Folha Dirigida Entrar Assine

Notícia principal

O último apaga a luz

O último apaga a luz

Para Barragan, governos deverão acelerar a realização de concursos públicos para setores mais estratégicos e/ou demandados

Cenário indica que governos deverão apreciar a pauta de realização de concursos
públicos para setores mais estratégicos e/ou demandados da sociedade

 

Por Antonio Carlos Barragan
    
Há quem diga que o Brasil de 2018 apresenta um dos cenários mais conturbados de nossa história, com temas polêmicos e mal resolvidos, com prisões de integrantes de diversos níveis e escalões, com debates polarizados e à flor da pele, entre otras cositas más. Contudo, um dos assuntos que mais tira o sono de muitos servidores públicos é a Reforma da Previdência.

Diversas alterações — e que são continuamente modificadas — para ajustar o caixa da Previdência têm sido propostas nos últimos anos, em especial a ampliação da idade mínima para se aposentar, haja vista o aumento da expectativa de vida que afeta, diretamente, a tabua biométrica para o cálculo dos valores de aposentadoria.

Farinha pouca, meu pirão primeiro

Meritocracia e o serviço público

Com a iminência do aumento da idade mínima para se aposentar, inúmeros servidores públicos deram um sprint para alcançar a desejada aposentadoria. Nunca houve o registro de tantos pedidos de aposentadoria em tão pouco tempo. Em 2017, houve a concessão de 22.458 aposentadorias, o que representou a majoração de 42% em relação ao ano de 2016. No que se refere a 2018, a história não tem sido diferente. Até julho deste ano já foram efetuados 12.360 registros de aposentadoria.

 

 

Mas o desespero dos gestores públicos pode ser ainda pior. Há estimativa de que, atualmente, ao menos 108 mil servidores públicos possuam condições para aposentadoria. Entretanto, muitos daqueles servidores públicos ainda permanecem trabalhando na gestão pública em decorrência do abono de exercício (incentivo financeiro para que sigam na ativa). Outro fator que chama bastante a atenção é o fato de a idade média da maioria dos servidores públicos ser de 46 anos de idade. Em análise geral, verifica-se que o serviço público brasileiro possui muitos servidores públicos com idades próximas à da aposentadoria, destacando-se que 39% deles estão acima dos 50 anos de idade.

Pois bem, que a Reforma da Previdência é necessária por conta do aumento da expectativa de vida, ou pelo grande número de trabalhadores informais ou por outra razão que possa justificar legitimamente o “rombo” que o cofre previdenciário precisa tapar, todos sabem. Por outro lado, revelou-se inegável que a Reforma Previdenciária apresenta uma razoável (senão indispensável) motivação para que aumente o número de pedidos de aposentadoria.

 

 

Com a baixa de vários servidores públicos efetivos e ativos, os próximos Governos terão, inevitavelmente, que incluir em suas pautas de reunião e apreciação a necessidade de realização de concursos públicos, especialmente, para os setores mais estratégicos e/ou demandados da sociedade. A continuar neste ritmo acelerado de ativos almejando a inatividade no serviço público, sem que se tenha a mesma velocidade na realização de concursos e contratação de novos servidores, haverá quem não hesite em gritar: “O último apaga a luz!”. 


Professor Barragan é gestor público, empreendedor, advogado, contador, professor de Gestão Pública, Direito e Contabilidade, Pós-graduado em Direito Público e Mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento



Cadastre-se e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida

Comentários