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Como ter um estudo de qualidade?

Provavelmente, durante a sua rotina de preparação para concurso público, você já deve ter se questionado sobre como ter um estudo de qualidade.

Muito se fala sobre encontrar a técnica de estudos ideal ou o planejamento perfeito, mas um grande desafio é manter o ritmo e o rendimento em alta até o dia da prova.

Algumas pessoas recorrem ao uso de psicoestimulantes, mas a realidade é que, dependendo do que for utilizar, isso pode ser perigoso e atrapalhar.

E foi isso que o dr. Pablo Vinicius, psiquiatra e especialista em Medicina do Sono, identificou em alguns estudantes que atendeu durante sua carreira.

Na live do programa Futuro Servidor na Prática, o médico falou sobre como o uso indiscriminado da Ritalina não significa a solução para um estudo de qualidade, além da importância de bons hábitos de vida no processo de aprendizagem.

Por que os estudantes usam Ritalina para estudar?

Quando começou a atuar em seu próprio escritório, há cerca de 20 anos, dr. Pablo Vinicius percebeu que muitos estudantes pediam que ele receitasse Ritalina.

O médico achou estranho porque, se as pessoas estavam pedindo Ritalina para estudar para concurso, era porque tinha alguma coisa errada nos estudos.

Mais tarde, já no mestrado, ele percebeu que o principal problema era atribuir o bom rendimento apenas à hora de estudar.

Muitos alunos não consideravam a importância de fatores como dormir bem, ter uma boa alimentação, fazer exercícios físicos e ter controle emocional, por exemplo.

Dr. Pablo acredita que muitos estudantes recorrem à Ritalina por influência de outros. Eles pensam que, se não utilizam esses medicamentos, estarão atrás dos que o usam em nível de rendimento e, por consequência, na aprovação.

Isso é um mito. Estudos recentes comprovam que, apesar da Ritalina influenciar na atenção imediata, ela não exerce influência no processo de aprendizagem a médio e longo prazo, que é com o que o futuro servidor deve se preocupar.

“O aprendizado nesse momento é de péssima qualidade”, acrescenta o dr. Pablo. O que fará a diferença para um estudo de qualidade é a eficiência. E não há eficiência sem esforço.

O que fazer para estudar com qualidade?

Para ter um estudo de qualidade, o médico acredita que disciplinas como Nutrição e Medicina do Sono, por exemplo, deveriam ser assuntos que estão presentes desde o currículo escolar.

Somos ensinados que a única coisa que precisamos fazer para aprender é “sentar a bunda na cadeira e estudar”, quando o processo de aprendizagem envolve muito mais que isso.

Ele recomenda não o uso de medicamentos, mas sim a manutenção de hábitos saudáveis que estimularão diretamente a produção de ATP (adenosina trifosfato), que é a moeda de troca de energia do próprio organismo.

A maior parte da energia química que os organismos necessitam para realizar seu metabolismo é resultado de reações dessas moléculas. Os produtos finais das reações de ATP são ADP (adenosina difosfato), fosfato e energia.

São quatro pilares para se sentir bem e, por consequência, estimular a produção de ATP:

  • Controle emocional
  • Atividade física
  • Alimentação
  • Sono

Quatro pilares para aumentar o rendimento nos estudos

Qual a importância do controle emocional?

A ansiedade patológica consome todas as suas ATPs. Ainda que você tenha passado o dia no sofá fazendo nada, por exemplo, levanta se sentindo extremamente cansado.

Por isso mesmo, destacamos no Método Futuro Servidor a importância de cuidar da sua preparação emocional também, além dos estudos.

Como a atividade física pode ajudar nos estudos?

A atividade física é a grande usina de energia de ATPs. Muitos futuros servidores abrem mão desse tipo de exercício porque não encontram tempo em suas rotinas ou não a consideram essencial.

Mas é justamente a atividade física que vai gerar energia para ser gasta nos estudos.

Acompanhe as lições do Método Futuro Servidor!

Como a alimentação interfere nos estudos?

Assim como acontece com a ansiedade, além de não gerar ATPs, uma má alimentação gastará as moléculas produzidas pelo seu corpo. Comer mal traz cansaço.

Não compra na farmácia nem na feira do domingo, precisa de esforço, dedicação e rotina, afirma doutor Pablo sobre os ATPs, que ele chama de ‘vitamina da inteligência’.

O café também é um assunto muito delicado quando se fala de estudos. Assim como a Ritalina, a cafeína funciona como um estimulante para atenção.

Pensar em uma quantidade específica de café que sirva para todos é complicado. Cada um tem uma sensibilidade diferente à substância, determinada pela própria genética.

É preciso se perguntar:

  • O que o café faz na sua vida?
  • O café te acorda, te desperta?
  • O café não tem ação nenhuma no seu corpo?

O café em excesso pode fazer extremamente mal, causando ansiedade e fazendo com que o estudante perca o sono e, por consequência, etapas cruciais no processo de aprendizagem.

Isso também faz com o que futuro servidor entre no ciclo perverso da cafeína: ele toma muito café, não dorme bem, não aprende e no dia seguinte repete tudo de novo, dia após dia.

Os ATPs do próprio organismo que devem ser responsáveis pelo estado de alerta.

Café e estudos

Qual a importância do sono para os estudos?

Para falar de sono, é preciso dividi-lo em três aspectos essenciais:

  • Quantidade
  • Qualidade
  • Cronotipia

Quantidade

Pablo Vinicius acredita que o mundo viva hoje uma privação de sono, uma síndrome chamada 24/7/365: trabalhar 24 horas por dia, sete dias na semana, 365 dias por ano, sem nenhuma pausa para descanso.

As pessoas estão dormindo cada vez menos e as consequências disso são devastadoras. A privação de sono:

  • Aumenta em até quatro vezes a chance de entrar em depressão.
  • Aumenta em até sete vezes o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e infarto do coração.
  • Dormir menos significa perder até 10 anos de vida.

Quanto mais são estudadas as consequências da falta de sono para o organismo, mais assustadores são os resultados.

O médico conta que em um experimento feito com ratos em laboratório, os animais foram divididos em dois grupos. O grupo 1 tinha uma rotina regular de sono, enquanto os ratos do grupo 2 sempre eram acordados pelos cientistas ao começarem a dormir.

Ao estudar o cérebro dos ratinhos que ficaram sem dormir, os cientistas perceberam alterações principalmente no hipocampo.

Durante o dia, é no hipocampo que o cérebro armazena as memórias de curto prazo para, durante o sono, em sua fase mais profunda, transformá-las em memórias de longo prazo.

Ela é essencial para quando você está fazendo uma prova e precisa lembrar de um determinado conteúdo, por exemplo.

A privação do sono agride do ponto de vista neural o hipocampo. Nos ratos que não dormiram, foram observadas diminuições nas conexões entre os neurônios. Isso significa lentidão, falta de memória e o que no conhecimento popular se chama de “burrice”.

A boa notícia é que, ao retornar à quantidade normal de sono, a conexão entre os neurônios dos ratos voltou ao normal.

Porém, ainda não se sabe se manter um comportamento ao longo prazo de não dormir pode ter maiores consequências e se a recuperação seria completa.

Resumindo, a quantidade ideal de sono varia de pessoa para pessoa. Por isso, dr. Pablo recomenda fazer testes em períodos de férias para você saber o que funciona melhor para você. 

Sono e estudos

Qualidade

A maior parte das pessoas inicia o dia, ao acordar, com altas quantidades de cortisol, o hormônio do estresse. É esperado que ela caia no decorrer das horas para, à noite, estar em seu nível mais baixo e, quando você dormir, acordar novamente com ela lá em cima.

Em uma pessoa que sofre de insônia, o nível de cortisol não abaixa durante a noite, o que explica a dificuldade em dormir.

Essa falta de redução na taxa de cortisol noturno tem a mesma consequência que foi vista nos ratos que não dormiram no experimento: redução das conexões entre os neurônios, o que prejudica atenção, memória e concentração, essenciais na hora dos estudos.

Por isso, não basta apenas dormir: quando se pensa em estudo, é preciso se preocupar com a qualidade do seu sono.

Cronotipia

Ninguém controla a vontade de ir no banheiro, certo? Apesar disso, o seu intestino geralmente tem um horário do dia em que te desperta a vontade. Esse horário varia muito de pessoa para pessoa.

O mesmo acontece com todos os órgãos, como o coração, os rins…e inclusive o próprio cérebro!

Ninguém tem o mesmo rendimento intelectual 24 horas por dia. As pessoas estão divididas em três grupos:

  • Matutino
  • Intermédio
  • Vespertino

Saber o horário que o seu cérebro funciona melhor contribuirá para a otimização e rendimento dos estudos.

O médico recomenda fazer um teste de cronotipia que tem no seu próprio livro, “A fórmula”, ou buscar outros testes na internet, de preferência os que estão em sites de universidades.

Mais importante do que buscar estimulantes externos, é procurar ter uma rotina de estudos saudável. Ela sim trará bons resultados e você terá um estudo de qualidade.

Gostou das dicas? Acompanhe o Blog da Folha Dirigida e fique atento ao que os especialistas indicam para aprimorar sua rotina de estudos!

Assinatura Folha Dirigida

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