes. Como exemplo dessa “evolução”, temos a carta, que depois do advento da tecnologia foi transformada no e-mail, meio de comunicação que substituiu o papel, a caneta e a necessidade de postagem pelos correios, visto que pode ser recebido instantaneamente pelo destinatário. Contudo, alguns elementos linguísticos foram preservados, como as saudações, o remetente e, claro, o destinatário.
Os gêneros são utilizados todas as vezes que os falantes estão inseridos em alguma situação comunicativa. Ainda que, inconscientemente, selecionamos um gênero que melhor se adapta àquilo que desejamos transmitir aos nossos interlocutores, sempre com a intenção de obter algum efeito sobre ele. Seja no bilhetinho deixado na porta da geladeira, seja nas postagens feitas nas redes sociais ou, até mesmo, nas piadas que contamos para os nossos amigos, os gêneros estão lá, trabalhando a serviço da comunicação e da linguagem.
Veja agora alguns exemplos de gêneros textuais:

  • Artigo
  • Crônica
  • Conto
  • Reportagem
  • Notícia
  • E-mail
  • Carta
  • Relatório
  • Resumo
  • Resenha
  • Biografia
  • Diário
  • Fábula
  • Ofício
  • Poema
  • Piada

Além desses, há também os gêneros literários, tais como:

  • Épico, conto, novela, romance, fábula, crônica, ensaio etc.       

Gêneros líricos, texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emoções, ideias e impressões em face do mundo exterior.             

  • Elegia, epitalâmia, hino, idílio, sátira, balada, canção etc.

Gêneros dramáticos, que são textos escritos para ser encenado no teatro, por exemplo:

  • Tragédia, farsa, comédia, tragicomédia, poesia de cordel.

Relação entre tipologia e gêneros textuais

A seguir, as tipologias e alguns respectivos gêneros textuais:
 

Tipologia textual Gêneros textuais
Narrativo Contos; Fábula; Lenda; Narrativa de ficção científica; Romance; Piada e outros.
Descritivo Cardápio; Folheto turístico; Anúncio etc.
Expositivo Texto expositivo; Seminário; Conferência; Palestra; Entrevista de especialista; Texto explicativo; Relatório científico etc.
Dissertativo Dissertação-exposição; Dissertação-argumentação.
Instrucional Receita; Instruções de uso; Regulamento; Textos prescritivos e outros.
Diálogo entrevista, conversa telefônica, chat etc.

 

Discurso reportado (citação)

Discursos direto, indireto e indireto livre

Ao construir um texto, você pode mostrar a presença de outras vozes, trazendo para a cena e demarcando lugares e limites. Num texto narrativo, entram em cena personagens que dialogam entre si, manifestando seu discurso.É preciso conhecer os recursos que o narrador pode utilizar para reproduzir o discurso de tais personagens, ou seja, como ele insere na narrativa a fala que não lhe pertence. Basicamente, há três recursos para citar o discurso do outro: discurso direto, discurso indireto e discurso indireto livre.

Discurso direto

Aqui, a fala de cada personagem é associada diretamente à sua imagem, permitindo ao leitor apreender as diversas vozes mostradas no texto.
Exemplos:
Agora, como se dá o discurso direto em uma narrativa literária:
Governar
Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
– Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus
exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a
minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará meu
lanche.
– Com que dinheiro? – atalhou Januário.
– Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a
caixinha do Governo.
– E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.
– Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as
brigas, distribuo as tarefas, trato de igual para igual com os professores.
Vocês obedecem, democraticamente.

Discurso indireto

O discurso indireto apresenta algumas características básicas. Normalmente, vem introduzido por um verbo de dizer; vem separado da fala do narrador por uma partícula introdutória, geralmente, a conjunção “que” ou “se”, e não por sinais de pontuação.
Exemplo: “- pediu-lhe que fosse repousar”.
O tempo verbal, os pronomes e as palavras dependentes da situação são determinados pelo contexto em que se inscreve o narrador e não a personagem: o verbo ocorre na 3ª pessoa, o tempo verbal se correlaciona com o tempo em que se situa o narrador, e o mesmo ocorre com os demais recursos linguísticos de situação (advérbios, pronomes etc.).
Exemplo:
(…) [Estácio] Cercou-a [Helena] de cuidados, buscou distraí-la, pediu-lhe que fosse repousar um instante. Para justificar a explicação que dera, Helena obedeceu às instruções do irmão. Este foi encerrar-se no gabinete, onde se ocupou a examinar e colecionar alguns papéis.

Discurso direto x Discurso indireto

Discurso direto:
O pai chamou o filho e perguntou:
– Quem quebrou este vidro, meu filho?
 
Discurso indireto:
O pai chamou o filho e perguntou-lhe quem havia quebrado aquele vidro.

Discurso Indireto livre

Aqui, não há indicadores muito evidentes dos limites entre a fala do narrador em 3ª pessoa (narrador onisciente) e a fala da personagem. Trata-se, na verdade, de uma representação da fala interior da personagem diretamente inserida na linguagem do narrador.
Exemplo:
Fabiano cochilava, a cabeça pesada inclinava-se para o peito e levantava-se. (…) Acordou sobressaltado. Pois não estava misturando as pessoas, desatinando? Talvez fosse efeito da cachaça. Não era: tinha bebido um copo, um tanto assim, quatro dedos. Se lhe dessem tempo, contaria o que se passara. Ouviu o falatório desconexo do bêbado, caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando como um escravo. Desentupia o bebedouro, consertava as cercas, curava os animais – aproveitara um casco de fazenda sem valor. Tudo em ordem, podiam ver. Tinha culpa de ser bruto? Quem tinha culpa?

Diferenças entre os discursos

Discurso indireto livre:
Acordou sobressaltado. Pois não estava misturando as pessoas, desatinando?
 
Discurso direto:
Fabiano acordou sobressaltado e começou a pensar: Pois não estava misturando as pessoas, desatinando?
 
Discurso indireto:
Fabiano acordou sobressaltado e começou a pensar que poderia estar misturando as pessoas, desatinando. 
Vamos praticar?
 

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