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Quais as funções do policial civil?

Justamente por ser o sonho de muitos futuros servidores que almejam a área de Segurança, as funções do policial civil costumam ser muito glamourizadas.

A afirmação é da delegada da Polícia Civil do Rio de Janeiro e coordenadora da área de Segurança da Folha Cursos, Thaianne Moraes.

Segundo a profissional, muitas vezes, as pessoas se empolgam com a ideia de usar a farda e sair em operações, por exemplo. No entanto, uma investigação bem-sucedida é aquela que ocorre no maior sigilo possível, sem precisar de troca de tiros.

Estar consciente dessas questões é fundamental para saber se o seu perfil se encaixa mais em uma polícia judiciária, que é o caso da polícia civil, ou em uma polícia ostensiva, como a militar.

Por esse motivo, a delegada Thaianne tirou algumas das principais dúvidas sobre as funções do policial civil, curiosidades e mitos, além do que está por vir no concurso para a corporação. Confira!

Quais são os mitos e verdades sobre as funções do policial civil?

“Eu gosto muito de enfatizar que a gente é polícia judiciária”, afirma Thaianne Moraes. De acordo com a delegada, tem muitas funções dentro da investigação, responsabilidade da polícia civil, que são mais veladas. Justamente por isso, as pessoas não as conhecem.

Sem contar com outras atividades da delegacias, como as cartorárias, de interrogação e monitoramento

Além disso, ao contrário do que muitos podem pensar, o êxito de uma investigação está em concluir um trabalho sem precisar fazer operações, capturando os alvos sem tiroteios e sem possíveis efeitos colaterais.

Operações instrumentalizam a função, mas o objetivo da polícia civil será sempre a investigação.

Apesar de ser possível construir uma carreira dentro da corporação nesse sentido, muitas pessoas podem se frustrar ao se deparar com uma realidade que não corresponde a esse imaginário.

Vão existir momentos de sair de viatura ostensiva e roupas táticas. Mas também haverá trabalhos com roupa civil, para ouvir as pessoas, realizar interrogatórios e fazer ações em campo, para determinadas coberturas e leituras de ambiente.

Ter conhecimento disso é fundamental para entender se você tem o perfil ou não para trabalhar em uma polícia judiciária.

Pessoas sentimentais podem ser policiais civis?

Outro mito em relação às funções do policial civil é que ele não pode ser uma pessoa sentimental para realizar seu trabalho. No entanto, essa sensibilidade também pode ser considerada uma característica positiva no agente.

Isso também não significa dizer que você não vá conseguir agir na hora da ação. Muitas vezes é quem parece ser mais duro na queda que, nos momentos mais difíceis, não sabe lidar com a situação.

Principalmente em delegacias que atendem a população do bairro e lidam com questões envolvendo família, crianças e idosos, essas pessoas são muito importantes.

Elas têm uma capacidade única de entrar na realidade social para em seguida ajudar na forma criminal. Através de coleta mais técnica, de forma menos agressiva, principalmente para a vítima e seus familiares.

Unidades que lidam com combate às drogas, roubo de carga e empreitadas criminosas envolvem porte de armas, homicídio e tortura são um cenário mais bruto e agressivo. Mas esse perfil também pode ser importante nessas funções do policial civil.

Gatilho de sensibilidade

Muitas das vezes, essas pessoas podem ter um gatilho de sensibilidade para situações mais próximas a sua realidade, a ponto de se colocar no lugar da vítima. Desenvolver esse tipo de sentimento depende da personalidade e perfil de cada um.

O que Thaianne Moraes explica é que trabalhar na polícia significa enxergar o ser humano de uma forma que você nunca imaginou. É uma experiência pessoal muito grande administrar tipos de emoções que você nunca esperou sentir.

Por isso, é importante saber observar quais são os tipos de lotações e de delegacias que favorecem as suas características particulares e se você consegue administrá-las bem.

Da experiência da delegada, tem ocorrências que mesmo quem é mais duro na queda fica de estômago embrulhado.

No entanto, ela também acredita que é nessas horas que nasce o verdadeiro profissional, pois certas situações despertam uma revolta tão grande nos agentes, que eles saem com mais vontade ainda de solucionar o caso.

“Não é uma raiva, é uma vontade de fazer acontecer. É vontade de fazer justiça mesmo”, explica Thaianne Moraes.

O fato é que a atuação da polícia é muito extrema. Por isso, em certos momentos será inevitável não sentir medo ou ficar chocado. O que faz alguém policial é querer fazer a diferença.

Tem pessoas que realmente ficam paralisadas diante de situações sensíveis. Nesses casos, talvez as funções do policial civil realmente não se adequem a esse perfil. No entanto, em muitos dos casos, os futuros servidores subestimam sua própria capacidade de lidar com o inesperado.

Em suma, ter esse lado sentimental é algo positivo, principalmente no momento de estar com a vítima.

Funções do policial civil na DH

Apesar de ser muito comum ter a primeira lotação nas delegacias distritais, também é possível que ela ocorra nas Delegacias de Homicídios, as chamadas DH.

Isso porque há o revezamento de plantão de cinco equipes por semana.

Além disso, as DHs também têm o Grupo Especial de Local de Crime (GELC). Por a investigação de homicídios ser um trabalho muito específico, diversos policiais escolhem seguir carreira exclusivamente nessa área.

O trabalho inclui estar muito próximo da perícia, realizando visitas ao local dos crimes acompanhado dos peritos.

Também é possível, para a lotação em qualquer tipo de delegacia, pedir para ficar mais perto de casa. No entanto, como é um concurso estadual, trocas podem ser necessárias e surgir uma possível posição em uma cidade mais distante.

Já em relação ao técnico de necropsia, diferente do perito, não é comum que ele vá para a rua. Mas também não é impossível.

Em casos de investigações peculiares ou casos mais específicos em que o profissional sentir necessidade, ele pode alinhar a saída com o resto da equipe. Afinal, assim como os outros agentes, o técnico de necropsia também é um policial.

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Funções do policial civil na CORE

A Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) é uma das partes da Polícia Civil do Rio que mais gera curiosidades nos futuros servidores que almejam carreira na corporação.

Com funções mais táticas e operacionais, a própria Core tem a sua elite. São os policiais conhecidos como falcões.

Para se tornar um falcão, é necessário ser aprovado em um dos cursos mais difíceis da organização, o Curso de Operações Táticas Especiais (Cote). Os policiais que fazem parte do Core mas não fizeram o Cote, fazem parte do setor jaguar.

Para ser aprovado para fazer o curso, os servidores precisam fazer um Teste de Aptidão Física (TAF) bem rigoroso. Os que passam são entrevistados, para aí sim poderem começar.

Ainda assim, poucos concluem o treinamento, com alto nível de desistência. O Cote é referência em todo o país, de forma que instrutores das Academias de Polícia de outros estados vem para o Rio de Janeiro em busca da formação.

Existe punição geográfica na polícia?

Segundo a delegada Thaianne, não, pois a punição geográfica não é algo institucionalizado. Ela consistiria, como o próprio nome diz, em punir o policial por algum motivo específico lotando-o em uma delegacia mais afastada do centro.

O que acontece, de acordo com Thaianne Moraes, é que às vezes um determinado agente não está sintonia com o resto da equipe. Por esse motivo, ele é transferido de delegacia. Às vezes, a pessoa pode ficar magoada por ir para um lugar que não queria ou inesperado.

Ainda nesse quesito, caso queira, o delegado tem a opção de levar a própria equipe em caso de transferência. É normal que, com o tempo de carreira, ele forme um grupo de policiais com quem prefere trabalhar.

Por outro lado, por desentendimento e outras diversas questões, ele pode querer começar do zero em outro lugar trabalhando com agentes diferentes. Os relacionamentos dentro da polícia são como quaisquer outras relações humanas, com altos e baixos.

Delegados saem em operações?

É o próprio delegado que define a necessidade de que saia ou não em operações. Por exemplo, ele pode ser necessário operações mais sensíveis, para dar mais segurança a equipe e autorizações legais que podem agilizar o processo.

Outras situações podem acontecer. Já houve vezes em que a própria Thaianne Moraes precisou sair em operações porque era a única mulher na equipe e alvo em questões era do gênero feminino.

No entanto, o delegado tem outras funções dentro da delegacia para gerenciar, como o cartório para administrar. Por isso, cabe a ele ter a percepção se é mais importante estar com a equipe da rua ou a equipe da base.

Em geral, é uma profissão que não tem rotina. Por exemplo, um alvo pode aparecer no dia da folga. Por ser uma trabalho muito dinâmico, às vezes é quando você acha que seria seu dia da folga que trabalha mais duro.

Qual a diferença entre delegado titular e substituto?

Na PCnRJ, o delegado pode atuar em três frentes: como titular, adjunto ou substituto.

O delegado adjunto é o plantonista, que atua no esquema de 24 horas de trabalho e 72 horas de descanso. Já o assistente e o titular não trabalham com esse esquema de folga fixa.

Thaianne Moraes compara com o funcionamento de um hospital. Ou seja, além da emergência, ele tem outras frentes de atuação, como um médico teria um acompanhamento ou uma cirurgia.

Os delegados titulares são escolhidos pelo secretário de polícia. Os assistentes trabalham na assistência deles e no gerenciamento da tropa.

É muito comum que os delegados variem entre as três funções, justamente para tornar seu trabalho mais dinâmico.

O que é o GIC?

Os Grupos de Investigações Criminais (GIC) são as equipes policiais nas delegacias numeradas responsáveis pela rua, visto que nas numeradas as funções do policial civil ainda se dividem entre outras atividades como plantão, balcão e cartório, por exemplo.

Portanto, esses policiais são aqueles mais alinhados e próximos do delegado responsável.

O trabalho nas especializadas é bem diferente, já que elas têm mais operações, uma das partes mais difíceis da atuação policial.

Edital em vias de sair?

Ler todas essas informações sobre uma corporação em que deseja tanto ingressar te deixou ansioso? Apesar de, aparentemente, estar em vias de sair, o candidato não precisa do edital para estudar. Inclusive, essa expectativa pode até mesmo atrapalhar a preparação.

Thaianne Moraes lembra que, na época em que estava se preparando, seu estudo deslanchou justamente quando ela desencanou da ansiedade pelo edital. Por fim, ele saiu quando ela menos esperava.

Portanto, se o seu sonho um dia é executar as funções do policial civil, sua recomendação é manter-se uma pessoa esforçada, dedicada e disciplinada nos estudos, caindo dentro da preparação e da oportunidade de passar na prova.

Segundo a delegada, 80% da prova corresponde ao conteúdo e 20% à forma como ele será cobrado pela banca escolhida. Portanto, o futuro servidor tem mais do que o suficiente de material em mãos para, no intervalo de dois e três meses entre o edital e a prova, apenas aprofundar sua preparação.

Antes de ser aprovada, a própria delegada Thaianne teve reprovações. Mas, assim como outros servidores públicos, ela se manteve perseverante e não desistiu.

Você já sabia sobre essas funções do policial civil, futuro servidor? Confira outros posts sobre a área de Segurança do Blog da Folha Dirigida!

turma bravo pcrj

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1 Resultado

  1. Muito bem explicado, parabéns

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